Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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30/08/2013

The Ocean at the End of the Lane

Autor: Neil Gaiman

Publicado por: Headline Review (2013)

Nº de páginas: 248

Sinopse: THE OCEAN AT THE END OF THE LANE is a fable that reshapes modern fantasy: moving, terrifying and elegiac - as pure as a dream, as delicate as a butterfly's wing, as dangerous as a knife in the dark, from storytelling genius Neil Gaiman. 

It began for our narrator forty years ago when the family lodger stole their car and committed suicide in it, stirring up ancient powers best left undisturbed. Dark creatures from beyond the world are on the loose, and it will take everything our narrator has just to stay alive: there is primal horror here, and menace unleashed - within his family and from the forces that have gathered to destroy it. 

His only defense is three women, on a farm at the end of the lane. The youngest of them claims that her duckpond is ocean. The oldest can remember the Big Bang.

Opinião: Este é daqueles livros acerca dos quais me é difícil escrever uma opinião. Primeiro surge o meu historial Neil Gaiman:

- Dois livros do autor lidos (Deuses Americanos e A Estranha Vida de Nobody Owens), ambos com pontos muito positivos a salientar mas sem me terem deixado realmente fã; 
- Devoção ao autor da parte de amigos e colegas bibliófilos;
- Uma simpatia pessoal muito grande pelo autor e pela sua postura online (nomeadamente no twitter) e offline, em particular em relação aos fãs e tudo relacionado com livros no geral.

Depois surge o historial que incentivo à leitura deste The Ocean at the End of the Lane:

- Um inacreditável hype em redor do livro e do autor semanas antes e depois da publicação;
- Opiniões de pessoas maravilhadas com o livro;
- Capa bonita! (também conta, e foi o que me fez comprar o hardcover em Londres quando o vi ao vivo)

Feita esta contextualização, espero que compreendam melhor quando digo que este era um livro que eu adorava ter adorado. Pelo autor em si, pela simpatia que lhe tenho, e todo o reconhecimento que tem, Neil Gaiman é um autor do qual eu quero (desesperadamente) gostar, mas que de alguma forma fico sempre um furo abaixo de conseguir. 

The Ocean at the End of the Lane é um livro pequeno que foi lido rapidamente (principalmente para o meu ritmo preguiçoso de Verão e sol), devido quer ao ritmo ao qual os acontecimentos se sucedem, quer à prosa do autor, da qual gostei bastante. Tendo em conta o ponto de vista de um menino, era muito fácil falhar no tom da narrativa, no entanto Neil Gaiman conseguiu tornar a sua voz cativante e inocente, sem ser demasiado infantil. Gaiman é, afinal de contas, um autor de muitas obras infantis de sucesso. 

Foi por isso uma surpresa (ou não), quando ao chegar ao fim deste livro me encontrei perdida. A verdade é que não sabia se tinha gostado ou não. Sim, vi-me envolvida na história enquanto a lia, mas nada dela ficou em mim depois de ter terminado o livro. Apesar de reconhecer que está bem escrito (o tom nostálgico do livro é palpável e sem dúvida intencional), nem personagens, nem história, nem escrita me marcaram particularmente. Este é mais um livro de Neil Gaiman que eu tenho de admitir ter pontos bastantes positivos e um conceito interessante, mas que simplesmente não é para mim. 

Apesar de admitir que os seus livros não me cativam sobremaneira, não ouso afirmar que é um mau escritor. Ainda que não me sinta particularmente cativada, tenho a sensibilidade suficiente para perceber que escreve de forma fantástica e domina completamente a prosa que lhe sai das mãos. Todo o aclamado "génio do autor", que identifiquei em livros anteriores, não resulta comigo. Ou ainda não li o livro certo. Como sou teimosa e como já disse, tenho uma simpatia por este autor, vou continuar a tentar. Faço uma nota mental que a escrita do autor em si me agrada mais de livro para livro (o primeiro foi lido em português, o segundo metade tradução, metade original, e o terceiro no original), portanto no futuro manter-me-ei pelas versões originais.

Assim sendo, não recomendo nem deixo de recomendar este livro. Recomendo sim, que o leitor curioso faça o seu próprio juízo desta obra e deste autor, e espero honestamente que resulte com outros leitores como não resultou comigo. 

O melhor: A escrita que transparece a nostalgia e melancolia, de um adulto que recorda a sua infância como uma parte da sua vida que não pode recuperar. As mulheres Hempstock. 

O pior: Falta de empatia com personagens e história. 


2/5 - Está OK. 


20/11/2011

Fallen Angel




Title/Título: Fallen Angel

Author/Autor: Maggie Wilson

Nº of pages/ Nº de páginas: 280

Publisher/Editora: HandE Publishers

Synopsis/Sinopse: Sister Cate Carter has been working at Westwood General Hospital for many years and always loved her job. Until the world according to Cate came crashing down when two detectives marched on to her ward. Ward 73 gave them cause for suspicion, more and more deaths were occurring with no reasonable explanation of why. This had happened before, not at Westwood General, not recently, but it had happened. David Waters, a name very well known in the medical world, was being brought up again. David was responsible for the deaths of seven patients, at least that s all they could get him for. He claimed he just wanted to put his patients out of their misery. Is this a copy-cat murderer? Or is there really another David Waters killing their patients and getting away with it? 


Review/Opinião: This book is what can be called a medical thriller with a romance twist. The plot takes place at a cirurgical ward at a hospital, when suddenly random healthy patients appear dead. The first suspicions fall on the nurse staff, and the story develops around the investigation, by Detective Charlie Hammond, and the point of view of Sister Cate Carter, responsible for the ward. 

This is certainly the kind of book for a reader with a soft spot for medical subjects. The descriptions are long and accurate, and take a great part in the writing of the story. Unfortunately I didn’t relate do any of the characters, nor to the mystery itself. And would have liked a more paced action and stronger dialogues. The romance part was weak, really. It is a light, easy read. This review is part of the Fallen Angel Book Tour, hosted by UK and Beyond Book Tours



Este livro é aquilo que pode ser chamado um thriller médico, com uma ponta de romance. A acção tem lugar numa ala cirúrgica de um hospital, quando subitamente pacientes saudáveis começam a aparecer mortos. As primeiras suspeitas recaem sobre a equipa de enfermagem, e a história desenvolve-se à volta da investigação do Detective Charlie Hammond, e do ponto de vista de Cate Carter, responsável pela ala. 

Este é certamente o tipo de livro para um leitor que tenha preferência por temas médicos. As descrições são longas e precisas, e assumem uma grande parte da escrita da história. Infelizmente não me identifiquei com nenhuma das personagens, nem com o mistério em si. Gostaria de ritmo da acção mais rápido e melhores diálogos. A parte do romance foi também bastante fraca. É uma leitura fácil e leve. Esta opinião faz parte do  Fallen Angel Book Tour, que tem lugar no UK and Beyond Book Tours

2/5 – It's OK/Está OK. 


08/06/2011

Aristides de Sousa Mendes – Um Herói Português

Aristides de Sousa Mendes – Um Herói Português

Autor: José-Alain Fralon
Tradutor: Saul Barata (+)
Nº de páginas: 125
Editora: Editorial Presença


Sinopse: Em Julho de 1885 nascem César e Aristides, dois gémeos de temperamentos diametralmente opostos. Aristides era tão extravagante quanto o seu irmão discreto e cumpridor. Entusiasta, generoso e aventureiro seguiu a carreira diplomática, e encontrava-se em Bordéus num tempo em que o nazismo lançara já a sua sombra sobre a Europa e o Mundo, enquanto Salazar jogava habilmente com a neutralidade. Multidões esperavam junto ao consulado para escapar ao Holocausto. Emanavam ordens do governo português para limitar a concessão de vistos, tanto mais que as tropas alemãs se aproximavam, mas Aristides assinava, dia e noite, correndo contra o tempo, obedecendo a imperativos mais altos. 


Opinião: Já há algum tempo que tinha vontade de saber mais acerca desta personalidade, e este pequeno livro permitiu isso mesmo. 

É um livro que vale pelos relatos acerca da realidade de Portugal na altura que antecedeu e durante a Segunda Guerra Mundial, e mas centra-se essencialmente no contexto familiar de Aristides (o irmão gémeo, o casamento e os seus 14 filhos…), que foi determinante para a sua conduta durante o seu consulado em Bordéus. Achei bastante interessante a inclusão de correspondência entre Aristides de Sousa Mendes e as autoridades portuguesas, documentos da desobediência do Cônsul, e de fotografias da época (apesar de surgirem algumas referências no texto para as quais não existia foto). 

Um livro que se lê bastante bem, numa prosa acessível, no entanto por vezes dramática e exagerada, que ainda tenho dúvidas se resulta ou não, mas que pessoalmente não gostei. Fiquei com vontade de ler ainda mais sobre Aristides de Sousa Mendes. 


O melhor: Caracterização da situação política e social do país na época. 
O pior: O tom da prosa. 

2/5 – Está OK.

13/03/2011

No Reino de Glome

No Reino de Glome - Até Termos Rostos, C. S. Lewis

Título original: Till We Have Faces: A Myth Retold
Tradutora: Isabel Milhazes
Nº de páginas: 256
Editora: Cavalo de Ferro


Sinopse: «Agora já estou velha e não temo a fúria dos deuses… irei escrever neste livro tudo aquilo que uma pessoa que é feliz não se atreveria a escrever. Vou acusar os deuses, especialmente o deus da Montanha cinzenta. Vou contar tudo o que ele me fez, como se estivesse a apresentar a minha acusação perante um juíz. Eu sou Orual, a filha mais velha de Trom, rei de Glome.» 
O Reino de Glome, situado nas montanhas da fronteira com a antiga Grécia, é um reino bárbaro que pratica um culto obscuro à cruel deusa do amor, Ungit, e ao seu filho, o deus da montanha, a que os gregos chamam Afrodite e Cupido. Quando Trom, o rei, casa novamente e dessa relação nasce Psique, a sua irmã mais velha, a princesa Orual, está longe de imaginar que esse nascimento irá modificar a sua vida e o curso da história. 
Psique é de uma beleza inigualável, tão bela que o povo se esquece do culto a Ungit. A cruel deusa exige que a princesa seja oferecida em sacrifício ao deus da montanha e os acontecimentos precipitam-se… 





Opinião: Esta é uma recriação do mito grego de Eros e Psique. Segundo o próprio C. S. Lewis, quando leu este mito pela primeira achou que “faltava” alguma coisa, e decidiu-se portanto a recriá-lo. Não sabia nada deste livro quando comecei a lê-lo, por isso acho que as minhas expectativas não eram muito elevadas. O que me fez comprar o livro, além do preço quase ridículo de 3€ (exemplar novo, numa livraria) foi a belíssima edição. Achei a capa muito bonita (na imagem não dá para ver os relevos das figuras e os dourados), e quando li o primeiro parágrafo (transcrito na sinopse) fiquei imediatamente cativada pelo livro. 

No entanto esse entusiasmo inicial foi esmorecendo. Tudo nesta obra grita tragédia grega. Além do próprio enredo, com guerras entre humanos e deuses, e tarefas impossíveis (com as quais podia bem), as personagens e principalmente os diálogos e os monólogos, quase me levaram ao desespero. Numa altura estava a gostar, no momento a seguir estava quase a largar o livro. Talvez estivesse à espera de uma obra de fantasia, mas a verdade é que se trata de uma recriação de uma obra clássica, e procura de certa forma recriar o estilo clássico de escrita da tragédia grega. Não uma adaptação, que teria considerado interessante, mas sim uma verdadeira recriação. 

Confesso que com o avançar do livro fui gostando cada vez menos, até fazer o esforço para terminar. Já estava saturada de tanta tragédia grega, literalmente. 

O melhor: Fiquei a saber um pouco mais acerca deste episódio da mitologia grega. 
O pior: Fiquei saturada principalmente com os diálogos. 

2/5 – Está OK

20/01/2011

Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos

Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos, Ágata Ramos Simões 
Núm. páginas: 162
Editora: Saída de Emergência



Sinopse: Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos, irá provocar incontroláveis convulsões aos amantes das ditas avezinhas e a qualquer incauto que ainda não tenha compreendido as verdades do mundo. É um clister moral, uma purga mal-pensante, um insulto ao bom-gosto, um gosto pelo insulto, um compêndio de palavras feias e um espelho do Portugal politicamente correcto em que o leitor habita. O Sr. Bentley não conhece travão e nada tem de sagrado. Mais do que uma pedrada no charco, é um verdadeiro pontapé nas penduricalhas miudezas deste pântano à beira mar encalhado; Portanto, leitor, acomode a coquilha sobre as jóias da família, proteja os dentes, e prepare-se para a porrada, porque o Sr. Bentley é um peso-pesado. Um Atlas que carrega com alegria sobre os ombros tudo o que de mais abjecto, medonho, mesquinho, estúpido e medíocre os portugueses têm… e, por isso, é um verdadeiro encanto. Pensando bem, caro leitor, tire daí a mãozinha; este livro não é para si! 



Opinião: Já estava há bastante tempo (anos) de olho neste livro curioso. O título por si só faz adivinhar uma obra diferente, e a sinopse não engana. Depois de tanto tempo a adiar, a leitura conjunta no Fórum Bang! foi a desculpa ideal que me levou a finalmente incluí-lo na encomenda. 

Assim que o livro chegou estava ansiosa para começá-lo, porque em adição às expectativas anteriores, verifiquei que este livro tem uma edição primorosa: capa dura, encadernação a um papel rugoso, quase tecido; fita de marcação de páginas; papel de excelente qualidade; e o melhor de tudo, engraçadas ilustrações ao longo do texto, que deram uma graça muito especial ao livro (apesar da ficha técnica não referir o autor das mesmas). Em suma, uma excelente edição, que muito me agradou. 

Talvez tivesse expectativas demasiado elevadas relativamente a este livro. Estava à espera de me fazer dar grandes gargalhadas e de o ler num ápice. Mas não. 

O Sr. Bentley é um homenzinho desprezível. O desprezo que lhe é dirigido pelas pessoas em geral só é ultrapassado pelo desprezo que ele próprio sente pelas pessoas. Menos a sua santa esposa, a velha, que adora e maltrata com surpreendente vigor. Mas o que ele adora é visitar cemitérios e cuspir nas criancinhas. E insultar pessoas, claro, mas sempre com o seu guarda-chuva adorado, que lhe permite planar por esses céus afora e assim escapar a valentes sovas. 

Esta personagem é o centro de todo o livro. A autora escreve de forma deliciosa, com um brilhante domínio da língua, que nem o extenso uso do vernáculo disfarça. O livro está pejado de uma forte crítica à sociedade portuguesa (assumindo que não é esse o objectivo central do livro), num tom de humor negro que apesar de mordaz, não me fez rir se não em passagens. 

O Sr. Bentley é uma personagem caricata e excêntrica, e dizem que é mau como as cobras. Algumas das suas acções são verdadeiramente incríveis, e chegam a ser chocantes. Esse é outro tom do livro: chocante. Quer seja por algumas passagens do Sr. Bentley, quer pelo valente vernáculo utilizado (chega a ser palavra sim, palavra sim), é um livro que pode facilmente ferir algumas susceptibilidades. Na minha opinião pessoal os palavrões são despejados no texto como parte da caracterização do personagem (mas não deixam de ser cansativos a certa altura) e senti que em parte foi apenas e meramente com o objectivo de chocar o leitor. 

É um livro que relata episódios sucessivos das aventuras do Sr. Bentley, não necessariamente com ligação entre si. Senti que lhe faltou um fio condutor, um rumo que o poderia ter transformado numa obra genial e hilariante. Penso que este livro tinha enorme potencial e um conceito brilhante, mas a concretização ficou aquém do que poderia ter sido se a autora tivesse seguido um rumo mais maduro. 

É sem dúvida um livro diferente e irreverente, e não o considerei uma perda de tempo, mas não posso negar que me desiludiu um pouco, apesar de algumas cenas verdadeiramente interessantes. 


O melhor: A relação do Sr Bentley com a Miss Joyce e o final. 
O pior: Pensar que este livro tem um conceito brilhante e que poderia ter sido muito melhor. 

2/5 – Ok.

12/12/2010

O Segredo do Chocolate, James Runcie


O Segredo do Chocolate, James Runcie
Título Original: The Discovery of Chocolate (2001)
Tradutor: Manuel Marques
Nº de páginas: 272 (formato bolso)
Editora: Saída de Emergência (2005)


Sinopse: Diego de Godoy, um jovem espanhol em busca de fama e fortuna, embarca rumo ao Novo Mundo no ano de 1518. Nas Américas luta ao lado de Cortés, o conquistador do México. No meio dessa grandiosa campanha, onde conhece o líder Asteca Montezuma, apaixona-se pela bela Ignacia, uma nativa que o inicia nos segredos sensuais do chocolate.

Apesar das circunstâncias separarem os amantes, Ignacia dá a Diego um elixir e uma promessa: "Se estiveres vivo, então eu estarei viva. Nunca desistas de me procurar."
Acompanhado pelo seu cão, Diego está destinado a vaguear pelo mundo através dos séculos, em busca do seu amor perdido, da perfeição do chocolate e do sentido da vida. No seu percurso pela Europa acompanha os maiores acontecimentos e cruza-se com personalidades como o excêntrico Marquês de Sade, ou o psicanalista Sigmund Freud.



Opinião: O conceito deste livro era promissor. Um jovem espanhol que parte para o Novo Mundo em busca de um presente para conquistar uma bela e rica donzela. Corre o ano de 1518, e Diego de Godoy, com a companhia do seu galgo Pedro, parte na esperança de conseguir encontrar algo que nenhum outro homem pudesse oferecer. No México, acaba por encontrar muito mais: não só conhece o líder Asteca Montezuma como se apaixona por uma nativa. A bela Ignacia seduz Diego com a sua beleza e com o sublime sabor do chocolate.
Os dois amantes são separados pelos acontecimentos que acabam por culminar na queda da civilização Asteca sob o jugo dos espanhóis, e os dois (e o cão) tomam uma estranha e secreta bebida, cujos efeitos Diego só descobre no momento em que se apercebe que passou um século desde a sua separação do seu amor. Começa assim uma longa viagem de Diego pela vida e pelos aromas do chocolate.

Louvo a capacidade do autor de descrever precisamente os aromas do chocolate com notável detalhe. Um verdadeiro apelo aos sentidos, na preparação, confecção e degustação do chocolate. Posso dizer que ele é o verdadeiro protagonista deste livro: o chocolate.
A premissa era boa: um contexto histórico interessante, a introdução de personalidades reais (como o Marques de Sade ou Freud) e o chocolate e as suas origens como pano de fundo. No entanto, senti que este livro ficou muito aquém do que poderia ter sido. As suas personagens foram mal exploradas e perdidas no meio dos acontecimentos da sua vida. A narrativa em tom leve e ligeiro foi inicialmente agradável, um avançar ritmado e levemente descrito como é natural numa fase inicial de introdução do enredo e personagens. Mas quanto mais avançava mais pensava quando é que começava a história propriamente dita. A verdade é que já tinha começado, mas o tom da narrativa e o muito rápido avançar dos acontecimentos, tão rapidamente descritos (não obstante, precisamente) que sentia quase só eram mencionados, fez-me sentir que a história não estava a ser explorada. 
Se Diego frequentemente afirmava que a sua longevidade lhe causava tédio e aborrecimento pelo lento ritmo da sua vida, eu senti precisamente o contrário. Excepção feita para as detalhadas e deliciosas descrições de chocolate, toda a restante acção passou a correr. Isso não seria por si só negativo, se não tivesse igualmente sentido que essa velocidade implicou um subdesenvolvimento do potencial das personagens e do enredo.

Foi uma leitura agradável e não é um mau livro, mas não me cativou. Fiquei com a sensação que o autor teria capacidade para um romance mais denso.

O melhor: O chocolate
O pior: A falta de profundidade do livro

2/5 – Está OK