Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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24/06/2013

Guia Kindle para Totós - parte II

(continuação do post anterior)

Parte I





Parte II






5. Leitores
Passemos agora à interface física dos e-books. Os e-readers (ou leitores de e-books), dispositivos que nos permitem efectivamente ler os livros digitais, como toda a tecnologia, têm evoluído grandemente nos últimos anos. Longe vão os tempos em que ler um livro digital implicava horas de tortura ocular em frente a um monitor de computador.

Hoje em dia, com a tecnologia e-ink que é comum a todos os e-readers dignos desse nome, a experiência de leitura num deles é em quase tudo como ler um livro. Já expliquei neste post as características dos novos kindles que considero determinantes para uma satisfatória experiência de leitura, e que revolucionaram o mercado dos livros digitais. Aqui limito-me a resumir (muito) as características dos equipamentos.


5.1. O meu kindle. O Kindle 4 é o que chamo o modelo low cost da Amazon. Aquele que é o modelo mais básico e limitado do segmento dos novos kindles, tendo na leitura o seu foco principal. 


  • Ecrã de aproximadamente 15 cm de tecnologia e-ink pearl, em tons de cinza, optimizada para leitura, com tipos e tamanhos de letra adaptáveis e rápida mudança de página;





  • Interface com 5 botões intuitivos (incluindo botão de navegação) e botões "página seguinte" e "página anterior" de ambos os lados do aparelho;

  • Cabo USB para carregar o dispositivo ou transferir conteúdo;

  • Conectividade por WiFi, a redes públicas ou privadas, para actualização de software, transferência de livros, aceder a conteúdo ligado aos livros, partilhar/publicar actualizações ou notas, sincronizar com outros dispositivos ou aplicações kinde;

  • Funcionalidades como:

- Criação de colecções ou categorias para organização da biblioteca digital, ou simples organização por título, autor, data, etc.,

- Acesso instantâneo a dicionários que permitem ler o significado de palavras sem ter de sair do livro,

- Adição de marcadores de página ao longo do livro, para fácil acesso mais tarde (o kindle memoriza a ultima página lida),

- Possibilidade de sublinhar ou marcar passagens que se considerem interessantes, e partilhá-las,

- Possibilidade de adicionar notas pessoais, que podem ser partilhadas com todos os leitores kindle do livro em questão,

- Sincronização de leitura com outros dispositivos em que se esteja a ler o mesmo livro (telemóvel, pc, etc),

- Pesquisa em todo o equipamento, nos títulos e autores e no conteúdos dos livros,

- Índices que permitem navegar no documento por capítulos e localizações específicas,

- Barra de percentagem de leitura (com correspondência real com o número de página da edição impressa do livro)


  • Bateria que dura cerca de 4 semanas com o WiFi sempre desligado. Na minha utilização, e já um ano de desgaste de bateria depois, a duração actual da bateria do meu kindle é de 3 semanas;

  • Capacidade de cerca de 1.45Gb. Tenho actualmente cerca de 270 livros no meu kindle, e ainda há espaço para mais.

  •  Peso e dimensões, segundo dados da Amazon: 165.75 mm x 114.5 mm x 8.7 mm e 170 gramas. 

  • Peso e dimensões, segundo eu: Suficientemente pequeno para uma excelente portabilidade, e suficientemente grande para uma leitura confortável, sendo o ecrã sensivelmente do tamanho de um livro de bolso. Ultra leve.



5.2. Os modelos mais recentes apresentam novas funcionalidades e características mais modernas, mantendo a essencial e-ink do ecrã. Dessas importantes inovações destaco duas:

5.2.1 O ecrã táctil, que permite uma navegação muito mais optimizada, seguindo a tendência dos dispositivos portáteis mais actuais. Opções como zoom, selecção de palavras ou mesmo de livro tornaram-se mais fáceis e intuitivas. O avançar ou retroceder de página é feito nas extremidades do ecrã ao invés de utilizar botões físicos no dispositivo. Tecnicamente, esta tecnologia touch utiliza uma rede de sensores uma camada do ecrã superior à camada responsável pela tecnologia e-ink, não a afectando.




5.2.2. A iluminação do ecrã, mantendo também a funcionalidade touch no ecrã. Aquele que era considerado por muitos leitores o elemento que faltava para o e-reader perfeito surgiu finalmente: luz. Numa tecnologia diferente da iluminação que conhecemos dos telemóveis e tablets, estes novos e-readers apresentam retro-iluminação sem reflexos e sem brilho. Na prática, esta nova forma de iluminação de ecrã significa que as lâmpadas LED de baixo consumo iluminam o ecrã em si, e não a cara do utilizador. A luz não é emitida para fora do dispositivo, mas sim para dentro, de forma a evitar a agressão dos olhos e a vista cansada, que é o maior pesadelo dos leitores e que foi desde sempre foi um dos entraves à leitura electrónica. Vemos o texto iluminado, mas não o brilho da luz, que é reflectida de volta para o interior. Como é natural, os modelos com luz dos principais distribuidores mantêm a tecnologia touch.




5.2.3. Kindle 4 vs Novos modelos

Com as vantagens dos novos modelos surgiram também alguns (pequenos) inconvenientes.

A generalidade dos utilizadores considera que os modelos touch proporcionam uma mais fácil e rápida utilização da interface do dispositivo, no geral, uma utilização mais satisfatória. No entanto, a maior crítica continua a ser a ausência de botões físicos para mudar de página. No kindle 4 e anteriores a posição dos botões de passagem de página é perfeita, podendo o utilizador manter o dedo a mesma posição e pressionar à medida que lê. Nos modelos touch, não só não pode manter o dedo no mesmo local enquanto lê, como avança ou retrocede inadvertidamente com apenas um toque (por exemplo a mudar de posição da mão).
(Imagens daqui)

Quanto aos modelos retro-iluminados, a esmagadora vantagem de poder ler no escuro é o ponto mais positivo. Particularmente popular é a experiência de leitores que gostam de ler na cama, pela noite dentro, e que assim o podem fazer tranquilamente sem perturbar o parceiro. Outro ponto positivo é o facto da inclusão de lâmpadas não comprometer a longa duração da bateria do dispositivo, tendo-se atingido o tempo record de 2 meses (!) com mínima utilização da luz, ou 1 mês de uso intensivo da mesma. As principais críticas (além da mesma questão dos botões físicos) ao Kindle Paperwhite foram uma iluminação irregular do ecrã (menos iluminado nas extremidades, ainda que em zonas sem texto), e impossibilidade de desligar a iluminação completamente.

Pessoalmente, considero que o Kindle Paperwhite (e os seus equivalentes concorrentes) é o melhor equipamento para ler e-books do momento. Tem todas as vantagens dos livros digitais e ultrapassou (quase) todas as desvantagens que não sejam "o toque e o cheiro dos livros físiscos". Com a sua iluminação pouco agressiva, há quem considere ainda mais confortável para os olhos do que ler um livro físico à luz de um candeeiro.

O factor preço acaba por ser o principal inconveniente do Kindle Paperwhite ($139) face ao Kindle 4 ($89). Como em todas as compras ponderadas, para decidir há que ter em conta as necessidades do utilizador.

Para um utilizador casual, um leitor que quer apenas ler pelo prazer de ler, quem quer dar uma primeira oportunidade aos e-books ou um cliente limitado pelo orçamento, o kindle 4 é a solução indicada e que cumpre perfeitamente as necessidades, com a vantagem do preço reduzido.

Para um utilizador mais exigente, alguém que considera essencial a iluminação do ecrã ou o ecrã táctil, ou alguém que quer iniciar-se nos livros digitais com a melhor experiência possível, a diferença de preço vale a pena para ter um equipamento superior. Deixo aqui (em castelhano e em inglês) comparações bastante completas entre os dois modelos da Amazon.

Comparando com os principais concorrentes do Kindle, o NOOK e o Kobo, considero que os equipamentos são bastante equivalentes em cada um dos segmentos. A principal diferença que pode determinar a escolha é relativa ao conteúdo, limitações de DRM, etc, e que fica ao critério de cada um avaliar.

O Kindle 4 é o único modelo "básico" das três principais concorrentes a permanecer no mercado. Modelos anteriores ao NOOK Touch e Kobo Touch foram descontinuados. A Amazon manteve o popular Kindle 4, mas descontinuou o Kindle Touch, que foi substituído pelo Kindle Paperwhite. 

Kindle vs Tablets, um aparte
Até agora não inclui nas minhas comparações aqueles que são também eles líderes de mercado nos e-books: os tablets. Kindle Fire e NOOK HD permitiram às respectivas empresas manter-se no comboio da competição com os iPads da Apple e outros tablets. Cada um destes equipamentos pode ser utilizado para ler livros, pela instalação de aplicações compatíveis com os diversos formatos de e-books. Não os incluí, porque mais uma vez, é importante ter em consideração as necessidades de utilização quando se adquire um dispositivo destes, ou simplesmente se avalia a sua utilidade.
Para utilizadores que incluem nas suas preferências a leitura de publicações gráficas como revistas, jornais ou artigos científicos e mesmo comics ou graphic novels, os e-readers não são a melhor opção. Apesar dos formatos serem suportados e inclusive se tenham resolvido problemas de compatibilidade (nomeadamente no kindle em relação aos formatos de banda desenhada), e dos distribuidores venderem periódicos nas suas lojas online, um leitor a preto e branco desenhado e optimizado para ler livros de texto corrido é o ideal para... ler livros. Para as restantes opções de leitura, ou para alguém que quer ter um equipamento mais versátil, e cujas necessidades vão além de ler livros (utilização de internet, composição de textos, imagens, etc), recomendaria sem hesitação um tablet em vez de um e-reader. 

6. Kindle em Portugal.

6.1. Comprar um Kindle em Portugal. Apesar de existirem algumas excepções, o kindle compra-se online. Há três pontos a ter em conta ao comprar um kindle:

- Comprar dos E.U.A. Para quem quer comprar um kindle e vive num dos países com versão nacional da Amazon (uk, fr, it, es, etc) basta aceder ao respectivo site e iniciar o processo de compra e entrega em mão. Para o resto do mundo, como os residentes em Portugal, o mesmo processo tem de ter lugar através do site norte-americano e site-mãe, Amazon.com.

- Contabilizar despesas de envio. Comprar seja o que for na Amazon.com implica que a encomenda tenha origem nos Estados Unidos, e como tal, implica o pagamento de despesas alfandegárias, e o kindle não é excepção. Segundo uma simulação recente as despesas associadas ao envio variam entre 30 e 40€, valor com o qual se deve contar ao planear uma encomenda.

- Verificar que o modelo em questão está disponível para envio para Portugal. Apesar da compra ser feita pelo site americano, não significa que qualquer produto possa ser enviado para o nosso país. Limitações legais e comerciais são os principais motivos que podem levar a Amazon a limitar a venda dos kindles para os diversos países. Quer o kindle 4 como o Kindle Paperwhite demoraram cerca de 3 meses a ficarem disponíveis em Portugal, mas o Kindle Fire HD, por exemplo, só agora se pode comprar, quase 2 anos depois do lançamento do primeiro modelo.


6.2. Kobo em Portugal

Conforme expliquei aqui, é fácil adquirir livros do catálogo da Amazon, mas a oferta de livros em português é inexistente bastante reduzida, e a maioria são livros em português do Brasil.

Em contrapartida, desde que o Kobo é vendido em Portugal através da Fnac, o catálogo de e-books em português tem aumentado bastante, tendo algumas editoras começado a apostar, devagarinho, mas cada vez mais, em edições digitais dos seus livros.

Tendo em conta que esses livros em português são vendidos em formato .epub, compatível com o Kobo mas não com o Kindle, e que evitando encomendas online e gastos de envio, se pode facilmente adquirir um Kobo na Fnac mais próxima, considero que para os utilizadores portugueses a melhor opção actual será optar por um Kobo. Em adição, a Fnac está com reduções bastante atractivas nos preços dos Kobo.

** ADENDA **

Sempre atenta, a Célia chamou a minha atenção para o facto de actualmente algumas editoras portuguesas terem adicionado os seus livros ao catálogo da Amazon, possibilitando assim o acesso directo para os leitores de kindle a livros recentes em português. 


6.3 IVA dos E-books em Portugal

Em Portugal, o IVA dos livros físicos pertence ao escalão de IVA reduzido de 6%, no entanto, a versão digital dos mesmos livros é taxada pelo escalão máximo de 23%. Em Janeiro de 2012, a França e o Luxemburgo foram os primeiros países a determinar uma escala de IVA reduzida para os e-books, de 7% e 3% respectivamente, mas esta deliberação chocou com os entraves legais da Comissão Europeia. Bruxelas considera que uma redução fiscal tão significativa nos e-books causa distorções de concorrência no seio da União, favorecendo os países dominantes e desfavorecendo os restantes. 

A Amazon.uk tem os seus clientes de e-books no Reino Unido, mas está registada legalmente no Luxemburgo, usufruindo dessa forma da redução fiscal associada ao livros digitais, enquanto a sua concorrência nacional é obrigada a taxar os livros a uma taxa superior. 

Esta imposição legal da Comissão Europeia de equiparar as taxas de IVA dos 25 países, por um lado evita a dominância de grandes distribuidores como a Amazon, mas por outro perpetua uma inflação dos preços dos e-books em relação aos seus equivalentes físicos. Em Portugal pretende-se baixar o IVA dos e-books, tendo esta questão feito parte do Orçamento de Estado para 2013, mas a determinação caiu por terra com  a decisão da Comissão Europeia.

Apesar de reconhecer que a situação legal actual dá origem a uma discriminação digital, face ao livro físico, Bruxelas remete uma discussão do tema para depois do final deste ano. 

Uma discussão semelhante surge também nos Estados Unidos, onde em alguns estados os e-books não sao taxados de todo, tornando claro que as regulamentações legais ainda não acompanham o crescimento do mercado digital.


** FIM DA ADENDA **

7. Acessórios para Bibliófilos


Porque ter-me rendido aos e-books não fez de mim uma ex-bibliófila, continuo a ter um fraquinho por tudo o que é acessórios de leitura, incluindo leitura digital.

Alguns são essenciais para o leitor digital, como as luzes de leitura ou as capas protectoras, incluindo as que são perfeitas para quem não se consegue separar do livro físico mesmo lendo e-books.





Outros acessórios práticos incluem capas à prova de água, ideais para a uma leitura na piscina ou na praia, livre de acidentes, ou suportes mãos-livres para ler sem cansar os braços. Para quem quiser personalizar o seu kindle, as opções são diversas, com as skins que se colam no dispositivo.




(fonte)

8. A minha experiência kindle

Como pode parecer óbvio, a minha experiência kindle tem sido bastante positiva e é fácil de perceber pela quantidade de posts sobre o assunto que vou fazendo por aqui. Volto a remeter para este post o resumo do início da minha experiência com os livros digitais, mas a aventura vai continuando, com constantes novidades, notícias, novas tecnologias e avanços, que fazem com que a experiência nos e-books seja algo em constante desenvolvimento. Há quem diga que os readers dedicados têm fim à vista, mas de uma forma ou de outra prevejo que eu e os livros digitais vamos continuar juntos por muito tempo.
Principalmente, o kindle permitiu-me aumentar e diversificar as minhas leituras, e permite-me ler livros em qualquer hora e qualquer lugar, e isso é o mais importante.

20/06/2013

Guia Kindle para Totós - parte I


Oh não, outro post sobre o kindle.
Eu sei, eu sei, muita tinta (electrónica ou não) já correu acerca de e-readers e e-books, e provavelmente para a maioria dos leitores este post traz pouca coisa de novo. Mas na semana passada coube-me a missão de converter um resistente a e-books num kindle-lover. Não que tenha sido um processo difícil, mas enquanto explicava tudo o que sei sobre e-books a alguém que quase nada sabia, dei por mim sem saber como organizar e melhor explicar tanta informação. A verdade é que hoje em dia, com tanta informação na internet, é por vezes difícil filtrar essa informação e começar totalmente do zero sem se ficar confuso. 

Para os info-excluídos como um dia fui, aqui fica uma espécie de guia "explica-me como se eu tivesse 5 anos". Não sendo nenhuma autoridade no assunto dos livros digitais, este post é basicamente um resumo da aprendizagem que eu própria levei a cabo, e sem dúvida que muita coisa ficará por dizer ou por corrigir, e convido-vos a fazê-lo. Falo do kindle, porque foi o meu equipamento de eleição, mas naturalmente alguma informação aplica-se a e-readers em geral.


Parte I





Parte II









Começando pelo início... 

1. O que é um e-book? Livro electrónico, ou livro digital, inicialmente a sua definição consistia na versão digital de um livro impresso. Hoje em dia existem livros que são publicados em formato digital sem nunca terem sido impressos, alargando a definição a  publicações de livros em formato digital de obras textuais ou gráficas, que são lidos através de um dispositivo electrónico (tradução livre da wikipedia).

(fonte)

Se ganhasse um livro de cada vez que alguém me pergunta se os e-books que leio são digitalizações de livros impressos, provavelmente já teria mais livros na minha estante do que e-books (não tenho!). Apesar de existirem livros digitais que são meras digitalizações, essa realidade está actualmente ultrapassada quando falamos de e-books comerciais de obras facilmente acessíveis. Ainda se digitalizam livros, nomeadamente publicações antigas, edições históricas e raras, mas arriscaria dizer que a maioria dos e-books que são lidos são fruto de conversões. Essas conversões podem ser levadas a cabo através de digitalizações que depois são submetidas a softwares que convertem as imagens em texto; ou simplesmente copiadas e inseridas manualmente como qualquer outro texto. Publicações actuais, cujo próprio livro impresso existe em formato digital, necessitam meramente de converter o texto num formato passível de ser lido num e-reader.





Essa  conversão implica técnicas específicas de paginação, formatação, inclusão de índices e hiperligações e introdução de dados descritivos digitais da obra (metadados). Em adição à informação digital básica que constitui um e-book, muitas edições começam a incluir conteúdos extra, como imagens, hiperligações específicas na internet, etc.



2. Adquirir e-books. Como seria de esperar, os e-books são adquiridos online. Cada um dos grandes fabricantes e vendedores de leitores digitais está associado a um catálogo online de livros (físicos e digitais). Mencionando os principais, a Amazon vende o seu Kindle, a Barnes & Noble o Nook, e em Portugal a Fnac vende o Kobo. Resumindo a aquisição de livros em 3 opções:





2.1. Adquirir livros utilizando a conta no respectivo site e comprar os livros online, sendo estes entregues via wireless assim que se ligar o leitor à internet, por WiFi ou 3G. Há livros pagos e livros gratuitos, e os preços vão desde os 99 cêntimos  ao preço de um hardback, milhares de títulos à distância de um clique.

2.2. Utilizar catálogos de livros gratuitos como o Projecto Gutemberg, que disponibiliza gratuitamente e em diversos formatos livros cujos direitos de autor já pertencem à Humanidade, as chamadas obras em domínio público. Este site conta já com 4 décadas de funcionamento e foi um dos pioneiros na divulgação e liberalização dos livros digitais. 

2.3. A internet. Certo, ambas as opções anteriores fazem parte da internet, mas essas são as opções legais e oficiais. Não preciso de elaborar, pois não? Não tenho na minha posse dados estatísticos precisos, mas arrisco afirmar que mais de 90% dos livros que procuro em inglês se encontram facilmente perdidos nos meandros da internet. À distância de vários cliques e alguns minutos de espera, conversões de melhor ou pior qualidade, mas é uma opção popular. 



Um aparte em relação aos preços dos e-books 
Pelas razões enumeradas mais acima, nem sempre a versão digital de uma obra é a mais barata, pelo contrário e indo contra tudo o que parece lógico ao leitor/consumidor. Não tenho conhecimento de causa suficiente na indústria para afirmar o porquê, mas neste artigo do CEO de uma editora, ele afirma que os custos físicos de impressão e distribuição dos livros impressos não representa uma fatia tão grande das despesas de produção de um livro como se poderia pensar. Segundo ele, a publicação de um e-book mantém as mesmas despesas associadas a um livro impresso (direitos de autor, traduções, revisões, design gráfico, marketing, despesas legais, etc, etc), com a adição de despesas consideráveis com a "produção digital" que referi acima, desenvolvimento dos ficheiros em termos de compatibilidade com os diversos modelos de e-readers, adição de tecnologia DRM e provavelmente mais. 
Há quem defenda que mesmo tendo em conta todas estas despesas, os e-books poderiam ser mais baratos, caso as distribuidoras e editoras baixassem a margem de lucro. Muita coisa se poderia dizer em relação aos lucros em e-books da gigante Amazon, por exemplo, mas isso fica para outra altura. Quer se acredite quer não nas explicações oficiais, a verdade é que, de modo geral, os e-books não são muito mais baratos (são algumas vezes mais caros) do que as suas versões impressas. 



3. Formatos e conversões.
Existem dezenas de formatos de e-books, optimizados para diferentes leitores e tipo de livros. As diferenças técnicas entre eles são extensas, mas pouco relevantes para o utilizador comum de e-readers, por isso vou referir-me apenas aos que considero mais importantes.




3.1. PDF. De modo geral, o formato PDF é o mais o conhecido, aquele com o qual a maioria de nós está mais familiarizado. Há anos utilizado para transportar e partilhar documentos, este formato não editável é de certa forma o menos interactivo e menos prático quando se trata de um livro. É ideal para documentos como artigos científicos e jornalísticos. Apesar do seu cariz estático não favorecer a leitura em e-readers, o facto de poder ser lido em quase todos os equipamentos móveis e computadores (incluindo o Kindle, Kobo e Nook) constitui uma enorme vantagem.

3.2. Mobi. Formato exclusivo do Kindle da Amazon (na verdade o formato Amazon engloba vários ficheiros e uma série de formatos que foram evoluindo desde os primeiros kindles, mas por comodidade e porque na verdade não faz diferença chamemos apenas .mobi)

3.3. EPub. Formato de e-books mais global e versátil actualmente. Com a excepção do Kindle da Amazon, (quase) todos os e-readers lêem formato .ePub.

3.4 Converter e-books. Tendo o software adequado, é virtualmente possível converter qualquer formato de e-book noutro. No entanto, para o leitor comum que pretende converter um livro para o seu leitor, os ficheiros deverão ter condições específicas para que a conversão resulte num livro aceitável. É, por exemplo, possível converter .pdf para .mobi, no entanto é provável que o livro fique desconfigurado, uma vez que são formatos muito diferentes e conteúdos organizados em princípios distintos. Uma maior probabilidade de sucesso surge na interconversão entre formatos .mobi e .epub, mais parecidos, e é algo que leitores pelo mundo fora fazem com facilidade.



Um dos programas mais utilizados para converter ebooks é o Calibre, mas é muito mais do que um conversor de e-books. Com o Calibre posso manter uma biblioteca sincronizada com o meu kindle, organizar os livros em colecções, adicionar e alterar os metadados dos livros, e muito mais. Existem plug-ins que adicionam funcionalidades ao software, nomeadamente mecanismos específicos de remoção de DRM que entram em cena quando nos surge isto:

(fonte)


4. DRM: O que é, implicações, como ultrapassar.

Digital Rights Management (Gestão de Direitos Digitais em português), vulgo DRM, esta tecnologia é controversa desde o início. Criada para controlar a cópia e distribuição de obras digitais após a sua compra, alguns defendem que a sua eficácia anti-pirataria é reduzida, ao mesmo tempo que constitui um atentado à livre circulação de conhecimento e propriedade intelectual. Todos nos lembramos, algures na década dos anos 2000, de quando passámos a não conseguir fazer cópias dos CDs de música que comprávamos ou dos jogos de PC emprestados pelos nossos amigos. A infame mensagem "This disk cannot be copied" chegou a causar-me crises de ansiedade por uns tempos, até eventualmente surgir uma solução obscura para adquirir o mesmo produto por outras vias.
Tem sido este o caminho dos sistemas de DRM, como quase tudo no mundo da internet, é ultrapassado, reinventado, até à seguinte quebra.

O que significa para os e-books? Basicamente, o mesmo que significa para qualquer obra digital comprada online, seja cinema, música ou livros. Actualmente, quase todos os livros vendidos online são portadores de tecnologia de DRM. As tecnologias variam, mas as implicações são gerais:

- A compra do e-book implica o seu envio para os dispositivos associados à conta, com um número limite de cópias/dispositivos;

- A cópia e/ou conversão para outro formato ou dispositivo estão bloqueadas (nada de emprestar livros aos amigos sem partilhar a própria conta);

- O distribuidor tem o poder e o direito legal de, a qualquer momento e quando o considerar justificável, aceder remotamente ao dispositivo e remover as obras adquiridas (já aconteceu o próprio dispositivo ser bloqueado ao utilizador, no mais-ou-menos recente caso Amazon-gate, e a Barnes & Noble reserva-se o direito de bloquear o acesso aos e-books se o cartão de crédito associado à conta caducar, mesmo tendo em conta que os livros já foram pagos);



(fonte)
Em suma, pode-se afirmar que ao comprar um livro com DRM, o livro não é efectivamente meu, pois pode ser-me retirado pelo vendedor a qualquer momento. Tecnicamente e conforme descrito nos seus termos e condições que ninguém lê, a Amazon nem sequer vende e-books, vende o acesso ao mesmo, e esse pode ser revogado. Mas mais uma vez, quando há vontade e talento, surgem soluções, e para combater esta noção tão estapafúrdia para criaturas que vivem do sentimento de posse de livros, a internet ajuda. 

Existem diversos tipos de DRM e, numa era de tecnologia sempre em mudança, (acho que) todos podem ser ultrapassados de alguma forma, se se souber como. Basta uma rápida pesquisa na internet para encontrar soluções acessíveis para o leitor que deseja partilhar um livro com um amigo ou simplesmente fazer uma cópia de segurança de uma obra pela qual pagou. 

Há quem diga que é uma questão de tempo até o DRM em e-books ser abandonado, e que seria uma medida positiva para a indústria, com vantagens para leitores, editoras e autores. A gigante editorial Tor anunciou no ano passado que todos os seus e-books seriam vendidos sem tecnologia DRM, e um ano depois, os resultados são positivos. Em Portugal, foram aprovados dois projectos de lei que se pretende que venham a constituir a base legal para permitir que utilizadores façam cópias dos seus conteúdos digitais, e impedir que livros em domínio público sejam protegidas por DRM.



Do outro lado da barricada, um instituto alemão está a desenvolver uma nova tecnologia de DRM que em vez de procurar impedir a cópia, altera activamente o conteúdo do texto (!) de cada vez que o ficheiro é copiado, de forma a poder rastrear o utilizador original, que partilhou a obra. Desta forma o utilizador pensará duas vezes antes de partilhar o ficheiro, com receio de ser identificado 


Pessoalmente, creio que irão surgir sempre formas de contornar as limitações de circulação de obras, e que de facto o livre acesso aos conteúdos digitais pode significar ganhos consideráveis para a indústria. Até lá, socorrer-nos-emos da internet quando for preciso. 



(Continuação aqui)

18/03/2013

A estante não faz o bibliófilo

Várias vezes nos últimos meses me apercebi de como a minha postura perante a aquisição de livros mudou no último ano, e o meu último post de aquisições deixou-me a reflectir sobre essa mudança. Não digo que gastasse fortunas em livrarias, até porque não teria como, mas quando comecei a trabalhar e a ganhar o meu próprio ordenado, e principalmente quando fui morar sozinha na minha própria casa, comecei a comprar livros a um ritmo muito superior ao meu ritmo de leitura, o que resultava num aumento constante da pilha de livros por ler. Até há um ano, fazia mais ou menos mensalmente pelo menos uma encomenda de livros online, Amazon, Book Depository, Fnac ou Saída de Emergência, poucas vezes comprava livros por impulso, mas aproveitava promoções e descontos quando estes surgiam e valiam a pena. Desde ofertas de livros na compra de outros, vales de desconto, promoções online, livros em segunda mão ou feiras do livro, aproveitava sempre que o valor compensava e o livro me interessava. Para ler de seguida ou mais tarde, fui enchendo a estante de livros lidos e para ler. 

Isso nunca me incomodou. Sempre olhei para a coisa como um investimento, além duma paixão. Como qualquer bibliófilo, nunca deixei de comprar um livro porque ainda tinha muitos para ler em casa (isso não faz sentido nenhum), e nunca achei que era altura de ter menos livros, pelo contrário. 
The Bookworm - Carl Spitzweg, 1850

Sempre soube que queria a minha casa cheia de livros, e que se não tivesse tempo para os ler todos, fariam sempre parte da minha biblioteca, disponível para amigos e família, e principalmente disponíveis em qualquer altura no futuro. Sempre soube que os meus livros me acompanhariam na minha vida e até a uma geração seguinte. 

Quando não os estava a ler, dava por mim simplesmente a olhar pasmada para as minhas estantes repletas e a pensar como as lombadas eram bonitas todas alinhadas, como os volumes das minhas sagas favoritas ficavam tão bem todos juntos e de como a sala seria tão mais triste sem livros. A sensação maravilhosa de orgulho parvo de alguém entrar em minha casa e exclamar com admiração "Uau! Tantos livros!"


Nunca vivi numa casa sem livros. Os meus pais sempre nos rodearam de livros e conhecimento enquanto crescíamos e continuei a rodear-me de livros na vida adulta. Aos 18 anos, deixei a terra natal e levei comigo os livros que eram apenas meus e não da casa (muito poucos, resultado de uma infância e adolescência passadas a ler e reler livros emprestados de amigos e bibliotecas). No Porto, mudei de casa inúmeras vezes e de cada vez etiquetei mais caixas com "livros" do que na vez anterior. Na minha última mudança, a mais drástica de todas, foi obviamente difícil separar-me da família, amigos e gatas, mas esteve tudo envolto no véu do entusiasmo com os preparativos e preparações nos meses anteriores. Foi quando a minha avó me ajudava a empacotar os meus mais de 400 livros que de repente se tornou real: estava a deixar a minha casa para trás. 

Apercebi-me subitamente que os livros sempre me deram a familiar sensação de estar em casa. Levei os meus livros juntamente com as minhas gatinhas para a casa dos meus pais, por isso posso literalmente dizer "Home is where your books are". 


Passei disto:
(fotos péssimas tiras à pressa e sem luz!)











Para isto:
(incluindo livros do namorado)








Depois da separação física que acabei de dramatizar aqui, tenho de admitir que já não consigo comprar livros com a mesma leveza com que o fazia antes. Numa altura em que muita gente deixa de comprar livros por razões de orçamento, eu tenho as condições mas tenho outras reticências. 

Estou numa casa diferente, num país diferente, e sabendo que estarei por aqui por agora, também sei que não vou ficar aqui para sempre. Tenho o meu Kindle maravilhoso e adorado, que me facilita a vida de leitora desterrada como nunca imaginei, mesmo quando choramingava que o queria. Por cada livro que compro surgem-me as questões: "Vou poder levar-te comigo se decidir mudar outra vez?", "Vou ter de te deixar para trás?", "Cabes na bagagem de mão?", "Vou-te levar se tiver de escolher entre ti e a máquina de café?". 

Como não sei como responder a estas perguntas, a maioria das vezes decido não comprar. Ainda assim, sempre que vou a casa tento trazer pelo menos um livro, dando preferência a livros em português. Ao longo de um ano e ultrapassando as limitações de peso e dimensões de bagagem das companhias aéreas (por vezes com batota descarada), alguns dos livros "arquivados" foram regressando ao regaço de sua dona. 


Se por um lado não posso encher-me de livros dos quais posso ter de me desfazer, por outro já não preciso de ter livros, de os possuir fisicamente e sempre mais. Cada nova compra é um misto de vontade de o ler, preço e oportunidade, e também de recordação. Compro livros de autores favoritos, em locais especiais, quando me fazem pensar em alguém. Sinto-me triste por não ter a minha biblioteca comigo (por vezes sinto saudades dos meus livros, sim, isso mesmo, agora pensem o que quiserem!),mas ao mesmo tempo sinto que evoluí no meu percurso de leitora. Já não preciso (tanto) do conforto físico dos livros para saber que os adoro. Não preciso de ter uma biblioteca enorme para ser uma bibliófila. 


A minha biblioteca viajou de volta para a terra natal, desta vez sem mim. Eu continuo a fazê-la crescer do outro lado da fronteira, e qualquer dia junto as estantes outra vez.

12/02/2013

O vício das sagas

Sagas... Amamo-las e odiamo-las.
Quando vi no vídeo piloto do Só Ler Não Basta a Telma a dizer algo do género "tenho sagas para a vida toda", a minha primeira reacção foi a vontade de rir pelo tom com que o disse, e por me identificar tanto com essa declaração. Depois fiquei séria. Tenho mesmo séries para a vida toda? Há relativamente pouco tempo comecei a marcar no Goodreads os livros com a estante "series", onde já tenho cerca de 200, sem nunca ter chegado a fazer triagem de todos os livros que poderia adicionar a essa saga. Resolvi ir ver quantas sagas tenho nas minhas estantes e descobrir se estou afogada em sagas.

Já sabia que deviam ser bastantes. Como qualquer fã de fantasia saberá mais que bem, este é um género literário muito dado a histórias de arco prolongado. Quer seja uma sequência de livros dependentes do anterior ou com arcos independentes a cada volume, arriscaria dizer que para estes autores, as suas histórias combinam com o formato de saga como pão quente combina com manteiga.

Tal como muitos bibliófilos, no meio de tantas sagas de fantasia, já por várias vezes dei por mim a desejar ler somente um stand-alone, para variar. Cansada de histórias longas, de livros sem final, de ter sempre que comprar o próximo volume, de ter de esperar (e às vezes desesperar) para poder comprar o próximo volume, finalmente começar a leitura e com desalento constatar que detalhes essenciais para a compreensão deste recente volume se perderam algures na memória desde a leitura do anterior... Outro factor negativo: o aumento exponencial da pilha de livros para ler que representam as sagas: basta ler um, para adicionar três, ou quatro, dez! (ou mais) à lista de desejos. De tudo isto é feito o grito de guerra "estou farto de sagas!" que ocasionalmente se ouve nas redondezas de um bibliófilo, e constitui a razão pela qual as odiamos.

Mas o bibliófilo é feito de contradição, e ficar desesperado por ler o livro seguinte não significa que o livro em mãos não tenha sido viciante. De alguma forma ainda torna o vício pior. Personagens deixadas em suspenso no último capítulo, arcos complexos e densos que necessitam de centenas de páginas para serem explorados, aventuras independentes a cada novo livro. E principalmente, a maravilhosa sensação de termos mais um livro através do qual poderemos acompanhar aquelas personagens queridas e aquela história apaixonante. Mais outro, e outro, e outro. Querer que a história nunca acabe, desejar conseguir prolongar a leitura mas ao mesmo tempo saber que podemos acabar o livro, porque a continuação está à espera na estante. E é por tudo isto que amamos sagas.

Entre sagas lidas e terminadas, incompletas e que quero iniciar (com base no Goodreads que por sua vez está sujeito a falhas de memória da minha parte), efectuei o meu inventário de séries. Se livros fossem considerados bens monetários, era este o momento em que contratava um contabilista. 

Considerei "saga" um conjunto de livros que, quer tenham uma sequência de leitura obrigatória ou não, estão de alguma forma ligados cronologicamente pelos autores. Isso inclui livros prequelas, sequelas e complementos cronologicamente sequenciais, cuja compreensão total da história pressupõe a leitura dos livros anteriores. 
Em nome da minha saúde mental e do tamanho deste post, não incluí short-stories, novelas, contos ou pequenas histórias que frequentemente são publicadas no mesmo universo das sagas, antes, depois ou entre volumes; apenas volumes "a sério"! Pela mesma razão, mas ainda mais importante nos resultados, incluí "sagas que quero mesmo ler, mas não sei quando" (como a série Dark Tower de Stephen King, 7 livros), mas deixei de fora as que "gostava, eventualmente, de ler, mas não sei quando" (como a saga Malazan Book of the Fallen de Steven Erikson, 10 livros) . Percebem a diferença, certo? É tudo uma questão de prioridades e realismo. Igualmente, considerei sagas lidas aquelas em que já li todos os volumes publicados, mesmo que o autor ainda não tenha terminado a série, e seja tecnicamente uma saga a ser lida. Comecei por enumerar e contabilizar as sagas lidas, a ler e ainda por iniciar. De seguida veio a contabilização do número de livros em cada uma das sagas, e do número de páginas de cada livro. Recorrendo a ferramentas básicas e dotes rudimentares, compilei os resultados, e os números finais revelaram-se impressionantes.

Detalhes técnicos finalizados, e com a ressalva de podem surgir alguns erros algures, eis a minha contabilidade de sagas.







       




A minha primeira reacção foi: fiz mal as contas. Como será possível 61 sagas, 246 livros, mais de 100 mil páginas?

Mas não, está correcto. O Excel e o Goodreads não enganam, e qualquer erro pecará por defeito. 

Estes números totais, sendo impressionantes, não são completamente assustadores, se vistos como um todo, certo? Afinal, é uma massa de livros que já li e quero ler, e pilhas de livros para ler e estantes cheias de livros temos todos, certo?

Então comecei a fazer a contabilidade, não apenas como um todo, mas por categorias, e fiquei ainda mais impressionada! Tenho muito mais sagas por ler do que as que já terminei! Este resultado surpreendeu-me imenso. Tinha a sensação que, com todos os livros que li, e com a minha fixação por sagas, já tinha terminado mais do que 13 sagas. O resultado foi desanimador, especialmente comparando a pequena pilha de livros Lidas com as irmãs mais crescidas, A ler e Quero ler.

Provavelmente o meu sentimento enganador de que já li muito mais sagas do que o que realmente li vem do facto de ter imensas ainda em leitura. Uma assustadora quantidade de 28 (!!!) sagas que estou actualmente a ler. Quer tencione continuá-las num futuro próximo ou não, a verdade é que as comecei (sagas que iniciei e não tenciono, de todo, continuar não foram contabilizadas). Quanto às sagas que ainda nem comecei e que quero ler, bastou verificar que o seu número é quase o dobro das que já li até hoje, para me assustar. Como assim só li 13 e quero ler 20? Se em 26 anos de vida só li 13, quanto tenho de viver para ler todas?

Esta linha de raciocínio levou-me à analise seguinte: Tempo. Quanto tempo levarei a ler todas as minhas sagas? Fiz os cálculos em função de duas velocidades de leitura: o meu ritmo de 2012 - 32 livros por ano - e o que pretendo que seja o meu ritmo em 2013 - 40 livros por ano. Seguindo estes valores,  as séries que já iniciei representam uns meros 3 a 4 anos de leitura futura, e mais 2 a 2,5 anos constituem aquelas sagas que ainda nem sequer comecei.

Assumindo que deste momento em diante apenas lerei sagas, que não adiciono mais nenhuma saga à lista, e adoptando o ritmo de leitura mais realista (2012), demorarei seis anos e meio a ler todas as sagas que já iniciei e quero iniciar. Se a este tempo juntar as sagas que já li (assumindo também o ritmo de 2012 para as sagas lidas), terei passado 8 anos e meio da minha vida a ler sagas.

Voltando ao início deste post... Sim, acho que definitivamente estou afogada em sagas. 
Vemo-nos em 2018.