Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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03/09/2013

Letters from Skye

Autora: Jessica Brockmole

Publicado por: Ballantine Books (Julho 2013)

Nº de páginas: 304

Sinopse: A sweeping story told in letters, spanning two continents and two world wars, Jessica Brockmole’s atmospheric debut novel captures the indelible ways that people fall in love, and celebrates the power of the written word to stir the heart.

March 1912: Twenty-four-year-old Elspeth Dunn, a published poet, has never seen the world beyond her home on Scotland’s remote Isle of Skye. So she is astonished when her first fan letter arrives, from a college student, David Graham, in far-away America. As the two strike up a correspondence—sharing their favorite books, wildest hopes, and deepest secrets—their exchanges blossom into friendship, and eventually into love. But as World War I engulfs Europe and David volunteers as an ambulance driver on the Western front, Elspeth can only wait for him on Skye, hoping he’ll survive.
June 1940: At the start of World War II, Elspeth’s daughter, Margaret, has fallen for a pilot in the Royal Air Force. Her mother warns her against seeking love in wartime, an admonition Margaret doesn’t understand. Then, after a bomb rocks Elspeth’s house, and letters that were hidden in a wall come raining down, Elspeth disappears. Only a single letter remains as a clue to Elspeth’s whereabouts. As Margaret sets out to discover where her mother has gone, she must also face the truth of what happened to her family long ago.


Opinião: A história divide-se entre duas linhas temporais distintas, contada pelas cartas trocadas entre duas gerações de mulheres cujas vidas foram interrompidas pela guerra. Começamos por conhecer Elspeth, uma poeta escocesa que vive e sempre viveu na isolada Ilha de Skye, no norte da Escócia, e David, um jovem e boémio estudante universitário norte-americano. A distância de dois mundos entre estas duas pessoas torna-se insignificante em cada volta do correio, em cartas onde partilham autores e livros favoritos, confidências e sonhos pessoais, numa troca de correspondência que se mantém, mesmo no auge da Primeira Guerra Mundial. Em correspondência datada de algumas décadas mais tarde, em plena Segunda Guerra Mundial, conhecemos Margaret, filha de Elspeth, que acaba se de apaixonar por um piloto da Força Aérea Britânica, e que não entende a reticência da mãe em aprovar um romance nascido no seio de uma guerra. 

Este livro chegou-me electronicamente às mãos, totalmente por acaso. Estava a pesquisar títulos de livros no catálogo do NetGalley, quando o nome Skye me chamou a atenção, e fiz o pedido para me ser enviada uma cópia do e-book antes da publicação do livro. Não sabia absolutamente nada acerca do enredo do livro, uma vez que apenas li a sinopse até ao ponto em que me confirmou que a história envolvia de facto a minha ilha escocesa favorita (a única que visitei, sejamos honestos). Dois meses depois, passeando pelo Goodreads em busca da minha leitura seguinte, verifiquei que a minha adorada Juliet Marillier tinha gostado do livro, e comparava-o a um outro que eu própria adorei: A Sociedade Literária da Tarde da Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer and Annie Barrows. 

Portanto, além da aprovação da minha querida Juliet, este livro continha elementos-chave para mim: romance epistolar, período histórico da Segunda Guerra Mundial, e Escócia. Como não gostar? E a verdade é que gostei. Fui cativada imediatamente pela primeira carta de David, e assim continuei até à última de todas, que quase me fez chorar. Com os mesmos remetente e destinatário, essas duas cartas, separadas por décadas e vidas inteiras, não podiam ser mais diferentes. Entre estas duas cartas há uma belíssima história de amizade, destino e sentimentos profundos que surgem como se sempre estivessem lá estado. Há cartas divertidas e cartas sérias, que relatam felicidade e guerra, e cartas mundanas de rotinas e novidades, e mesmo no meio de desgraças um tom espirituoso que me fez sorrir. 

Em todas as cartas há uma voz particular da personagem que a escreve. Quantas vezes saltei o cabeçalho com data e local, ansiosa por chegar ao texto, e sabia de imediato de quem e para quem era a carta, quase como se fosse um filme e ouvisse a voz do actor a ler a carta em voz alta, e visse a imagem do destinatário a lê-la.

A dada altura na leitura achei que a história se ia focar unicamente no lado romântico, e fui agradavelmente surpreendida com uma complexidade inesperada na narrativa, com dilemas e situações envolvendo outras personagens secundárias, e até um pouco de mistério, à medida que Margaret se esforça por entender o passado e a origem das cartas da mãe. 

Este não é um livro brilhante nem uma história extraordinária. Nem sequer tem no tema ou no cenário algo de particularmente original. No entanto, algo neste livro é genuíno e tocante, e está escrito duma forma cativante, que demonstra o talento da autora para nos fazer gostar das personagens que estamos a seguir. O facto de lermos a sua correspondência e nada mais, sem outro narrador que não as cartas que estas personagens enviaram, permite-nos seguir esta história quase em suspenso, como se ansiássemos também nós pela carta seguinte, com o desenrolar dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, as cartas estão realisticamente escritas, o que implica por vezes a menção de acontecimentos passados entre as personagens, que não sendo descritos nas cartas entre ambos, deixam o leitor ansioso por descobrir o como e o porquê.  

Achei o tom das cartas simplesmente delicioso, e senti saudades dum tempo em que seres humanos comunicavam desta forma entre si. Se tivesse nascido nesse tempo seria algum dia capaz de escrever cartas tão espirituosas e marcantes? Manter uma correspondência tão frequente e sólida? Dificilmente. Porque afinal de contas trata-se de um livro de ficção, e tal como qualquer bom livro que se preze, quase nos faz desejar que as suas personagens sejam verdadeiras e a sua história seja real. 

Ideal para quem gosta de romances epistolares, mas não só, este foi uma leitura que me deu bastante gozo e que fico contente por tão casualmente a ter descoberto. 

O melhor: A personagem de Elspeth e a busca de Margaret.

O pior: A personagem do noivo de Margaret, sub desenvolvida, como se apenas para criar um destinatário para as suas cartas.


4/5 - Gostei bastante


30/08/2013

The Ocean at the End of the Lane

Autor: Neil Gaiman

Publicado por: Headline Review (2013)

Nº de páginas: 248

Sinopse: THE OCEAN AT THE END OF THE LANE is a fable that reshapes modern fantasy: moving, terrifying and elegiac - as pure as a dream, as delicate as a butterfly's wing, as dangerous as a knife in the dark, from storytelling genius Neil Gaiman. 

It began for our narrator forty years ago when the family lodger stole their car and committed suicide in it, stirring up ancient powers best left undisturbed. Dark creatures from beyond the world are on the loose, and it will take everything our narrator has just to stay alive: there is primal horror here, and menace unleashed - within his family and from the forces that have gathered to destroy it. 

His only defense is three women, on a farm at the end of the lane. The youngest of them claims that her duckpond is ocean. The oldest can remember the Big Bang.

Opinião: Este é daqueles livros acerca dos quais me é difícil escrever uma opinião. Primeiro surge o meu historial Neil Gaiman:

- Dois livros do autor lidos (Deuses Americanos e A Estranha Vida de Nobody Owens), ambos com pontos muito positivos a salientar mas sem me terem deixado realmente fã; 
- Devoção ao autor da parte de amigos e colegas bibliófilos;
- Uma simpatia pessoal muito grande pelo autor e pela sua postura online (nomeadamente no twitter) e offline, em particular em relação aos fãs e tudo relacionado com livros no geral.

Depois surge o historial que incentivo à leitura deste The Ocean at the End of the Lane:

- Um inacreditável hype em redor do livro e do autor semanas antes e depois da publicação;
- Opiniões de pessoas maravilhadas com o livro;
- Capa bonita! (também conta, e foi o que me fez comprar o hardcover em Londres quando o vi ao vivo)

Feita esta contextualização, espero que compreendam melhor quando digo que este era um livro que eu adorava ter adorado. Pelo autor em si, pela simpatia que lhe tenho, e todo o reconhecimento que tem, Neil Gaiman é um autor do qual eu quero (desesperadamente) gostar, mas que de alguma forma fico sempre um furo abaixo de conseguir. 

The Ocean at the End of the Lane é um livro pequeno que foi lido rapidamente (principalmente para o meu ritmo preguiçoso de Verão e sol), devido quer ao ritmo ao qual os acontecimentos se sucedem, quer à prosa do autor, da qual gostei bastante. Tendo em conta o ponto de vista de um menino, era muito fácil falhar no tom da narrativa, no entanto Neil Gaiman conseguiu tornar a sua voz cativante e inocente, sem ser demasiado infantil. Gaiman é, afinal de contas, um autor de muitas obras infantis de sucesso. 

Foi por isso uma surpresa (ou não), quando ao chegar ao fim deste livro me encontrei perdida. A verdade é que não sabia se tinha gostado ou não. Sim, vi-me envolvida na história enquanto a lia, mas nada dela ficou em mim depois de ter terminado o livro. Apesar de reconhecer que está bem escrito (o tom nostálgico do livro é palpável e sem dúvida intencional), nem personagens, nem história, nem escrita me marcaram particularmente. Este é mais um livro de Neil Gaiman que eu tenho de admitir ter pontos bastantes positivos e um conceito interessante, mas que simplesmente não é para mim. 

Apesar de admitir que os seus livros não me cativam sobremaneira, não ouso afirmar que é um mau escritor. Ainda que não me sinta particularmente cativada, tenho a sensibilidade suficiente para perceber que escreve de forma fantástica e domina completamente a prosa que lhe sai das mãos. Todo o aclamado "génio do autor", que identifiquei em livros anteriores, não resulta comigo. Ou ainda não li o livro certo. Como sou teimosa e como já disse, tenho uma simpatia por este autor, vou continuar a tentar. Faço uma nota mental que a escrita do autor em si me agrada mais de livro para livro (o primeiro foi lido em português, o segundo metade tradução, metade original, e o terceiro no original), portanto no futuro manter-me-ei pelas versões originais.

Assim sendo, não recomendo nem deixo de recomendar este livro. Recomendo sim, que o leitor curioso faça o seu próprio juízo desta obra e deste autor, e espero honestamente que resulte com outros leitores como não resultou comigo. 

O melhor: A escrita que transparece a nostalgia e melancolia, de um adulto que recorda a sua infância como uma parte da sua vida que não pode recuperar. As mulheres Hempstock. 

O pior: Falta de empatia com personagens e história. 


2/5 - Está OK. 


29/04/2013

Memoirs of a Geisha


Autor: Arthur Golden

Nº de páginas: 512

Primeira edição: Knopf, 1997

Sinopse: In Memoirs of a Geisha, we enter a world where appearances are paramount; where a girl's virginity is auctioned to the highest bidder; where women are trained to beguile the most powerful men; and where love is scorned as illusion. It is a unique and triumphant work of fiction—at once romantic, erotic, suspenseful—and completely unforgettable.




Opinião: Este é um daqueles livros cuja edição portuguesa tinha na minha estante, literalmente, há anos à espera de vez. Daqueles cuja leitura vamos adiando sem nenhuma razão em particular e que quando finalmente o lemos nos perguntamos como pode o nosso julgamento ser tão fraco, quando se trata de escolher umas leituras em detrimento de outras. 

A própria capa do livro, nas edições posteriores ao filme de 2005, sempre me atraiu na sua simplicidade e beleza, as opiniões no geral eram positivas, e no entanto só recentemente decidi ler este livro.

Memoirs of a Geisha é uma obra de ficção escrita na forma de memórias, contadas na primeira pessoa, de uma mulher que viveu o auge da cultura das Geisha japonesas, e também o seu declínio pós e durante a Segunda Guerra Mundial. Chiyo Sakamoto, a menina de invulgares olhos cinzentos que conhecemos no início do livro, é tão diferente da geisha Sayuri Nitta que narra a história, que quando esta inadvertidamente revela a sua origem humilde algures na história, o deslize é tomado por gracejo. Chiyo e a irmã Satsu são levadas da sua aldeia piscatória natal e os seus caminhos divergem quando Chiyo é vendida a um okiya (casa de residência e formação de geishas) de Gion, um importante distrito de geishas de Kyoto.

Nem sempre o facto da história ser contada na primeira pessoa significa que o leitor crie afinidade com a personagem principal, ou sequer a considere interessante. Neste caso, a história contada por esta narradora cativou-me desde as primeiras páginas, e a ligação à personagem principal e ao seu destino foi imediata. O autor constrói imagens com palavras, usando a voz narrativa de Sayuri, que conquista o leitor desde o início com as suas metáforas simples e inteligentes. As fantásticas descrições do ambiente, cerimónias, danças e costumes japoneses, e particularmente, da cultura geisha transportam-nos de forma brilhante para a história e para este (para mim) estranho e misterioso mundo de mulheres, mas dominado por homens. Fiquei maravilhada com as descrições dos belíssimos kimonos usados por estas mulheres, e fascinada pelos diferentes conceitos de beleza e erotismo retratados neste contexto cultural. Divertiu-me e fez-me reflectir no cruzamento de culturas com os soldados e cidadãos norte-americanos, do ponto de vista da cordial cultura japonesa, no decorrer da guerra. 

Seguimos a vida de Sayuri ao longo do intenso e duro treino para se tornar uma geisha, das particularidades do entretenimento dos homens e da posição relativa das mulheres numa micro-sociedade competitiva. Talvez o melhor elogio que posso fazer é ter dado por mim a pensar que nesta personagem como real e inegável, apesar de saber bem que é fictícia (apesar de baseada numa geisha real). 

Este livro faz parte da lista de 1001 Livros Para ler Antes de Morrer, e foi nessa categoria que entrou no meu Book Bingo, mas recomendo-o a qualquer pessoa, principalmente as que apreciam a cultura japonesa. É de facto uma leitura memorável.


O melhor: As descrições dos kimonos, cerimónias e ambiente em geral. A personagem de Sayuri.

O pior: Um twist um pouco repentino antes do final, sem no entanto prejudicar a conclusão.


4/5 - Gostei bastante

24/02/2013

Gone Girl

Autora: Gillian Flynn

Nº Páginas: 560

Primeira edição: Crown, 2011

Sinopse: Marriage can be a real killer.
On a warm summer morning in North Carthage, Missouri, it is Nick and Amy Dunne’s fifth wedding anniversary. Presents are being wrapped and reservations are being made when Nick’s clever and beautiful wife disappears from their rented McMansion on the Mississippi River. Husband-of-the-Year Nick isn’t doing himself any favors with cringe-worthy daydreams about the slope and shape of his wife’s head, but passages from Amy's diary reveal the alpha-girl perfectionist could have put anyone dangerously on edge. Under mounting pressure from the police and the media—as well as Amy’s fiercely doting parents—the town golden boy parades an endless series of lies, deceits, and inappropriate behavior. Nick is oddly evasive, and he’s definitely bitter—but is he really a killer?

As the cops close in, every couple in town is soon wondering how well they know the one that they love. With his twin sister, Margo, at his side, Nick stands by his innocence. Trouble is, if Nick didn’t do it, where is that beautiful wife? And what was in that silvery gift box hidden in the back of her bedroom closet?

With her razor-sharp writing and trademark psychological insight, Gillian Flynn delivers a fast-paced, devilishly dark, and ingeniously plotted thriller that confirms her status as one of the hottest writers around.


Opinião: Este livro chamou-me à atenção pela primeira vez no Goodreads pelas classificações positivas, tendo inclusive sido o livro com mais votações na categoria de Thriller/Mistery nos Prémios Goodreads de 2012, e acompanhei os updates da leitura da Célia, que foram (para variar) o empurrão decisivo para começar a ler. 
A premissa pareceu-me interessante, e prometedora: no aniversário de casamento de Amy e Nick, a mulher desaparece e o marido torna-se imediatamente o foco dos olhares do público e da polícia. Tratei de me manter completamente às escuras em relação à história até finalmente começar a ler. Este início tão clássico em histórias de mistério não foi propriamente o que me atraiu, mas sim a sensação que esta história teria necessariamente de ser mais do que isto. 

E não me desiludi. O livro está escrito numa estrutura que nunca muda ao longo de toda a história: capítulos intercalando o ponto de vista dos dois protagonistas, Nick e Amy. Os capítulos de Nick relatam os desenvolvimentos no momento presente, desde o desaparecimento de Amy, que por sua vez nos surge na história na forma de relatos de um diário. A maneira fabulosa como a autora começou por apresentar a dinâmica deste casal cativou-me imediatamente. Conhecemos as suas vidas do ponto de vista de ambos, alternadamente, cada capítulo passado num ponto temporal diferente, mas evocando a história do casal, por memórias no caso de Nick, por descrições do diário, no caso de Amy. Vemos, por exemplo, como um qualquer acontecimento das suas vidas teve uma percepção diferente da parte da cada um deles. 

Sem querer revelar demasiado da história, porque acho que aqui o factor surpresa é determinante, queria apenas elogiar a capacidade da autora de me enganar e surpreender por diversas vezes. Comecei o livro pensando que a história era sobre algo, chegando a meio senti que afinal o livro era em tudo diferente do que pensava, e ainda assim consegui ficar embasbacada de surpresa e ultraje antes do final da história. 

Apesar da estrutura de capítulos de pontos de vista diferentes - por vezes bastante curtos e sempre com um acontecimento ou revelação determinantes em foco - fazer deste livro um verdadeiro page-turner, para mim o ponto forte do livro é sem dúvida as personagens, muito bem construídas psicologicamente. A autora faz um retrato impressionante da normalidade (e anormalidade) das relações, das aparências e de como factores como desemprego e pressões familiares e sociais podem interferir nas mesmas. Fez-me reflectir também sobre como a forma como somos educados afecta a nossa personalidade e as pessoas em que nos tornamos quando crescemos, e principalmente como nos relacionamos com os outros. Deixou-me também a pensar sobre uma série de coisas sobre a natureza humana, mas sobre isso não vou falar, só lendo saberão ao que me refiro.

Não digo que este Gone Girl seja o livro do ano, mas foi sem dúvida uma leitura surpreendente e que me deu imenso gozo. Recomendo vivamente e fiquei com vontade de ler mais coisas da autora.


O melhor: A caracterização das personagens e os (vários) momentos "wtf?!"

O pior: Achei que o crescimento da narrativa merecia um final mais gritante, mas foi surpreendente à sua maneira.


4/5 - Gostei bastante.

01/02/2013

A Series of Unfortunate Events #1-3

Autor: Lemony Snickets (Pseudónimo de Daniel Handler)
Série: A Series of Unfortunate Events
Editora: Harper Collins
Edição: Áudio-book 
Publicação original: 1999-2000

 The Bad Beginning (#1)

Sinopse: I'm sorry to say that the book you are holding in your hands is extremely unpleasant. It tells an unhappy tale about three very unlucky children. Even though they are charming and clever, the Baudelaire siblings lead lives filled with misery and woe. From the very first page of this book when the children are at the beach and receive terrible news, continuing on through the entire story, disaster lurks at their heels. One might say they are magnets for misfortune. 


In this short book alone, the three youngsters encounter a greedy and repulsive villain, itchy clothing, a disastrous fire, a plot to steal their fortune, and cold porridge for breakfast.

It is my sad duty to write down these unpleasant tales, but there is nothing stopping you from putting this book down at once and reading something happy, if you prefer that sort of thing. 

With all due respect, 

Lemony Snicket

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The Reptile Room (#2) 

Sinopse: After narrowly escaping the menacing clutches of the dastardly Count Olaf, the three Baudelaire orphans are taken in by a kindly herpetologist with whom they live happily for an all-too-brief time.

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The Wide Room (#3)

Sinopse: If you have not read anything about the Baudelaire orphans, then before you read even one more sentence, you should know this: Violet, Klaus, and Sunny are kindhearted and quick-witted, but their lives, I am sorry to say, are filled with bad luck and misery. All of the stories about these three children are unhappy and wretched, and this one may be the worst of them all.If you haven't got the stomach for a story that includes a hurricane, a signalling device, hungry leeches, cold cucumber soup, a horrible villain, and a doll named Pretty Penny, then this book will probably fill you with despair.I will continue to record these tragic tales, for that is what I do. You, however, should decide for yourself whether you can possibly endure this miserable story.


With all due respect,

Lemony Snicket


Opinião: Esta longa série é constituída por 13 curtos livros, cada um dos quais contando as trágicas desventuras dos órfãos Baudelaire. Por serem livros bastante curtos e episódicos, decidi agregar a opinião dos três primeiros, e fazer o mesmo com os restantes volumes à medida que avançar na saga. 

Travei conhecimento com esta saga através do filme de 2004, que adapta os 3 primeiros livros da saga, Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events, com Jim Carey no papel do vilão Count Olaf e Jude Law como Lemony Snickets, o narrador da história. Na altura gostei bastante, quer das personagens e do enredo catastrófico, quer do ar gótico-depressivo da história, salpicada com laivos de humor. Já conhecendo a história dos três primeiros volumes, esses elementos continuam a ser os que mais me cativam nestes livros infanto-juvenis. 

Em cada livro, começamos por entrar na história pela voz do narrador, Lemony Snicket, que avisa imediatamente o leitor de que está na posse de um livro cheio de desgraças, sofrimento e desespero. O próprio autor é uma personagem (Lemony Snicket é o pseudónimo de Daniel Handler) que conta a história dos órfãos Baudelaire - Violet, Klaus e a bebé Sunny - após a perda dos pais num grande incêndio na sua casa. Lamentavelmente, os órfãos não têm familiares próximos, e a responsabilidade em encontrar um guardião para  as crianças está a cargo do gestor da fortuna dos Baudelaire, o bancário Mr. Poe. 

Todos os irmãos são especiais, inteligentes e brilhantes à sua maneira. Violet é a irmã mais velha, uma inventora, adora mecânica e afins. Quando ata o cabelo num rabo de cavalo sabemos que está a concentrar-se para inventar alguma coisa. Klaus, o prodígio das palavras, memoriza tudo o que lê, e não é pouco, e pode-se sempre contar com ele para definir o significado de uma palavra difícil. Sunny, a bebé adorável, exprime-se por monossílabos de linguagem de bebé que só os irmãos entendem. Adora morder coisas, e os seus dentes afiados são a sua arma não secreta. Bibliotecas são as coisas favoritas dos Baudelaire.

No primeiro livro, The Bad Beginning, a sua primeira escolha revela-se desastrosa, sendo os órfãos entregues à guarda do maléfico Count Olaf, cujo único objectivo é deitar as mãos à fortuna dos órfãos, sem ter qualquer problema em maltratar as crianças e cometer outros crimes horríveis. Desse ponto em diante, os órfãos Baudelaire vêem-se perseguidos por esquemas mirabolantes, personalidades inventadas por Count Olaf para enganar o tuberculoso Mr. Poe de forma a ganhar mais uma vez a custódia (e o acesso à fortuna) dos Baudelaire. No segundo, The Reptile Room, os  órfãos são postos ao cuidado do excêntrico Uncle Monty, que possui uma sala repleta de répteis do mundo inteiro, uma biblioteca sobre répteis e que pretende levar os irmãos numa excitante excursão ao Peru. No terceiro livro, The Wide Window, Violet, Klaus e Sunny são deixados ao cuidado de uma tia distante. Aunt Josephine, uma viúva que vive numa casa sobre o lago Lacrymose, que tem medo de tudo (especialmente do lago), menos de gramática, e possui uma extensa biblioteca constituída unicamente por livros de gramática inglesa.

Adoro o tom destes livros, a maneira como a narração decorre, intercalando a angústia dos órfãos com saídas de humor negro por vezes hilariantes. Os três irmãos são personagens adoráveis com as quais é muito fácil criar empatia. Acho especialmente piada às inúmeras referências literárias e trocadilhos ao longo dos três livros, começando com os nomes das várias personagens e locais. 
Segundo li, estes livros foram criticados em diversos contextos, pelo conteúdo catastrófico e pelas diversas coisas que acontecem às personagens, especialmente tratando-se de livros infantis. Os livros estão classificados para maiores de 9/10 anos, e creio que se trata de uma classificação adequada. As crianças por vezes têm uma maior capacidade de entender histórias "pesadas" do que o que lhes damos crédito.

Quanto ao audiobook em si, estou a adorar a narração. Os 1º e 2º livros são narrados pelo actor Tim Curry, com a excepção da introdução por Lemony Snicket, narrada pelo próprio autor. No entanto, o livro 3 é narrado na íntegra pelo autor, e apesar da mudança de me ter feito alguma confusão no início, rapidamente me habituei, e gosto das duas vozes. Enquanto que a edição em papel destes livros inclui ilustrações que obviamente se perdem na versão áudio, o audio-book tem interlúdios musicais no início e final de cada livro.

Como já referi, oiço audiobooks quando vou pela rua a caminhar ou ando por casa a fazer tarefas (cozinhar, passar a ferro, arrumar  e limpar a casa, etc. Gosto especialmente de ouvir livros quando estou a fazer bolos, não me perguntem porquê), actividades essas que podem ser mais ou menos regulares, e requerer mais ou menos concentração e multitasking da minha parte. Por essa razão, nem todos os livros são os mais adequados, para mim, para o formato de audiobooks. Estes Series of Unfortunate Events pertencem ao perfeito tipo de livro para eu ouvir em audiobook: curto, fácil de retomar o fio à meada mesmo passados vários dias desde a última paragem, história leve com narrador espirituoso e volumes episódicos mais ou menos independentes. É uma excelente maneira de aproveitar tempo em que não posso estar a ler. 

Estes livros são uma boa leitura para quem procura algo leve e divertido. Classifiquei os três volumes da mesma forma e considero que são bastante semelhantes em termos de conceito e narrativa. Estou curiosa para ver se se tornam demasiado repetitivos até ao 13 volume. 

O melhor: As personagens e o humor negro.

O pior: A narrativa dos 3 livros é quase igual.

4/5 - Gostei bastante