Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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16/07/2013

Top Ten Tuesday - 10 Autores que Merecem Mais Reconhecimento


Rubrica Top Ten Tuesday, originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish.

O tema desta semana é Autores que merecem mais reconhecimento. É sempre relativo falar de reconhecimento de um autor. Falamos de crítica especializada? Popularidade no meio? Vendas de livros? Nomeadamente nos géneros de fantasia e ficção científica, um autor pode ser bastante reconhecido nesse nicho, ser premiado, mas ser completamente desconhecido do público em geral. Por outro lado, há autores que se tornam bastante populares e publicam best-sellers, mas permanecem afastados dos prémios literários e pouco valorizados pela crítica. Neste top, vou considerar meramente autores que considero bons autores, e que sinto que são pouco conhecidos fora do meu círculo pessoal de bibliófilos e bloggers. Basicamente aqueles autores que eu não consigo parar de recomendar, e/ou desencadeiam em mim a reacção "como assim, nunca ouviste falar deste autor?!".


1. Guy Gavriel Kay. Considero um autor fantástico, apesar de, e com vergonha, apenas ter lido um livro seu (por favor não me tirem o Cartão de Fã). Os Leões de Al-Rassan tornou-se um dos meus livros favoritos de sempre, por aliar elementos como ficção histórica ao mais alto nível, fantasia, excelente enredo, personagens apaixonantes e uma prosa fantástica. Apesar de ser bastante conhecido nos EUA e no Canadá (o seu país natal), não posso deixar de recomendar este que considero um dos autores mais underrated da actualidade.




2. Juliet Marillier. Alguém que frequente este blog só de vez em quando já se apercebeu da minha adoração por aquela que é a minha autora mais querida. Apesar de começar a ser mais conhecida em Portugal e não só, devido aos seus últimos livros YA, fico sempre frustrada por este aumento de popularidade se dever mais a uma moda literária actual do que às suas obras maravilhosas publicadas anteriormente. O seu nome é bastante conhecido dentro de alguns círculos, mas sonho com o dia em que esta adorada mestre seja reconhecida o suficiente para constar nos tops de vendas e de popularidade, ao lado de grandes contadores de histórias de fantasia (e que então possa escrever o que quer, e não o que lhe é imposto pelas editoras).



3. Markus Zusak. Este senhor escreveu um livro sublime, sobre a guerra, sentimentos, livros e a Morte. The Book Thief, ou A Rapariga que Roubava Livros, em português, é um livro que toda a gente que gosta de livros devia ler. É tocante e brilhantemente escrito, e apesar de constar nas listas de livros favoritos de leitores, não vende cópias suficientes para me deixar satisfeita. O filme do livro está em pré-produção, por isso suponho que a partir de 2015 este reconhecimento se concretize


4. Anne Bishop. Um pouco como a minha querida Juliet, esta é uma autora que me enche as medidas como poucos. Autora de uma trilogia (e vários livros-satélite) tão negra e pesada como arrebatadora, pode-se dizer que Anne Bishop e as suas Jóias Negras não são para todos os gostos, e compreendo o porquê. Mas ainda assim, e principalmente agora que obras de sucesso começam a trazer leitores e espectadores para fora da zona de conforto, espero sempre que seja reconhecida mais globalmente, ou pelo menos no nicho do género fantástico.





5. Noah Gordon. O Físico, deste autor, foi um dos melhores romances históricos que eu já li. Constitui uma vívida viagem ao passado, diferentes culturas e seus conhecimentos e religiões. Diversos dos seus livros chegaram a ser publicados em Portugal pela Bertrand (em edições que deixaram muito a desejar) mas hoje em dia os seus livros estão descontinuados e são muito difíceis de encontrar. A edição da (saudosa) Biblioteca da Revista Sábado permitiu-me adquirir esta obra pelo euro mais bem gasto de sempre.





Não consigo lembrar-me de dez autores, mas quero deixar uma Menção Honrosa.

Actualmente não lhe falta popularidade a nível mundial, mas alguns de vocês lembram-se do tempo, circa 2007-2008, em que recomendavam George R. R. Martin e as suas Crónicas de Gelo e de Fogo a todos os amigos e conhecidos.


O seu nome está em todos os tops de vendas, e deixou de ser um nome reconhecido pela crítica  e pelos leitores de fantasia, para ser o autor top nos Estados Unidos. É provavelmente um dos autores mais requisitados da actualidade e não tenho qualquer dúvida que é, pelo menos, o autor ao qual os seus leitores mais facilmente associam a cara, devido à enorme exposição mediática que tem tido.
A série de tv Game of Thrones foi provavelmente a melhor coisa que lhe aconteceu os últimos anos, mas sem dúvida que posso dizer o mesmo dos milhões de leitores que através dela descobriram livros inesquecíveis e, muitos até, o prazer da leitura (O pequeno hipster dentro de nós sorri condescendentemente face ao entusiasmo de novos fãs).


02/07/2013

Top Ten Tuesday - Top 10 Livros Intimidantes


Rubrica Top Ten Tuesday, originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish.

O tema desta semana é Livros Intimidantes. Seja pelo seu tamanho, pelo tema, por toda a gente gostar haver o receio que não se vai gostar, etc. Achei o tema muito interessante, tanto que tive de refazer a lista, porque tinha demasiados livros! Tirando o primeiro gigante, excluí todos os grandes clássicos da literatura, que por si só fariam duas listas. Aqui ficam os livros que me intimidam, sem ordem particular:




Os Miseráveis, Victor Hugo. Demorei *anos* para começar a ler este livro, e apesar de já ter lido o primeiro volume inteiro e até ter gostado bastante, continuo a sentir-me intimidada por esta grande obra. Não é apenas pelo número de páginas (era essa a desculpa que dava a mim própria, mas comparei com algumas obras de fantasia ou romances históricos e não é muito maior do que alguns livros que já li!), mas também pela densidade da obra. O facto de ser um consagrado clássico da literatura e ter sido adaptado inúmeras vezes em diversos formatos e ser amado e odiado pelo mundo fora. Terminei o primeiro volume e deixei em suspenso porque me disseram que o segundo volume é o mais difícil de ler. Terei de encontrar coragem!



North and South, Elizabeth Gaskell. Este foi-me recomendado tantas, mas tantas vezes por pessoas cuja opinião valorizo imenso, e quero muito lê-lo. Mas e se não gostar? E se a versão inglesa que tenho for demasiado datada para conseguir disfrutar o livro? E também não é pequeno.


Gone With the Wind. Adorava ler este livro, quero lê-lo há anos, mas passa-se exactamente o mesmo que com o livro anterior: leio em português numa tradução duvidosa ou arrisco no original? 



The Wheel of Time, Robert Jordan. Muitos consideram a saga máxima da fantasia, outros afirmam estar ultrapassada por sagas posteriores. Se ao mesmo tempo sinto que deveria ler este marco da fantasia, temo que vá concordar com as opiniões que afirmam que a saga perde interesse, principalmente para quem já leu muita fantasia moderna.


Catcher in The Rye, J. D. Salinger. Sendo quase impossível de encontrar a tradução em português, já tinha decidido ler este clássico da literatura americana no original, até alguém me ter dito que não gostou muito, porque sentiu que lhe escapavam detalhes importantes na escrita, por recurso a calão americano da época. Como se a fama do livro não fosse suficientemente intimidante, por isso lá vou adiando...



O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien. Sim, este mesmo. Li apenas A Irmandade do Anel há anos e gostei bastante da história mas a escrita do Tolkien não me cativou. Talvez tenha sido da tradução, mas mais uma vez, temo não apanhar todas as subtilezas da escrita original se ler em inglês. Depois de passar uma década a adorar os filmes e tudo relacionado, tenho pavor de pegar nos livros originais e não adorar. Por via das dúvidas vou adiando.




William Shakespeare, qualquer obra. Adoro todas as passagens que vou lendo das suas peças, mas nunca tive coragem de pegar e ler a obra inteira.



Seer of Sevenwaters and Flame of Sevenwaters, Juliet Marillier. Adoro a Juliet, é a minha autora mais querida e os livros da trilogia Sevenwaters ainda são dos meus favoritos de sempre. Por essa razão, esta segunda trilogia enche-me de sentimentos contraditórios de alegria e medo. Principalmente depois de ter lido O Herdeiro de Sevenwaters e não ter sido ao nível dos 3 primeiros. Mas como poderá qualquer livro chegar a esse nível? Por outro lado, Juliet escreve como ninguém, e ler qualquer coisa escrita por ela é sempre uma delícia. Tenho medo de continuar a ler os seus livros e de deixar de gostar da autora.


Dracula, Bram Stoker. Dispensa apresentações. Quero ler este livro, e tenho aquele feeling que vou gostar, mas temo que isso não aconteça.




Malazan Book of the Fallen, Steven Eriksson. Como fã de fantasia, quero há muito ler esta aclamada série, mas as opiniões que me instigam a ler também me revelam uma obra densa e complexa, por vezes difícil de ler. Sem tradução para português, vou esperando ganhar coragem para pegar nesta saga.

16/05/2013

Adult Dystopia



A Diana descobriu-o, a Slayra adoptou-o, e eu agora copio-o. Este desafio Adult Dystopia é especial porque a razão que me fez aderir foi o facto de não ter tempo limite. Isso mesmo, para o completar "basta" ler todos os livros da lista. É um incentivo, mas sem a parte da pressão de o concluir (que normalmente é o que me faz ficar sem vontade de ler os livros em questão). 

Distopia. É um género (?) que gosto bastante, e que pode ser bastante versátil (imensos livros diferentes caem nesta categoria), e já que a lista inclui imensos livros que já tenho na minha lista de livros para ler, porque não tentar oficializar a coisa? Ao mesmo tempo fico com imensas sugestões de obras dentro do género.

Eis a lista, e risquei os livros que já li. Quanto à conclusão deste desafio, vemo-nos quando nos virmos!

1. White Horse by Alex Adams
2. Feed by M. T. Anderson
3. The Handmaid’s Tale by Margaret Atwood
4. Oryx and Crake by Margaret Atwood
5. The Year of the Flood by Margaret Atwood
6. The Windup Girl by Paolo Bacigalupi
7. Nod by Adrian Barnes
8. City of Bohane by Kevin Barry
9. Jennifer Government by Max Barry
10. Mountain Man by Keith Blackmore
11. Fahrenheit 451 by Ray Bradbury
12. The Postman by David Brin
13. The Sheep Look Up by David Brin
14. Armageddon’s Children by Terry Brooks
15. The End of This Day’s Business by Katharine Burdekin
16. A Clockwork Orange by Anthony Burgess
17. The Wanting Seed by Anthony Burgess
18. Veracity by Laura Bynum
19. The Death of Grass by John Christopher
20. The Passage by Justin Cronin
21. The Twelve by Justin Cronin
22. Do Androids Dream of Electric Sheep? by Philip K. Dick
23. Shades of Grey by Jasper Fforde
24. Alas Babylon by Pat Frank
25. The Carhullan Army by Sarah Hall
26. The Gone-Away World by Nick Harkaway
27. Into the Forest by June Hegland
28. The Unit by Ninni Holmqvist
29. The Possibility of an Island by Michel Houellebecq
30. Brave New World by Aldous Huxley
31. Never Let Me Go by Kazuo Ishiguro
32. This Dark Earth by John Hornor Jacobs
33. The Children of Men by P. D. James
34. When She Woke by Hillary Jordan
35. The Trial by Franz Kafka
36. In a Perfect World, by Laura Kasischke
37. The Stand by Stephen King
38. Always Coming Home by Ursula LeGuin
39. Lathe of Heaven by Ursula K. LeGuin
40. The First Century After Beatrice by Amin Maalouf
41. I am Legend by Richard Matheson
42. The Road by Cormac McCarthy
43. A Creed for the Third Millennium by Colleen McCollough
44. I Have Waited and You Have Come by Martine McDonagh
45. A Canticle for Leibowitz by Walter M. Miller Jr.
46. Cloud Atlas by David Mitchell
47. V for Vendetta by Alan Moore
48. 1Q84 by Haruki Murakami
49. Bend Sinister by Vladimir Nabokov
50. Sulphuric Acid by Amelie Nothomb
51. 1984 by George Orwell
52. Anthem by Ayn Rand
53. Mistborn by Brandon Sanderson
54. Blindness by Jose Saramago
55. Seeing by Jose Saramago
56. The Diamond Age by Neal Stephenson
57. Earth Abides by George R Stewart
58. Dies the Fire by S. M. Stirling
59. The Domination by S. M. Stirling
60. A Voyage to Kazohinia by Sandor Szathmari
61. Battle Royale by Koushun Takami
62. Far North by Marcel Theroux
63. The Traveler by John Twelve Hawks
64. The Sleeper Awakes by H.G. Wells
65. The Time Machine by H.G. Wells
66. Julian Comstock: A Story of 22nd Century America by Robert Charles Wilson
67. The Book of the New Sun by Gene Wolfe
68. The Crysalids by John Wyndham
69. We by Yvengy Zamyatin
70. Corpus delicti by Juli Zeh

Este desafio foi elaborado pelo blog Uncorked Thoughts.

14/05/2013

Top Ten Tuesday - 10 Leituras complicadas


Tal como diversos blogs que sigo, também eu resolvi aderir a esta rubrica semanal, Top Ten Tuesday, originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish. Todas as terças-feiras é publicado um tema, e blogs por essa internet fora publicam o seu top 10 (ou o máximo que consigam) de livros segundo esse tema. 
Os temas costumam ser bastante interessantes, e apesar de não prometer participar todas as semanas, fica aqui hoje a primeira participação: o meu top 9 (não me consegui lembrar de 10) de leituras desconfortáveis, livros que lidem com temas sérios, difíceis para o leitor, por ordem de leitura.



Diário de Anne Frank, por Anne Frank - Li este livro na adolescência (ainda uma criança, quase), e foi a primeira leitura que me marcou. Fiquei terrivelmente impressionada com a realidade de uma guerra que ouvia falar mas da qual nada sabia e pouco queria saber. A perspectiva da guerra e da perseguição nazi, de uma menina da minha idade, em tantos aspectos tão ignorante acerca da guerra como eu, marcou-me profundamente e apesar de ter adorado o livro, foi uma leitura difícil e devido a ela sempre senti uma atracção para as obras passadas nesta época da História.



Vendidas, Zana Mushen - Tal como o livro anterior, li o Vendidas no início da adolescência e teve em mim um impacto fortíssimo. Conta a história de duas irmãs, residentes no Reino Unido e filhas de pai iemenita e mãe inglesa, que são levadas para o Iémen e vendidas em casamento pelo pai . Por várias vezes quis largar o livro, para não ler mais os horrores e humilhações que Zana e Nadia são submetidas na vida de casadas num país árabe, em lares profundamente retrógrados. O facto do livro ser contado na primeira pessoa por Zana, e de ambas terem crescido numa sociedade ocidental semelhante à minha e terem sofrido o choque cultural terrível, na minha idade, fez com que me marcasse profundamente. Um livro forte, por ser uma história real.



Lolita, Vladimir Nobokov - Este livro podia ser (e é, na verdade), um caso de estudo literário. Ainda hoje não consigo dizer se gostei dele ou não. Em retrospectiva, tudo o que tem de bom é tudo o que me repugna no conteúdo. Gostei das personagens, bem construídas e incrivelmente reais. Gostei da narrativa e do trágico da obra. Mas como é que simpatizamos com Humbert Humbert, um homem que sem hesitação chamaríamos um pervertido? Como é que acreditamos  nos seus devaneios e justificações ao ponto de acreditarmos na sua perspectiva das coisas? Como pensar que Lolita não é tão inocente como qualquer menina de 13 anos? É um livro duplamente desconfortável, primeiro pelo tema que aborda, e depois por fazer o leitor auto-criticar-se por (quase) tomar o partido do adulto abusador.




Trilogia Millenium, Stieg Larsson - Apesar do título, quem começa a ler o primeiro livro da trilogia, Os Homens que Odeiam as Mulheres, não sabe que está a ler uma obra que retrata temas fortes como a violência de género, tráfico de seres humanos, prostituição forçada,  maus tratos, negligência parental e abusos físicos e psicológicos no seio da família, na aparente sofisticada e cristalina sociedade sueca. Apesar do primeiro livro ter como trama central uma situação de corrupção financeira, a fascinante personagem principal, Lisbeth Salander, vê-se envolvida em situações que me deixaram revoltada e horrorizada. As descrições cruas de cenas fortíssimas, do ponto de vista da própria Lisbeth perturbaram-me imenso, como só o tema de violência contra as mulheres me consegue perturbar. Ao longo dos restantes livros da trilogia percebemos que o tema global é a violência contra as mulheres, nas suas mais diversas formas, numa obra cuja escrita foi motivada por um acontecimento real na vida do autor, ao testemunhar uma situação de violência contra uma jovem desconhecida. 


The Help (As Serviçais), Kathryn Stockett - Este livro retrata a realidade da segregação de raça nos anos 60, no estado do Mississipi, Estados Unidos da América. A época de Martin Luther King, e escolas de negros e escolas de brancos e violência de raça a decorrer abertamente. É a história de 3 mulheres, duas criadas negras e uma branca. Os relatos destas personagens fictícias poderiam bem ser reais, no contexto desta fase da história recente dos Estados Unidos, e o desconforto e revolta que senti ao lê-los foi bem real. 



Room (O Quarto de Jack, em português), Emma Donohue - Este livro é contado por um menino de 5 anos, que vive com a mãe num quarto. Toda a sua vida e o seu mundo são aquele quarto fechado, onde nasceu e vai crescendo. É estranha a maneira como a história nos é contada, porque um menino de 5 anos tem um raciocínio e vocabulário lineares. Mas os contornos perturbadores desta história começam a definir-se quando começamos a perceber como e porquê Jack e a mãe vivem neste quarto. 




Pequena Abelha, Chris Cleave - Mais uma vez, um livro que me impressionou e deixou desconfortável pela dose de realidade que representa. Little Bee, uma menina nigeriana, conta na primeira pessoa a emocionante história da sua breve vida, e a maneira marcante como conheceu Sarah, uma inglesa na casa dos 30 anos. Este livro aborda não só o tema da realidade violenta e dificuldades sociais na Nigéria, mas também temas mais profundos como os refugiados no Reino Unido, como as nossas vidas podem mudar para sempre por um acontecimento imprevisível,  auto-sacrifício e até que ponto estamos dispostos a sair do nosso caminho para ajudar alguém.


Habibi, Craig Thompson - A sublime arte presente em cada uma das 672 páginas desta fantástica graphic novel não deixa ignorar o forte tema da segregação feminina na cultura árabe, além da escravatura. A triste história das duas personagens principais que passam  por diversas provações é mais triste ainda por saber que é a história de muitos seres humanos. 




Gone Girl (Em Parte Incerta) - Já falei imeeenso deste livro, e podem ouvir o que eu disse aqui, além da minha opinião. Este livro perturbou-me pela excelente caracterização psicológica das personagens. É assustadora a perspectiva de que pessoas com perturbações mentais retorcidas se cruzam connosco nas nossas vidas, mas é uma perspectiva real, e este livro demonstra-o de forma brilhante. 





06/05/2013

Só Ler Não Basta - Ep. #4.2 - "Leitura Conjunta de Gone Girl"

Como se eu já não tagarelasse o suficiente, a Telma, a Carla e a Diana decidiram convidar-me para tagarelar com elas como convidada do Só Ler Não Basta de Abril. O tema da discussão foi o livro Gone Girl (Em Parte Incerta), da Gillian Flynn, que todas lemos recentemente. Problemas técnicos com o YouTube e os Hangouts do Google deixaram a primeira conversa que tivemos perdida em parte incerta na internet, mas aqui fica a conversa registada. A discussão é toda ela um enorme spoiler, por essa razão recomendada a quem já leu o livro, ou quem adora spoilers

Foi uma experiência atribulada e chegou a ser tecnicamente frustrante, mas adorei esta(s) conversa(s)! 



Para quem preferir ouvir a discussão em áudio, pode seguir este tutorial para transformar o vídeo em ficheiro MP3. 

06/02/2013

Selos e blogs

Nos últimos dias vários prémios/selos foram espalhados pela blogosfera literária portuguesa. A mim calharam-me uns quantos, e queria agradecer à Cláudia, à Nádia, ao José, à Leitora Compulsiva e à Maria pelo Liebster Award (para dar a conhecer blogs com menos de 200 seguidores) e à Cristiana e novamente ao José pelo selo 2013 Literário (com o objectivo de incentivar à leitura). 
Apesar de muito agradecida, sou muito preguiçosa nestas coisas, e sei que me vão perdoar, mas vou passar a retribuição dos selos. Alguns blogs nem conhecia e foram agradáveis surpresas. Obrigada mais uma vez :)



06/01/2013

Book Bingo

A ideia inicial foi da WhiteLady em 2012 e uma série de gente decidiu aderir. Este ano, tal como referi no post anterior, também eu me vou juntar a este jogo do Book Bingo. As regras são as conhecidas de qualquer jogo de bingo: fazer 5 em linha (vertical, horizontal ou diagonal) com as casas, e eventualmente completar o cartão todo. Apenas contam livros iniciados e terminados em 2013, e cada livro apenas pode ser submetido num categoria, mesmo que se enquadre em várias. A ideia pareceu-me divertida e já estou a pensar nos livros que poderei ler para categoria. 

Aqui está o meu cartão com as categorias que escolhi:

Como as categorias são este ano à escolha de cada participante, inclui algumas que me vão ajudar a atingir alguns objectivos que tenho em mente para este ano: 

- Ler mais BD (Novela Gráfica)
- Continuar a ouvir audio-books (audio-book)
- Ler Saramago (Autor Nobel)
- Ler em espanhol (livro noutra língua)
- Voltar a autores favoritos (Autor Novo - Livro Velho, Releitura)
- E atacar no geral alguns livros que tenho na minha lista para ler (Clássico, Distopia, Fantasia, YA, Ficção Histórica, Autor Lusófono...)

Vou acompanhar a evolução do Book Bingo no grupo do Goodreads, e além disso vou manter o cartão actualizado aqui no blog

Let the games begin!

03/10/2011

À Conversa com The Vet Girl

A minha querida The Vet Girl desafiou-me para uma pequena conversa no seu blog, que está de cara lavada!


Como ela é simpática, eu até gosto dela, e o tema é "Bloggers e os seus "Pets", não pude deixar de aceitar! Já sabem que não perco uma oportunidade de falar das minhas gatas. 
Queria agradecer à The Vet Girl pelo convite, e dizer que adorei a conversa. Este espaço tem andado mortiço pelas mais variadas razões, quem sabe se esta conversa não é o incentivo que me traz de volta à actividade. 

Ide lá ler tudo, e fiquem com o blog debaixo de olho. 

14/06/2011

Leitor Convidado na Estante de Livros


A convite da Célia, a Bibliófila mudou-se para a Estante, por hoje. Ser o Leitor Convidado na Estante de Livros é qualquer coisa como atingir o topo da carreira dos book-bloggers. Neste caso, o topo da estante! 
Passem por lá, entrada livre para bibliófilos. 

(imagem daqui)

29/03/2011

Kreativ Blogger Award


Foi com muita satisfação que recebi este destaque da parte da Olinda. Foi certamente o efeito das insónias que a fez tomar tal decisão, mas eu cá não me queixo! :) Vou apenas cortar a metade o nº 10, e reduzir os itens para 5.

Começo por enumerar 5 coisas que gosto, e que gosto de partilhar:
1 - Livros, gosto de emprestar e dar a conhecer a outros os livros que me apaixonam.
2 - Opinião, sim, difícil é ficarem sem saber o que acho de dado assunto.
3 - Novidades sobre livros e autores, estou sempre à procura e adoro partilhar
4 - Sorrisos
5 - Blogs :)

E atribuo aos seguintes blogs o Kreativ Blogger Award, pela criatividade e coerência com que publicam, e porque são sempre textos interessantes. O chamado serviço público da web.
Bitaites
Horas Extraordinárias
Bela Lugosi is Dead
Lâmpada Mágica
Rascunhos

19/03/2011

Même Literário


1 -  Há vários. Um deles é O Filho das Sombras, de Juliet Marillier, e outro é A Rainha das Trevas, de Anne  Bishop

2- O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas

3 - Os Leões de Al-Rassan, Guy Gavriel Kay

4 - Deixo aqui uma lista de blogs que gostava de ver responder a este pequeno même, se quiserem, mas qualquer pessoa pode "roubar" o botão e responder também :)



5 - Fui desafiada pela Cris, d'O Tempo Entre os Meus Livros


21/02/2011

Verdade ou Consequência? A Casa das Sete Mulheres

Depois da Célia do Estante de Livros, desta vez fui eu a desafiada a escolher “Verdade ou Consequência”, a rubrica mensal do Este meu cantinho... . Escolhi "Consequência", ficando assim “intimada” a ler um livro e escrever a minha opinião. A WhiteLady sugeriu-me o tema História, e como tenho na minha pilha muitos romances históricos o difícil foi escolher! O recém-adquirido (mas desejado há muito) A Casa das Sete Mulheres, de Leticia Wierzchowski, foi o escolhido.


Este livro retrata um período da História do Brasil que ficou conhecida como a Revolução Farroupilha, de uma perspectiva muito feminina. O descontentamento dos fazendeiros do Rio Grande do Sul, província do Império do Brasil, relativamente ao preço da carne e à escravatura negra, desencadeia uma revolta militar liderada pelo General Bento Gonçalves da Silva e com o apoio de outros militares, com o objectivo a deposição do Governador. Essa revolta evoluiu para uma Revolução anti-império, e através de uma série de acontecimentos e batalhas é proclamada a República do Rio Grande do Sul. Uma guerra entre Republicanos e Imperiais instala-se e parece não ter fim, que ficou conhecida como Revolução Farroupilha.

A Casa das Sete Mulheres é um romance que foi adaptado à televisão sob a forma de uma série de TV da Rede Globo. Quando vi a “novela”, em 2003, adorei e passei os 52 episódios agarrada a esta história de mulheres fortes e homens garbosos. Desde essa altura que tencionava ler o livro, mas a verdade é que nunca o vi à venda. Mais recentemente, nos últimos anos, procurei deliberadamente comprar uma cópia, mas não consegui encontrá-lo em lado nenhum. Tive imensa sorte em encontrá-lo no WinkinBooks, apesar de até o ler não saber bem quanta.
A verdade é que adorei este livro. A narrativa é deslumbrante e as personagens são magistralmente construídas. O ritmo da narrativa é por vezes errático, com avanços e recuos, pontos de vista da guerra e notícias que chegam de boca em boca, e cartas que são lidas antes dos acontecimentos que descrevem nos serem contados. A narração do ponto de vista de várias personagens é intercalada com os cadernos de Manuela, a protagonista e eterna Noiva de Garibaldi, que por sua vez tanto se referem ao tempo passado na estância como têm lugar décadas depois da guerra.
A escrita de Letícia Wierzchowski é deliciosamente descritiva. Quando lemos as linhas que enquadram a vida na estância quase que sentimos o vento minuano a soprar, os cheiros das plantas e o tom amarelo da paisagem. Quando nos é permitido visitar o cenário da guerra, as descrições são detalhadas e precisas, mas sempre incrivelmente bem escritas, numa prosa quase poética.
Sendo uma fan dos romances históricos, adoro a concretização do perfeito compromisso entre verdade histórica e o romance e a ficção. Este livro trouxe-me isso mesmo.
Além de um entretenimento viciante e ser praticamente uma “degustação” da linguagem, é também uma boa dose de História, que adorei experienciar.
Dei por mim a pesquisar na net mais informação sobre esta época da História brasileira, de tal forma a escrita me cativou para este tema. Além de ficar com uma noção bastante precisa do que significou este período da História do Brasil, e de me ter apaixonado pelas personalidades que lhe deram forma, senti-me conquistada pela riqueza da Língua Portuguesa. Neste livro deparei-me com imensas expressões regionais do Rio Grande do Sul, algumas usadas ainda hoje, que no português de Portugal são consideradas arcaicas. Deliciei-me com esta linguagem, e de facto o português é uma língua tão rica que é uma pena que algumas palavras deixem ter utilização corrente por cá.

A história começa com o convergir das personagens nos campos que vão constituir a duas frentes do rumo dos acontecimentos: enquanto os homens da família de Bento Gonçalves, o líder da Revolução Farroupilha, se reúnem para a guerra que se aproxima, as mulheres viajam das suas casas na cidade para se refugiarem da guerra na Estância da Barra, propriedade de D. Ana Joaquina, irmã de Bento Gonçalves. Com D. Ana viajam a irmã mais nova, D. Maria Manuela, e as suas três jovens filhas, Rosário, Mariana e Manuela. Juntamente com a cunhada D. Caetana, esposa de Bento, a filha mais velha, Perpétua e os 4 filhos crianças. Estas são as 7 mulheres que vão passar os anos da guerra numa estância no pampa gaúcho (juntamente com D. Antônia, irmã mais velha de Bento, Ana e Maria, proprietária da Estância do Brejo, a poucos minutos a cavalo da Estância da Barra). A história termina com o final da guerra, que se arrastou por 10 longos anos. Dez anos repletos de tristezas próprias da guerra, algumas alegrias, e principalmente acontecimentos que mudaram de forma irrevogável as vidas destas mulheres e da sua família.
O destino desta família é o reflexo do que aconteceu no Rio Grande nestes dez anos, uma região que não voltou a ser a mesma, tal como as pessoas que viveram esta guerra. O que aconteceu nestes dez anos, terão de descobrir por vós próprios. É um livro que recomendo sem reservas.

Uma nota final para referir que descobri no final da leitura que existe uma continuação publicada. Um Farol no Pampa é a continuação escrita por Letícia Wierzchowski, que infelizmente não está publicada em Portugal, mas que quero muito ler (e penso que será quase impossível encontrar A Casa das Sete Mulheres à venda nas livrarias, por isso não espero uma edição portuguesa). Estou a pensar mandar vir pela Wook a versão brasileira.