No Reino de Glome - Até Termos Rostos, C. S. Lewis
Título original: Till We Have Faces: A Myth RetoldTradutora: Isabel Milhazes
Nº de páginas: 256
Editora: Cavalo de Ferro
Sinopse: «Agora já estou velha e não temo a fúria dos deuses… irei escrever neste livro tudo aquilo que uma pessoa que é feliz não se atreveria a escrever. Vou acusar os deuses, especialmente o deus da Montanha cinzenta. Vou contar tudo o que ele me fez, como se estivesse a apresentar a minha acusação perante um juíz. Eu sou Orual, a filha mais velha de Trom, rei de Glome.»
O Reino de Glome, situado nas montanhas da fronteira com a antiga Grécia, é um reino bárbaro que pratica um culto obscuro à cruel deusa do amor, Ungit, e ao seu filho, o deus da montanha, a que os gregos chamam Afrodite e Cupido. Quando Trom, o rei, casa novamente e dessa relação nasce Psique, a sua irmã mais velha, a princesa Orual, está longe de imaginar que esse nascimento irá modificar a sua vida e o curso da história.
Psique é de uma beleza inigualável, tão bela que o povo se esquece do culto a Ungit. A cruel deusa exige que a princesa seja oferecida em sacrifício ao deus da montanha e os acontecimentos precipitam-se…
Opinião: Esta é uma recriação do mito grego de Eros e Psique. Segundo o próprio C. S. Lewis, quando leu este mito pela primeira achou que “faltava” alguma coisa, e decidiu-se portanto a recriá-lo. Não sabia nada deste livro quando comecei a lê-lo, por isso acho que as minhas expectativas não eram muito elevadas. O que me fez comprar o livro, além do preço quase ridículo de 3€ (exemplar novo, numa livraria) foi a belíssima edição. Achei a capa muito bonita (na imagem não dá para ver os relevos das figuras e os dourados), e quando li o primeiro parágrafo (transcrito na sinopse) fiquei imediatamente cativada pelo livro.
No entanto esse entusiasmo inicial foi esmorecendo. Tudo nesta obra grita tragédia grega. Além do próprio enredo, com guerras entre humanos e deuses, e tarefas impossíveis (com as quais podia bem), as personagens e principalmente os diálogos e os monólogos, quase me levaram ao desespero. Numa altura estava a gostar, no momento a seguir estava quase a largar o livro. Talvez estivesse à espera de uma obra de fantasia, mas a verdade é que se trata de uma recriação de uma obra clássica, e procura de certa forma recriar o estilo clássico de escrita da tragédia grega. Não uma adaptação, que teria considerado interessante, mas sim uma verdadeira recriação.
Confesso que com o avançar do livro fui gostando cada vez menos, até fazer o esforço para terminar. Já estava saturada de tanta tragédia grega, literalmente.
O melhor: Fiquei a saber um pouco mais acerca deste episódio da mitologia grega.
O pior: Fiquei saturada principalmente com os diálogos.
2/5 – Está OK