Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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06/05/2013

Só Ler Não Basta - Ep. #4.2 - "Leitura Conjunta de Gone Girl"

Como se eu já não tagarelasse o suficiente, a Telma, a Carla e a Diana decidiram convidar-me para tagarelar com elas como convidada do Só Ler Não Basta de Abril. O tema da discussão foi o livro Gone Girl (Em Parte Incerta), da Gillian Flynn, que todas lemos recentemente. Problemas técnicos com o YouTube e os Hangouts do Google deixaram a primeira conversa que tivemos perdida em parte incerta na internet, mas aqui fica a conversa registada. A discussão é toda ela um enorme spoiler, por essa razão recomendada a quem já leu o livro, ou quem adora spoilers

Foi uma experiência atribulada e chegou a ser tecnicamente frustrante, mas adorei esta(s) conversa(s)! 



Para quem preferir ouvir a discussão em áudio, pode seguir este tutorial para transformar o vídeo em ficheiro MP3. 

24/02/2013

Gone Girl

Autora: Gillian Flynn

Nº Páginas: 560

Primeira edição: Crown, 2011

Sinopse: Marriage can be a real killer.
On a warm summer morning in North Carthage, Missouri, it is Nick and Amy Dunne’s fifth wedding anniversary. Presents are being wrapped and reservations are being made when Nick’s clever and beautiful wife disappears from their rented McMansion on the Mississippi River. Husband-of-the-Year Nick isn’t doing himself any favors with cringe-worthy daydreams about the slope and shape of his wife’s head, but passages from Amy's diary reveal the alpha-girl perfectionist could have put anyone dangerously on edge. Under mounting pressure from the police and the media—as well as Amy’s fiercely doting parents—the town golden boy parades an endless series of lies, deceits, and inappropriate behavior. Nick is oddly evasive, and he’s definitely bitter—but is he really a killer?

As the cops close in, every couple in town is soon wondering how well they know the one that they love. With his twin sister, Margo, at his side, Nick stands by his innocence. Trouble is, if Nick didn’t do it, where is that beautiful wife? And what was in that silvery gift box hidden in the back of her bedroom closet?

With her razor-sharp writing and trademark psychological insight, Gillian Flynn delivers a fast-paced, devilishly dark, and ingeniously plotted thriller that confirms her status as one of the hottest writers around.


Opinião: Este livro chamou-me à atenção pela primeira vez no Goodreads pelas classificações positivas, tendo inclusive sido o livro com mais votações na categoria de Thriller/Mistery nos Prémios Goodreads de 2012, e acompanhei os updates da leitura da Célia, que foram (para variar) o empurrão decisivo para começar a ler. 
A premissa pareceu-me interessante, e prometedora: no aniversário de casamento de Amy e Nick, a mulher desaparece e o marido torna-se imediatamente o foco dos olhares do público e da polícia. Tratei de me manter completamente às escuras em relação à história até finalmente começar a ler. Este início tão clássico em histórias de mistério não foi propriamente o que me atraiu, mas sim a sensação que esta história teria necessariamente de ser mais do que isto. 

E não me desiludi. O livro está escrito numa estrutura que nunca muda ao longo de toda a história: capítulos intercalando o ponto de vista dos dois protagonistas, Nick e Amy. Os capítulos de Nick relatam os desenvolvimentos no momento presente, desde o desaparecimento de Amy, que por sua vez nos surge na história na forma de relatos de um diário. A maneira fabulosa como a autora começou por apresentar a dinâmica deste casal cativou-me imediatamente. Conhecemos as suas vidas do ponto de vista de ambos, alternadamente, cada capítulo passado num ponto temporal diferente, mas evocando a história do casal, por memórias no caso de Nick, por descrições do diário, no caso de Amy. Vemos, por exemplo, como um qualquer acontecimento das suas vidas teve uma percepção diferente da parte da cada um deles. 

Sem querer revelar demasiado da história, porque acho que aqui o factor surpresa é determinante, queria apenas elogiar a capacidade da autora de me enganar e surpreender por diversas vezes. Comecei o livro pensando que a história era sobre algo, chegando a meio senti que afinal o livro era em tudo diferente do que pensava, e ainda assim consegui ficar embasbacada de surpresa e ultraje antes do final da história. 

Apesar da estrutura de capítulos de pontos de vista diferentes - por vezes bastante curtos e sempre com um acontecimento ou revelação determinantes em foco - fazer deste livro um verdadeiro page-turner, para mim o ponto forte do livro é sem dúvida as personagens, muito bem construídas psicologicamente. A autora faz um retrato impressionante da normalidade (e anormalidade) das relações, das aparências e de como factores como desemprego e pressões familiares e sociais podem interferir nas mesmas. Fez-me reflectir também sobre como a forma como somos educados afecta a nossa personalidade e as pessoas em que nos tornamos quando crescemos, e principalmente como nos relacionamos com os outros. Deixou-me também a pensar sobre uma série de coisas sobre a natureza humana, mas sobre isso não vou falar, só lendo saberão ao que me refiro.

Não digo que este Gone Girl seja o livro do ano, mas foi sem dúvida uma leitura surpreendente e que me deu imenso gozo. Recomendo vivamente e fiquei com vontade de ler mais coisas da autora.


O melhor: A caracterização das personagens e os (vários) momentos "wtf?!"

O pior: Achei que o crescimento da narrativa merecia um final mais gritante, mas foi surpreendente à sua maneira.


4/5 - Gostei bastante.