Título: A Feast For Crows (O Festim dos Corvos + O Mar de Ferro)
Autor: George R. R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Nº de páginas: 448 e 336
Ano de edição: 2009
Esta opinião refere-se aos dois volumes do 4º livro da saga (A Fest for Crows), O Festim dos Corvos e O Mar de Ferro. Contém spoilers para os volumes anteriores.
Segundo explicação do próprio autor, dada no final do livro, este Feast for Crows é uma primeira parte do livro em eterno processo de escrita A Dance With Dragons, uma vez que devido ao tamanho do manuscrito se viu forçado a fazer a divisão.
A verdade é que depois dos magníficos livros anteriores, Tormenta de Espadas e principalmente A Glória dos Traidores, preparei-me para que os dois livros seguintes, e os últimos publicados até ao momento, não conseguissem ser tão bons. Em adição, talvez inconscientemente adiando o momento em que deixaria de ter mais livros desta saga para ler, passaram-se muitos meses entre a leitura dos volumes anteriores e o inicio da leitura destes.
O livro anterior deixa-nos com um panorama sombrio para as personagens, boas ou más. O Inverno está a chegar a Westeros, mas parece já ter chegado aos corações dos homens desta terra. Reviravoltas de enredo alucinantes e surpresas inacreditáveis. Personagens perdidas ainda mais perdidas, caminhos cruzados desviando-se por pouco, novos inimigos e novas alianças, morte e assassínio, e traição. Principalmente traição. Com este nível de intriga, seria difícil manter as expectativas.
E de facto, este(s) livro(s) não me fascinou como os anteriores da saga, e acredito que isso se deveu essencialmente à alteração do foco das personagens dos capítulos, excluindo do conhecimento do leitor as melhores personagens como Tyrion, Daenerys ou Davos, e dando poucos capítulos a outras como Jon e Arya.
Além de tudo isso, é duro ver desaparecer definitivamente (ou não) personagens fortíssimas da saga, mas tenho mesmo de tirar o chapéu ao autor pela coragem de o fazer, e por de facto construir uma intriga ao mais alto nível. Se há coisa que George R. R. Martin faz bem, é construir personagens. Fá-lo de forma brilhante, ou não estivéssemos nós prestes a odiar um Regicida visto pelos olhos dos outros, pelo qual nos apaixonamos depois de lermos os seus próprios capítulos. A personagem é a mesma, rigorosamente. Não há ilusões de avaliação de carácter. A diferença é que ao termos acesso aos seus pensamentos, as personagens tornam-se incrivelmente reais, totalmente humanas. E poucas há nesta saga que sejam puramente "maus", sendo cada uma delas um reflexo da natureza do ser humano e das suas ambições pessoais, sejam elas honra, amor, poder, dinheiro, família, uma senhoria ou simplesmente servir.
É esta a magia dos livros da Saga do Gelo e do Fogo, e se tenho de admitir que, em 2 terços deste(s) livro(s) senti o nível da escrita e o rumo da história a fraquejarem (quem sabe o resultado do processo de bloqueio, reescrita e adiamento de publicação pelo qual esta obra passou) fico contente por dizer que o último terço me agarrou totalmente. Os capítulos finais revelaram-se um desenrolar de acontecimentos tão inesperados como deliciosos, mais nós nesta teia de Westeros, com as personagens suspensas no limite.
E é claro, agora junto-me à horda de fans que espera ansiosamente pela publicação do tão aguardado 5º livro desta sega, desesperando por saber o que aconteceu às personagens que deixámos, algumas ainda em Glória dos Traidores, e o rumo dos acontecimentos.
A verdade é esta, algo em Westeros está a mudar. O Inverno está a chegar.
4/5 - Gostei muito