Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.

06/02/2013

Selos e blogs

Nos últimos dias vários prémios/selos foram espalhados pela blogosfera literária portuguesa. A mim calharam-me uns quantos, e queria agradecer à Cláudia, à Nádia, ao José, à Leitora Compulsiva e à Maria pelo Liebster Award (para dar a conhecer blogs com menos de 200 seguidores) e à Cristiana e novamente ao José pelo selo 2013 Literário (com o objectivo de incentivar à leitura). 
Apesar de muito agradecida, sou muito preguiçosa nestas coisas, e sei que me vão perdoar, mas vou passar a retribuição dos selos. Alguns blogs nem conhecia e foram agradáveis surpresas. Obrigada mais uma vez :)



Bibliofilia pelo Mundo (V) - Little Free Library



Esta adorável mini biblioteca parece ser apenas uma estante fora do normal, mas é muito mais especial. Esta caixa de livros é apenas uma de milhares espalhadas pelo mundo inteiro, sendo exactamente o que o nome indica: uma pequena biblioteca gratuita (Little Free Library). Qualquer leitor pode chegar, abrir a portinhola da estante e escolher um livro. No fim da leitura, pode devolvê-lo, passá-lo a outra pessoa ou mesmo ficar com ele para si. Da mesma forma, qualquer pessoa pode doar um livro simplesmente deixando-o na estante. O importante é o livro ser lido, circular e fazer a diferença para alguém. 





Quem o diz são os fundadores desta organização norte-americana, Little Free Library, dedicada a construir pelo mundo fora pequenas bibliotecas acessíveis a qualquer pessoa. 
Esta iniciativa começou em 2009 como um programa de uma organização não governamental sediada no Wisconsin e conta hoje com inúmeros parceiros, colaboradores e voluntários, responsáveis pela construção de milhares de bibliotecas que espalham a bibliofilia além das fronteiras do estado e do país. 


O objectivo principal é promover a literacia e o gosto pela leitura, através do livre acesso a livros, mas também contribuir para estabelecer espírito de comunidade e aprendizagem de artes de construção (carpintaria). Hoje em dia a Little Free Library pode deslocar-se a uma comunidade e construir e rechear uma pequena biblioteca; e qualquer comunidade no mundo pode por sua vez associar-se a este projecto construindo a sua própria estante com a colaboração da associação. No quintal da sua casa, no jardim da comunidade, na entrada da escola ou da empresa, qualquer sítio em que haja autorização para tal pode ser o local de uma pequena biblioteca gratuita.  Há também a possibilidade de efectuar doações a esta associação, uma outra forma de contribuir.
E quanto à questão que decerto vos está já a ocupar a mente "E se os livros forem roubados?", devo dizer que conta na lista de perguntas mais frequentes do site, e adorei a resposta: Ninguém pode roubar um livro que é gratuito. E se alguém o roubar, pode ser que acabe por o ler, e esse é o objectivo final do projecto. 

Aqui está um mapa com a localização de todas as Little Free Libraries distribuídas pelo planeta, vejam se haverá alguma perto de vocês! Naturalmente, a maioria das bibliotecas localizam-se nos Estados Unidos, mas já se espalham pela Europa e há também alguns projectos para crianças em África e na Ásia. 
Os designs são os mais variados, dos mais simples aos mais elaborados, mas todos cumprem o mesmo propósito, partilhar livros.





(Todas as fotos  retiradas daqui.)

As bibliotecas são para sempre

A propósito de e-books e a sua coexistência com o livro impresso na minha vida, de que falei neste post, deixo aqui este infográfico muito interessante - Libraries are Forever - E-Books and Printed Books can Coexist. Visto no blog Ler Ebooks, que já agora recomendo vivamente a quem quer estar informado acerca das novidades e tendências tecnológicas dos e-books e e-readers, ou simplesmente a curiosos.
Vale a pena ver todo o gráfico com atenção, mas chamo a atenção para alguns pontos em particular, como a conclusão que os leitores de e-books leram mais livros em 2012 do que leitores "físicos", dos quais alguns foram em formato impresso e outros em e-book. Igualmente, os leitores digitais estão a qualquer momento a ler livros em ambos os formatos, e a situação em que se encontram influencia qual o formato elegido nesse momento. A maioria de nenhuma faixa etária considerada afirmou estar preparada para abandonar livros impressos em função dos digitais. Achei curioso que, ao contrário da minha experiência pessoal, tenham concluido que a leitura no kindle é mais lenta. 

No final, a única e verdadeira conclusão a retirar na comparação de e-books e livros impressos: Seja qual for o formato, não há nada melhor do que um bom livro, e não podia concordar mais. 





03/02/2013

Bibliofilia #5


Bibliofilia é
(Visto originalmente aqui.)

01/02/2013

A Series of Unfortunate Events #1-3

Autor: Lemony Snickets (Pseudónimo de Daniel Handler)
Série: A Series of Unfortunate Events
Editora: Harper Collins
Edição: Áudio-book 
Publicação original: 1999-2000

 The Bad Beginning (#1)

Sinopse: I'm sorry to say that the book you are holding in your hands is extremely unpleasant. It tells an unhappy tale about three very unlucky children. Even though they are charming and clever, the Baudelaire siblings lead lives filled with misery and woe. From the very first page of this book when the children are at the beach and receive terrible news, continuing on through the entire story, disaster lurks at their heels. One might say they are magnets for misfortune. 


In this short book alone, the three youngsters encounter a greedy and repulsive villain, itchy clothing, a disastrous fire, a plot to steal their fortune, and cold porridge for breakfast.

It is my sad duty to write down these unpleasant tales, but there is nothing stopping you from putting this book down at once and reading something happy, if you prefer that sort of thing. 

With all due respect, 

Lemony Snicket

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The Reptile Room (#2) 

Sinopse: After narrowly escaping the menacing clutches of the dastardly Count Olaf, the three Baudelaire orphans are taken in by a kindly herpetologist with whom they live happily for an all-too-brief time.

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The Wide Room (#3)

Sinopse: If you have not read anything about the Baudelaire orphans, then before you read even one more sentence, you should know this: Violet, Klaus, and Sunny are kindhearted and quick-witted, but their lives, I am sorry to say, are filled with bad luck and misery. All of the stories about these three children are unhappy and wretched, and this one may be the worst of them all.If you haven't got the stomach for a story that includes a hurricane, a signalling device, hungry leeches, cold cucumber soup, a horrible villain, and a doll named Pretty Penny, then this book will probably fill you with despair.I will continue to record these tragic tales, for that is what I do. You, however, should decide for yourself whether you can possibly endure this miserable story.


With all due respect,

Lemony Snicket


Opinião: Esta longa série é constituída por 13 curtos livros, cada um dos quais contando as trágicas desventuras dos órfãos Baudelaire. Por serem livros bastante curtos e episódicos, decidi agregar a opinião dos três primeiros, e fazer o mesmo com os restantes volumes à medida que avançar na saga. 

Travei conhecimento com esta saga através do filme de 2004, que adapta os 3 primeiros livros da saga, Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events, com Jim Carey no papel do vilão Count Olaf e Jude Law como Lemony Snickets, o narrador da história. Na altura gostei bastante, quer das personagens e do enredo catastrófico, quer do ar gótico-depressivo da história, salpicada com laivos de humor. Já conhecendo a história dos três primeiros volumes, esses elementos continuam a ser os que mais me cativam nestes livros infanto-juvenis. 

Em cada livro, começamos por entrar na história pela voz do narrador, Lemony Snicket, que avisa imediatamente o leitor de que está na posse de um livro cheio de desgraças, sofrimento e desespero. O próprio autor é uma personagem (Lemony Snicket é o pseudónimo de Daniel Handler) que conta a história dos órfãos Baudelaire - Violet, Klaus e a bebé Sunny - após a perda dos pais num grande incêndio na sua casa. Lamentavelmente, os órfãos não têm familiares próximos, e a responsabilidade em encontrar um guardião para  as crianças está a cargo do gestor da fortuna dos Baudelaire, o bancário Mr. Poe. 

Todos os irmãos são especiais, inteligentes e brilhantes à sua maneira. Violet é a irmã mais velha, uma inventora, adora mecânica e afins. Quando ata o cabelo num rabo de cavalo sabemos que está a concentrar-se para inventar alguma coisa. Klaus, o prodígio das palavras, memoriza tudo o que lê, e não é pouco, e pode-se sempre contar com ele para definir o significado de uma palavra difícil. Sunny, a bebé adorável, exprime-se por monossílabos de linguagem de bebé que só os irmãos entendem. Adora morder coisas, e os seus dentes afiados são a sua arma não secreta. Bibliotecas são as coisas favoritas dos Baudelaire.

No primeiro livro, The Bad Beginning, a sua primeira escolha revela-se desastrosa, sendo os órfãos entregues à guarda do maléfico Count Olaf, cujo único objectivo é deitar as mãos à fortuna dos órfãos, sem ter qualquer problema em maltratar as crianças e cometer outros crimes horríveis. Desse ponto em diante, os órfãos Baudelaire vêem-se perseguidos por esquemas mirabolantes, personalidades inventadas por Count Olaf para enganar o tuberculoso Mr. Poe de forma a ganhar mais uma vez a custódia (e o acesso à fortuna) dos Baudelaire. No segundo, The Reptile Room, os  órfãos são postos ao cuidado do excêntrico Uncle Monty, que possui uma sala repleta de répteis do mundo inteiro, uma biblioteca sobre répteis e que pretende levar os irmãos numa excitante excursão ao Peru. No terceiro livro, The Wide Window, Violet, Klaus e Sunny são deixados ao cuidado de uma tia distante. Aunt Josephine, uma viúva que vive numa casa sobre o lago Lacrymose, que tem medo de tudo (especialmente do lago), menos de gramática, e possui uma extensa biblioteca constituída unicamente por livros de gramática inglesa.

Adoro o tom destes livros, a maneira como a narração decorre, intercalando a angústia dos órfãos com saídas de humor negro por vezes hilariantes. Os três irmãos são personagens adoráveis com as quais é muito fácil criar empatia. Acho especialmente piada às inúmeras referências literárias e trocadilhos ao longo dos três livros, começando com os nomes das várias personagens e locais. 
Segundo li, estes livros foram criticados em diversos contextos, pelo conteúdo catastrófico e pelas diversas coisas que acontecem às personagens, especialmente tratando-se de livros infantis. Os livros estão classificados para maiores de 9/10 anos, e creio que se trata de uma classificação adequada. As crianças por vezes têm uma maior capacidade de entender histórias "pesadas" do que o que lhes damos crédito.

Quanto ao audiobook em si, estou a adorar a narração. Os 1º e 2º livros são narrados pelo actor Tim Curry, com a excepção da introdução por Lemony Snicket, narrada pelo próprio autor. No entanto, o livro 3 é narrado na íntegra pelo autor, e apesar da mudança de me ter feito alguma confusão no início, rapidamente me habituei, e gosto das duas vozes. Enquanto que a edição em papel destes livros inclui ilustrações que obviamente se perdem na versão áudio, o audio-book tem interlúdios musicais no início e final de cada livro.

Como já referi, oiço audiobooks quando vou pela rua a caminhar ou ando por casa a fazer tarefas (cozinhar, passar a ferro, arrumar  e limpar a casa, etc. Gosto especialmente de ouvir livros quando estou a fazer bolos, não me perguntem porquê), actividades essas que podem ser mais ou menos regulares, e requerer mais ou menos concentração e multitasking da minha parte. Por essa razão, nem todos os livros são os mais adequados, para mim, para o formato de audiobooks. Estes Series of Unfortunate Events pertencem ao perfeito tipo de livro para eu ouvir em audiobook: curto, fácil de retomar o fio à meada mesmo passados vários dias desde a última paragem, história leve com narrador espirituoso e volumes episódicos mais ou menos independentes. É uma excelente maneira de aproveitar tempo em que não posso estar a ler. 

Estes livros são uma boa leitura para quem procura algo leve e divertido. Classifiquei os três volumes da mesma forma e considero que são bastante semelhantes em termos de conceito e narrativa. Estou curiosa para ver se se tornam demasiado repetitivos até ao 13 volume. 

O melhor: As personagens e o humor negro.

O pior: A narrativa dos 3 livros é quase igual.

4/5 - Gostei bastante