Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.

28/04/2011

Booking Through Thursday — Em breve, num cinema perto de si


Se pudesses ver um livro transformado no filme perfeito - um que iria captar no ecrã tudo aquilo que tu adoras, os personagens, o estilo, o sentimento, a estória - que livro escolherias?

Bom, antes de mais, vou considerar uma trilogia como um livro, para este efeito. Adoraria ver na tela a trilogia Sevenwaters, da Juliet Marillier, mas teria de ser como sugere o desafio: perfeito e capaz de captar tudo! 
Mais difícil ainda de adaptar seria outra trilogia, a das Jóias Negras, de Anne Bishop, quase impossível, diria.
Também gostava de ver uma adaptação de Os Leões de Al-Rassan, de Guy Gavriel Kay ou d'A Rapariga que Roubava Livros.
Não sei se já foi feita alguma adaptação do Diário de Anne Frank... Também gostaria de ver. 

1808


1808, Laurentino Gomes

Nº de páginas: 392
Editora: (Livros D'Hoje (Publicações Dom Quixote 2008)

Sinopse: Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu. 


Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal. 


D. João VI foi o único soberano europeu a visitar terras americanas em mais de quatro séculos e foi quem transformou uma colónia num país independente. 

No entanto, o seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento que, quando lembrado, é tratado de forma caricata. 

Mas o Brasil de D. João VI não se resume a episódios engraçados. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o cenário no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil. 

O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver os seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos. 

Como se verá, estes personagens podem ser, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, incluindo alguns actuais.



Opinião: Li este livro por insistência do meu pai, professor de História. Confesso que pensei que era um retrato da fuga da família real portuguesa para o Brasil, escrito em forma de romance histórico, e não o documento histórico que é. Este livro, conforme o próprio autor explica logo na sinopse, é fruto de uma investigação exaustiva e longa acerca deste período da História do reino. É um relato preciso, completo e detalhado da realidade política e social de Portugal nas vésperas na Invasão Francesa, das suas relações com Inglaterra e o resto da Europa, do estado do Império e finalmente, das consequências da partida de Portugal e estabelecimento da corte portuguesa no Brasil.

Todos nós aprendemos esta matéria na escola. Mas a verdade é que os livros de História não nos ensinam muito mais além da fuga precipitada da corte, acerca da fragilidade mental da Rainha D. Maria e a timidez do seu filho, o príncipe regente D. João VI. Sabemos que a aliança foi Inglaterra foi determinante nesta empreitada, e que esta fase da nossa História culminou com a independência do Brasil, pela mão de D. Pedro I (do Brasil, IV de Portugal).

Este livro oferece-nos uma descrição detalhada e fundamentada dos acontecimentos e da situação da época, muitas vezes pela própria “voz” de personalidades cuja correspondência constitui hoje documentação valiosa. Faz-nos realmente compreender o contexto em que esta insólita partida para a colónia teve lugar e os seus efeitos políticos, sociais e comerciais que desencadeou não só no Brasil, como em Portugal e na Europa.

O mais fabuloso neste livro é a maneira como conta História de forma precisa, sem se tornar em momento algum aborrecido. A escrita do autor é divertida e ritmada, incentivando o leitor a ler mais e a relacionar informação. Ao mesmo tempo, achei muito bem conseguida a estruturação da obra.

Em suma, é um excelente livro de História, muito bem escrito, e permite-nos aprender mais sobre esta fase da nossa História.

O melhor: O grande nível de detalhe e precisão dos dados; e a escrita cativante

O pior: Sinceramente acho que não tenho nada a apontar.


4/5 – Gostei bastante

21/04/2011

Booking Through Thursday — Capa

Con­se­gues jul­gar um livro pela capa?



A sério, alguém consegue? Todos o fazemos, claro, mas esse julgamento é obviamente sujeito a falha.

Muitas vezes numa livraria é a capa que nos prende os olhos e nos faz pegar num livro. Se o compro apenas pela capa? Não. Acho que a única vez que o fiz, o livro custava 2€, ou seja, fosse qual fosse a qualidade do conteúdo, o estrago não seria grande.

É sempre bom quando os livros que gostamos têm capas bonitas, que nos regalam os olhos ainda fechados. Mas a verdade é que há por aí tanto livro bom com capa horrível, e vice versa. Mas considero mais incómoda a moda de elaborar capas bastante semelhantes a outras de livros populares do mesmo género. Parece que de repente as livrarias estão cheias de livros iguais.

É verdade que os olhos também comem, mas digam-me, escolhem uma guloseima pela embalagem? :)

20/04/2011

Estante à Quarta (7)

You got to love built-in sheves...


14/04/2011

Booking Through Thursday — Personalidade

Relacionado com a pergunta da semana passada –

Estava no outro dia a ler uma citação de JFK Jr, que disse que na morte da sua mãe, ela estava rodeada pela família, amigos e pelos seus livros. Aparentemente, os livros de Jackie eram em muito uma parte dela, da sua personalidade, do seu ser. Até há pouco tempo, uma pessoa podia observar a tua estante e ficar a saber muito acerca de ti – quais são os os teus interesses, a tua faixa de temas, autores favoritos, quanto lês (ou pelo menos quantos livros compras).
No entanto isto está a mudar cada vez mais. As pessoas já não estão a comprar tantos livros como os que requisitam nas bibliotecas. Ou lendo-os nos seus leitores de e-books ou computadores. Não há nada físico nas estantes que diga aos estranhos em tua casa, para o melhor ou para o pior, quem tu és.
Achas que é uma coisa boa? Má? Discutam!

Sinceramente acho que, pelo menos à minha volta esta questão ainda não se coloca de forma tão evidente como descrita (acho muito mais flagrante, por exemplo, o caso das fotos digitais, que muitas vezes ficam no pc ou numa pen, nunca chegando a conhecer uma moldura. Se entrarem em minha casa podem pensar que sou uma pessoa solitária e sem família, porque não há um único retrato exposto). É verdade que muito mais gente tem começado a aumentar os empréstimos de bibliotecas em detrimento da compra de alguns livros. É também verdade que muita gente tem adquirido recentemente e-book readers, mas também acho que os livros que se tornam especiais e nos marcam, acabam por encontrar sempre um caminho para a nossa estante. Muitos dos livros que mais me marcaram foram lidos emprestados de amigas, e acabei por os ir adquirindo. Alguns demoraram 10 anos a chegar à minha estante, outros ainda hão-de cá vir parar no futuro.  
Além disso, existem cada vez mais plataformas virtuais dedicadas à leitura, e podemos ver a estante de uma pessoa sem entrar em sua casa. E essa estante contém não apenas os livros que possui mas todos os que leu e não tem, e os que tem e não leu. Os blogs são um bom exemplo disso mesmo, e particularmente no mundo virtual da internet, em que não conhecemos a maioria das pessoas fora dela, julgamos muito uma pessoa pelos seus livros e leituras. É por aí que nos relacionamos e encontramos pontos em comum nos interesses e gostos (daí que não ache nada estranho quando me dizem que o melhor amigo de alguém foi conhecido pela internet, mas isso é discussão para outra altura). Particularmente em relação aos e-books, acho que uma pessoa que investe numa nova tecnologia de leitura tem uma maior probabilidade de usar as novas tecnologias para partilhar as suas leituras e opiniões (seja em blogs ou outras plataformas), não só com as pessoas que visitam a sua casa, mas potencialmente com o mundo.