Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.

31/03/2011

BTT - Leituras insólitas




Depois de um interregno na semana passada, volto ao BTT esta semana:


Se és como eu, cresceste a ler tudo o que encontras, desde caixas de cereais enquanto tomas o pequeno almoço a jornais que estão a ser lidos por outras pessoas ou os títulos das revistas quando entras numa loja.

Qual foi a coisa mais estranha que leste (E não me refiro a livros, revistas, contos, poemas ou artigos)?



Eu já li isso tudo! Caixas de cereais, incluindo os jogos infantis que alguns trazem, e de tudo o que estiver embalado em redor do meu pequeno almoço, incluindo o rótulo do pacote de leite, a composição da comida da gata, ou as instruções da máquina de café, pela milésima vez.... o.O

Tenho o vício horrível de, assim que detecto alguém a ler um livro em público, imediatamente tentar descobrir qual é, quer seja a ler as margens, o próprio texto ou mesmo pôr-me em posições parvas para espreitar as capas (ai que comichão no pé me deu de repente). Digo vício horrível porque, além de ser ridículo, eu detesto que o façam comigo. Quando sinto olhares por cima do meu ombro tento esconder o livro de olhares invasores (o que não impede que continue a invadir os livros dos outros!). Se alguém estiver a estudar no comboio, não descanso enquanto não descubro qual a cadeira...

Normalmente tenho uma revista no WC para evitar estes momentos de crise. O pior é quando só há o catálogo do Ikea (que texto tem muito pouco), e tenho de escolher entre ler as características de toda a gama Billy ou os rótulos das embalagens de champô e gel de banho, bulas de medicamentos, etc.

Quando vou na rua leio tudo, desde os estampados na roupa das pessoas, a cartazes e títulos de revistas/jornais nas mãos de outrem ou nos expositores. Já para não falar das placas nas estradas (não sou condutora, portanto nem tenho obrigação de ler), graffitis e/ou stencils (alguns são bem engraçados) ou publicidade e anúncios de imobiliária nos prédios e as moradas das lojas nos sacos de compras (é verdade....). Quando vou aos correios levantar encomendas e apanho o autocarro a seguir, as primeiras paragens são passadas a ler tudo o que está no envelope, incluindo os gatafunhos específicos dos serviços postais. 
Enfim, acho que leio tudo o que os meus olhos apanham, mas isso é normal, acho eu. Se bem que às vezes vou na rua com pessoas que não se apercebem de ter passado por determinado cartaz ou anúncio...  

Acho que a coisa mais estranha que já li.... pensei que eram os pacotes de cereais e os rótulos de champô, mas parece que não!... Foram sms's de pessoas nos autocarros. Pronto, eu admito, já li mensagens de pessoas totalmente estranhas. Não é de propósito. As pessoas estão com os telemóveis na mão a escrever ou a ler, aquilo faz barulho, o meu reflexo é seguir o som, e pimbas! Já olhei, já li! Não consigo evitar, e até fico com vergonha. Já sabem, se virem uma jovem com ar teimoso a tentar ler o vosso livro, tenham cuidado porque posso ser eu, e a seguir leio-vos as mensagens! 

Comecei este post com um sentimento de "afinal não sou só eu", mas depois desta enumeração toda começo a pensar que sou um bocado doente.... 

30/03/2011

Estante à Quarta (4)

Ora digam lá que, no tempo que lá passam, nunca tinham pensado no jeito que daria.


Imagem original daqui.

Nota do Tradutor

A partir de hoje, quando der a minha opinião dos livros lidos, passarei a atribuir também uma nota ao tradutor, da mesma forma que dou ao livro. Porque uma má tradução pode estragar um bom livro, mas uma boa tradução pode revelar-se uma mais valia para os leitores estrangeiros, também merecem receber os louros pelo seu trabalho (ou receber nota negativa, se for o caso).
Já comecei com a opinião publicada há minutos, O Traficante de Armas, de Hugh Laurie, em que a boa tradução foi determinante para manter a voz humorística do autor. 

O Traficante de Armas


O Traficante de Armas, Hugh Laurie
Título original: The Gun Seller
Tradutor: João Henriques (nota ++)
Editora: Caderno



Sinopse: Thomas lang é um ex-polícia que se tornou um mercenário. Um dia recebe a visita de um tal McClusky, que lhe oferece cem mil dólares para assassinar Alexander Woolf, um empresário americano com negócios na Inglaterra e Escócia. Indignado, Lang recusa o trabalho e decide avisar a vítima para o perigo que corre, em vez de matá-la: uma boa acção que não ficará impune. 

A partir do momento em que o protagonista entra em contacto com a família Woolf ver-se-á imerso num turbilhão de mentiras, corrupção e violência, que o obrigará a esmagar umas quantas cabeças com a estatueta de um Buda, a medir o seu engenho com multimilionários malvados e deixar a sua vida (entre outras coisas) nas mãos de um grupo de femmes fatales. 

Hugh Laurie apresenta-nos um engenhoso e ácido romance que fará as delícias não só dos seus fãs, mas também de todos os leitores ávidos por enredos originais e cativantes. 


Opinião: Eu juro que tentei ler este livro sem ter em mente que o seu autor é um dos mais brilhantes comediantes europeu das duas últimas décadas. Eu juro que tentei ler este livro sem associar o narrador ao sotaque britânico delicioso do autor, e tentei ser imparcial relativamente ao sentido magnífico de humor de Hugh Laurie. Eu tentei, mas ele não deixou. 

Este livro respira Hugh Laurie em todas as letras. São vários os elementos: o excelente sentido de humor do narrador e personagem principal (publiquei aqui as primeiras linhas do livro, e dá para ver o tom do discurso); a mentalidade de superioridade britânica face à América da parte de um inglês “obrigado” a lidar com americanos em contexto profissional; até a necessidade de disfarçar o sotaque britânico tão próprio para exercer uma profissão e até fazer-se passar por americano nascido e criado; e Londres, cidade que adoro, como pano de fundo de grande parte da acção. Todos estes elementos, além de me remeterem para o artista Hugh Laurie e para as suas performances enquanto actor e comediante, prenderam-me do início ao fim como narrativa. Muitos só conhecem este artista pela famosa (e excelente, uma das minhas favoritas) série de TV House (e uns poucos pela fantástica Black Hadder), mas a carreira dele no Reino Unido começou há muitos anos atrás, e além de cantar, tocar e representar com um humor apurado, também escreve. Recomendo uma breve pesquisa no YouTube dos vídeos mais antigos dos programas deles se quiserem rir-se um bom bocado. Mas voltando ao livro...

Um homem britânico que anda metido com pessoal do governo de Sua Majestade, por causa de uma confusão com uns americanos brutos e limitados (não são todos?), que apenas procura levar a sua vida descansado, e se possível com uma Glock à mão. No meio disto tudo há uns negócios de venda de armas que envolvem terrorismo, e Thomas Lang é deixado numa encruzilhada moral, da qual só consegue ver os olhos da bela americana Sarah Woolf. 

Gostava de ter conseguido dedicar mais tempo à leitura deste livro, para que esta tivesse sido mais fluída, porque este enredo está repleto de reviravoltas, surpresas inesperadas e personagens determinantes. Infelizmente não tive disponibilidade para tal, e acabei por me sentir uma ou duas vezes perdida no meio de tantas curvas, mas sempre divertida e a soltar gargalhadas no autocarro. Se é verdade que por vezes me senti confusa com as reviravoltas no enredo, considero que além da escrita fantástica do autor, um dos pontos fortes neste livro é precisamente o facto de o leitor não saber em quem acreditar. Se por um lado Thomas Lang parece não poder confiar em ninguém (e quando parece que confia, nós não sabemos se confia mesmo ou se quando virar costas vai agir ao contrário), nós também não sabemos bem se confiamos em Thomas Lang. Estranho, não? Tendo em conta que o ponto de vista é dos pensamentos da personagem, é preciso o escritor ser terrivelmente engenhoso e inventivo para não revelar o que não quer que seja revelado. Até ao final, a dúvida quanto às verdadeiras intenções das personagens permanece juntamente com a verdade acerca do nosso herói. Porque ele torna-se o nosso herói desde o primeiro momento em que entramos na sua cabeça, mas mesmo assim o final é surpreendente. Reconheço que o enredo é pouco sólido de forma geral, porque se foca muito nos pormenores, mas não deixa de ser brilhantemente bem escrito, um livro despretensioso e uma óptima forma de passar o tempo. 


O melhor: A escrita divertida, chegando a ser hilariante. 

O pior: O enredo em si pouco sólido em certos pontos. 

4/5 – Gostei bastante

29/03/2011

Kreativ Blogger Award


Foi com muita satisfação que recebi este destaque da parte da Olinda. Foi certamente o efeito das insónias que a fez tomar tal decisão, mas eu cá não me queixo! :) Vou apenas cortar a metade o nº 10, e reduzir os itens para 5.

Começo por enumerar 5 coisas que gosto, e que gosto de partilhar:
1 - Livros, gosto de emprestar e dar a conhecer a outros os livros que me apaixonam.
2 - Opinião, sim, difícil é ficarem sem saber o que acho de dado assunto.
3 - Novidades sobre livros e autores, estou sempre à procura e adoro partilhar
4 - Sorrisos
5 - Blogs :)

E atribuo aos seguintes blogs o Kreativ Blogger Award, pela criatividade e coerência com que publicam, e porque são sempre textos interessantes. O chamado serviço público da web.
Bitaites
Horas Extraordinárias
Bela Lugosi is Dead
Lâmpada Mágica
Rascunhos