Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.

06/03/2011

Os Dragões estão a chegar....

...preparem-se para a Dança.

É oficial, e quem o diz é George R. R. Martin, o autor daquela que é a nossa saga de Fantasia favorita. Se não é, só pode ser porque ainda não a leram! As Crónicas do Gelo e do Fogo têm neste momento 4 livros publicados (8 em Portugal, onde os calhamaços foram divididos em livros transportáveis na minha carteira!), sendo que o último foi publicado no original em 2005. Desde essa altura que fans e simpatizantes esperam, e alguns desesperam, por este A Dance with Dragons.
Sim, o Martin já deu outras datas antes, como ele próprio admite na sua declaração, e muitos são aqueles que há muito desistiram de ver o livro cá fora ainda nesta vida. Mas desta vez, aparentemente, é diferente. O livro não está pronto, mas estará a 12 de Julho de 2011, e pronto para nos chegar às mãos!

Esta é a data a marcar nos vossos calendários e para preparar a encomenda no BookDepository. Muitos ainda não acreditam, e querem esperar para ver. Até lá, e para não nos distrairmos, e para não corrermos o risco de nos distrairmos e deixar passar a data (yeah sure!), arranjei esta imagem para sabermos quanto tempo falta. Hmm... não gastei assim muuuito tempo a fazê-la. Não se preocupem, o vosso pc não se vai auto-destruir quando a contagem terminar (segui o exemplo do próprio autor, esse sim deve temer pela própria vida se não puser o livro cá fora. Muahaha!).

À altura da publicação desta entrada, faltam 127 dias, 22 horas, 25 minutos e 40 segundos.
Não que alguém esteja a contar, claro :)




Outra contagem decrescente para Westeros está por conta da HBO, é mais curta, e podemos ter a certeza que não é adiada! A série com base no primeiro livro, Game of Thrones estreia já a 17 de Abril e cada vez há mais vídeos a surgir para abrir apetites. Precisamente para esse efeito, fica aqui o mais recente trailer. Estou ansiosa. Parece que 2011 é o ano de Westeros, o Inverno está a chegar. 


04/03/2011

Um Crime no Expresso do Oriente

Um Crime no Expresso do Oriente, Agatha Christie
Tradutor: Alberto Gomes
Nº de páginas: 236
Editora: Edições RBA


Sinopse: Em pleno Inverno, Poirot encontra-se em Istambul, decidido a tomar o Expresso do Oriente. Depois de uma noite mal passada, a sua tranquilidade é perturbada quando uma tempestade de neve obriga o comboio a parar e aparece o cadáver de um passageiro brutalmente apunhalado. 


Opinião: Este é apenas o segundo livro que leio da mestre do crime, Agatha Christie, depois de Morte no Nilo. É também o primeiro em que travo conhecimento com o mítico Hercule Poirot, apesar da sua fama o preceder, claro. 


Além do enredo em redor do crime, este livro conquistou-me logo pelo cenário, comboio mais famoso do mundo: o Expresso do Oriente. Adorei a maneira como cada uma das personagens (os suspeitos, portanto) foi sendo introduzida juntamente com um pedaço de informação relevante, mas aparentemente casual. 

Gostei do tom dedutivo dos diálogos e o livro prendeu-me desde o início até à última página. A única coisa que consegui adivinhar, quando estava quase no fim do livro e já se isolavam alguns suspeitos, foi que provavelmente nas poucas páginas que faltavam alguma reviravolta surgiria e mudaria tudo. E não me desiludiu. 
Tenho este livro numa edição da colecção de banca da RBA, e a qualidade é muito boa mesmo. Quer na publicação em si (capa dura e boa qualidade do papel) como da tradução e texto. 

Uma leitura leve mas absorvente, que dispensa apresentações. Recomendo.

O melhor: O raciocínio dedutivo. 
O pior: Nada que tenha identificado. 

4/5 – Gostei bastante.

03/03/2011

BTT - Batota

Fazes batota e esprei­tas o fim dos livros? (Vá lá, sê honesta)




Excelente questão. Eu, nunca! Abomino spoilers e sou capaz de cortar relações com amigos queridos devido a sessões intencionais de spoilers. Em discussões animadas de filmes e livros começo a gritar "Spoiler Alert" quando alguém se entusiasma. Em leituras mais entusiasmantes, os meus olhos querem saltar uns parágrafos, e acabo por ler umas linhas à frente (depois volto para trás, e depois volto a avançar), e quando isso acontece até tenho o hábito de pegar no marcador de livros ou num papel e tapar as linhas abaixo do que estou a ler.
Às vezes nem sinopses leio. Quando confio nas opiniões e gosto do autor, nunca leio a sinopse. Acho que às vezes revelam demasiado.

Mas é uma questão pertinente porque conheço quem faça batota.Tenho uma amiga que lê as primeiras e as últimas linhas (se possível, a página) de todos os livros que compra, e outra que tem o hábito de quando a leitura está naquela fase em que não se sabe como é possível aquilo acabar bem, não resiste a ir ler as últimas páginas. E ainda outra que adora ir à net ler o que vai acontecer nos livros que anda a ler. Acho que são doentes :)

Mas pronto, como a pergunta pede honestidade, tenho de confessar que li a última frase de um livro, assim que o comprei e antes de o começar a ler. Foi o Harry Potter and the Deathly Hallows. Tinha havido uma discussão online antes do lançamento do livro, acerca de qual seria a última palavra do último livro do Harry Potter. Algumas pessoas tinham lido aquelas cópias piratas e falsas, e diziam que era "scar", ao mesmo tempo que revelavam uma série de barbaridades que supostamente aconteciam no livro. Não resisti a verificar qual era a última palavra, mas os meus olhos leram a última frase completa, e nunca mais me esqueci: *SPOILER* "All was well."

02/03/2011

Autor vs Obra

Surgiu no fórum Bang! uma animada discussão que acabou por derivar para o seguinte tema:
Até que ponto o leitor consegue/deve separar a apreciação da obra da opinião acerca do autor?

Lembro-me de alguns casos concretos: Miguel Sousa Tavares, António Lobo Antunes. Ambos são pessoas que desencadeiam polémica com as suas declarações, e ambos são escritores de sucesso. Também José Saramago despertou ódios em muita boa gente, e algumas das pessoas que o consideraram alguém desagradável são também admiradores da sua escrita.

A verdade é que na literatura procuro não misturar as águas, e tento não partir para uma leitura influenciada pela minha opinião pessoal acerca do autor em quanto pessoa. No caso particular do MST, do qual tenho uma opinião mais definida e não muito positiva, demorei muitos anos a finalmente ler o romance Equador, mas as razões foram todas menos o facto de não simpatizar com ele. Acabei por adorar o livro, tornou-se um dos meus favoritos, e continuo a considerar MST igualmente detestável nas suas intervenções na televisão (mesmo que admita que tem razão no que diz).

Terry Goodwin, autor da saga The Sword of Truth, causou uma enorme polémica no seio dos leitores de Fantasia, com algumas declarações e tomadas de posição no mínimo "fortes" relativamente aos seus livros e à literatura do género Fantasia e com considerações políticas. As suas afirmações inflamaram a internet (onde eu descobri essas barbaridades do senhor, aqui) e os leitores de Fantástico.Com muitos leitores perdidos pelo caminho, arrisco dizer.

A questão alarga-se a outras áreas que não a literatura, por exemplo, as recentes notícias do despedimento do estilista Galliano por declarações anti-semitas e de admiração nazi. A verdade é que o talento de Galliano é reconhecido independentemente das suas convicções, mas obviamente a questão moral associada não pode ser ignorada. Mais uma vez a questão criador vs obra é difícil de gerir.
Há uns anos atrás Tommy Hilfigger foi envolvido numa polémica relacionada com alegados comentários racistas, que originou um boicote aos produtos da sua marca que durou anos. Não se verificou a veracidade desses comentários, mas milhares de pessoas no mundo inteiro não hesitaram em deixar de adquirir as peças do criador e a sua marca. 

Estou convencida que tenho conseguido separar as águas, mas tenho relutância em afirmar com certeza que se um escritor proferisse declarações como as de Galliano, ou piores ainda, eu gastaria o meu dinheiro num livro seu. 
E vocês, conseguem separar o autor da sua obra? Avaliar um livro pelo que é e ignorar a opinião que têm do seu autor?

Quarta estante


Em honra da Elphaba, que depois da última estante se mostrou desejosa de eclipsar as pilhas de livros que tem pelo quarto. As pilhas também podem ser adoráveis :)

(imagem original daqui)