Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.

27/01/2011

Booking Through Thursday - Pesado


Qual foi o maior livro, o mais volumoso e pesado, que já leste? Leste por obrigação? Por prazer? Para a escola?

O maior e mais pesado livro que tenho em casa é o Molecular Biology of The Cell. Não é literatura, antes a Bíblia da Biologia Celular. Dizer que já o li não é propriamente verdade, mas durante uns meses usei-o para estudar. Tem 1600 páginas de tamanho superior a A4, e é extremamente pesado! Definitivamente não foi lido por prazer.

Estou neste momento a ler o livro de literatura mais pesado e com maior número de páginas que tenho na estante, e penso que nunca li outro maior. É o 2666 do Roberto Bolaño. Tem 1030 páginas na edição portuguesa (com páginas muito finas, letra muito pequena e o que faz poupar cerca de 100 páginas relativamente à edição inglesa). É tão pesado e grande que quase me provoca lesões nos membros superiores (felizmente tenho isto!). Está a ler sido verdadeiramente por prazer.

A edição que tenho do Conde de Monte Cristo, que não foi a que li, também é assustadora, em dois volumes de umas 600 páginas cada. É uma edição incompreensível do Público com uma letra gigante. Outros calhamaços por ler tenho O Nome do Vento e Nómada.

25/01/2011

Aquisições de Janeiro

 Os Deuses dos Livros que me ajudem. Uma das minhas resoluções de Ano Novo foi procurar reduzir o número de livros a adquirir, de forma a conseguir dar cabo da minha pilha de livros para ler. Bom, Janeiro é logo o primeiro mês, por isso não conta! 


Este mês fui à Fundação Dr Cupertino de Miranda, na Boavista, onde está a decorrer a Festa do Livro. Com livros de fim de stock a preços malucos e também novidades disponíveis, esta festa é uma perdição. Foi lá que adquiri, desde 1€ a 5€:
O Clube de Combate, Chuck Palahniuk
O Feitiço, Chalotte Brontë
A Ilha do Tesouro, Robert Louis Stevenson
Romeu e Julieta, Shakespeare
A Sangue frio, Truman Capote.
O Rei do Inverno, primeiro da trilogia do Senhor da Guerra, de Bernard Cornwell, pelo excelente preço de 12.5€. Já queria ter esta trilogia há imenso tempo, por isso estou a ponderar ainda voltar lá para buscar os outros dois pelo mesmo preço. 
Comprei ainda à Colibri o Sally, de Jorge Candeias, e pela encomenda à Saída de Emergência vieram o Sr Bentley, o Enraba Passarinhos (com a sua fitinha marcadora de páginas sob ataque felino) de Ágata Ramos Simões e Alex 9 - A Guardiã da Espada, de Martin S. Braun.



Ofertas ou via WinkingBooks chegaram:
O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick.
A Casa das Sete Mulheres, Letícia Wierzchowski 
O Labirinto Perdido, de Kate Mosse
O BarãoTrepador, de Italo Calvino




Existe algum grupo de ajuda para isto? Bibliófilos Anónimos. Quem se junta?

24/01/2011

Acessórios literários para Bibliófilos

Bem o sabemos, a devoção aos livros abrange não apenas o conteúdo literário como o objecto físico do livro. Mas nem só de livros vive um bibliófilo. 

O verdadeiro "bookworm" deleita-se não só com o próprio livro, como com todo o tipo de objectos relacionados com o mesmo. Quantos de nós coleccionam marcadores de livros? Quem é que não dá por si a olhar embevecido para uma estante repleta? Quantos de nós não suspiramos quando entramos numa biblioteca? 

Esta bibliófila em particular arranjou outras "manias" livrescas, que não teriam passado de meras ideias, se não tivessem sido prontamente e brilhantemente concretizadas por uma pessoa talentosa (e, admitamos, com demasiada paciência para me aturar!)

Sempre tive o hábito de transportar livros comigo em viagens. Quem tem um livro nunca está só, e as viagens passam a voar quando se está a ler. Com uma mudança de casa no ano passado, passei a ter de lidar com viagens diárias em transportes públicos, e portanto, um transporte mais agressivo para os meus pobres livros, perdidos na confusão que é (sempre) a minha carteira. Cantos dobrados, capas riscadas, lombadas sujas, páginas marcadas... não podia ser!

Vi pela net umas imagens de bolsas e capas elaboradas para proteger livros, e como quem não quer a coisa, mandei essas imagens e links para o mail da minha mãe... Que me respondeu pedindo medidas! Passados apenas uns dias recebi pelo correio esta beleza, que se tornou a minha melhor amiga, e a dos meus livros, claro:






(Como se não bastasse ainda tive a lata de encomendar outra semelhante para oferecer a uma amiga)


Como se pode ver na barra lateral, estou neste momento a ler o grande calhamaço que é o 2666, de Roberto Bolaño. O que não se vê é que o livro tem cerca de 1000 páginas e pesa 1,2kg. É quase um pacote de arroz, nem é assim tanto peso, pensam vocês. Mas quando se está a ler pela noite adentro, passadas algumas horas os meus braços estão exaustos e já não consigo pegar no livro. 
É fácil, basta pousá-lo. Mas experimentem ter um pacote de arroz com arestas duras em cima da barriga que vão descobrir que passada meia hora têm de pegar numa almofada para sustentar o raio do livro, e passar o resto do tempo em acrobacias perigosas (todo o cuidado é pouco quando se está a trabalhar com pesos pesados) com a almofada e o livro, que se não fosse tão bom, daria um excelente tijolo.



Uma destas noites fui dar a um site que indicava Gifts for Bookgeeks ou algo do género, e tive uma revelação: esta almofada! Em qualquer outra altura da minha vida talvez tivesse pensado “as coisas que eles inventam”, mas neste caso fiquei fascinada, porque ia de encontro precisamente às minhas necessidades actuais!

Como desta vez a peça me pareceu mais arriscada e elaborada (sou a total ignorante da costura), mandei novo email à minha mãe, com o link e outras imagens elucidativas, e só perguntei se era possível tal peça ser sequer feita!

Quando fui a casa dos meus pais este sábado dei de caras com a almofada especial em cima da mesa e tive um ataque de histeria:







O ângulo é o ideal para manter a leitura, e é bastante útil quando se muda de posição 30 vezes por hora quando se está a ler na cama. E nem falta a fitinha para marcar a página!

O resto da história é fácil de adivinhar. Passei esta noite a ler no sofá, super confortável na minha manta com mangas (perfeita para manter os braços quentinhos), com a minha almofada especial e o meu livro em boa forma.

Para já estou satisfeita, resta saber o que me vou lembrar a seguir. 


Ps- Posso assim confirmar que o talento para trabalhos manuais não é genético :P

21/01/2011

Microsoft Office Word no Blogger


Este post foi criado de raiz no Word e publicado directamente no blog pelo Word.

Deu-me para explorar a função "Criar novo artigo de Blogue"… Foi só associar à minha conta do Blogger (demorei uns segundos a identificar o host do meu blog como o Bloguista o.O) e não é que a coisa resulta mesmo? Sou mesmo noob nisto dos blogs!

I win!


ps- É claro que a razão pela qual eu estava a criar um novo documento no Word era para trabalhar em vez de andar a blogar, mas pronto!

20/01/2011

Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos

Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos, Ágata Ramos Simões 
Núm. páginas: 162
Editora: Saída de Emergência



Sinopse: Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos, irá provocar incontroláveis convulsões aos amantes das ditas avezinhas e a qualquer incauto que ainda não tenha compreendido as verdades do mundo. É um clister moral, uma purga mal-pensante, um insulto ao bom-gosto, um gosto pelo insulto, um compêndio de palavras feias e um espelho do Portugal politicamente correcto em que o leitor habita. O Sr. Bentley não conhece travão e nada tem de sagrado. Mais do que uma pedrada no charco, é um verdadeiro pontapé nas penduricalhas miudezas deste pântano à beira mar encalhado; Portanto, leitor, acomode a coquilha sobre as jóias da família, proteja os dentes, e prepare-se para a porrada, porque o Sr. Bentley é um peso-pesado. Um Atlas que carrega com alegria sobre os ombros tudo o que de mais abjecto, medonho, mesquinho, estúpido e medíocre os portugueses têm… e, por isso, é um verdadeiro encanto. Pensando bem, caro leitor, tire daí a mãozinha; este livro não é para si! 



Opinião: Já estava há bastante tempo (anos) de olho neste livro curioso. O título por si só faz adivinhar uma obra diferente, e a sinopse não engana. Depois de tanto tempo a adiar, a leitura conjunta no Fórum Bang! foi a desculpa ideal que me levou a finalmente incluí-lo na encomenda. 

Assim que o livro chegou estava ansiosa para começá-lo, porque em adição às expectativas anteriores, verifiquei que este livro tem uma edição primorosa: capa dura, encadernação a um papel rugoso, quase tecido; fita de marcação de páginas; papel de excelente qualidade; e o melhor de tudo, engraçadas ilustrações ao longo do texto, que deram uma graça muito especial ao livro (apesar da ficha técnica não referir o autor das mesmas). Em suma, uma excelente edição, que muito me agradou. 

Talvez tivesse expectativas demasiado elevadas relativamente a este livro. Estava à espera de me fazer dar grandes gargalhadas e de o ler num ápice. Mas não. 

O Sr. Bentley é um homenzinho desprezível. O desprezo que lhe é dirigido pelas pessoas em geral só é ultrapassado pelo desprezo que ele próprio sente pelas pessoas. Menos a sua santa esposa, a velha, que adora e maltrata com surpreendente vigor. Mas o que ele adora é visitar cemitérios e cuspir nas criancinhas. E insultar pessoas, claro, mas sempre com o seu guarda-chuva adorado, que lhe permite planar por esses céus afora e assim escapar a valentes sovas. 

Esta personagem é o centro de todo o livro. A autora escreve de forma deliciosa, com um brilhante domínio da língua, que nem o extenso uso do vernáculo disfarça. O livro está pejado de uma forte crítica à sociedade portuguesa (assumindo que não é esse o objectivo central do livro), num tom de humor negro que apesar de mordaz, não me fez rir se não em passagens. 

O Sr. Bentley é uma personagem caricata e excêntrica, e dizem que é mau como as cobras. Algumas das suas acções são verdadeiramente incríveis, e chegam a ser chocantes. Esse é outro tom do livro: chocante. Quer seja por algumas passagens do Sr. Bentley, quer pelo valente vernáculo utilizado (chega a ser palavra sim, palavra sim), é um livro que pode facilmente ferir algumas susceptibilidades. Na minha opinião pessoal os palavrões são despejados no texto como parte da caracterização do personagem (mas não deixam de ser cansativos a certa altura) e senti que em parte foi apenas e meramente com o objectivo de chocar o leitor. 

É um livro que relata episódios sucessivos das aventuras do Sr. Bentley, não necessariamente com ligação entre si. Senti que lhe faltou um fio condutor, um rumo que o poderia ter transformado numa obra genial e hilariante. Penso que este livro tinha enorme potencial e um conceito brilhante, mas a concretização ficou aquém do que poderia ter sido se a autora tivesse seguido um rumo mais maduro. 

É sem dúvida um livro diferente e irreverente, e não o considerei uma perda de tempo, mas não posso negar que me desiludiu um pouco, apesar de algumas cenas verdadeiramente interessantes. 


O melhor: A relação do Sr Bentley com a Miss Joyce e o final. 
O pior: Pensar que este livro tem um conceito brilhante e que poderia ter sido muito melhor. 

2/5 – Ok.