Quando li o post da WhiteLady no Seu Cantinho, decidi partilhar também a minha história com os livros ao longo do tempo. E depois tive uma ideia melhor: desafiar um blog amigo a fazer o mesmo, e assim criar uma cadeia de histórias sobre livros.
Fica aqui o meu percurso no reino dos livros, apesar de não conseguir lembrar-me exactamente de quando começou.
Não sei quando comecei a gostar de livros. Não me lembro qual o primeiro livro que li. Não me lembro qual a primeira história que me apaixonou e que me fez gostar de ler. Mas sei que lá em casa sempre houve livros: enciclopédias, livros de Ciência, História, Arte e de Natureza Animal. Os meus pais compravam para mim e para o meu irmão colecções daqueles livros infantis de páginas de cartão grosso, criados para resistir aos membros desajeitados de qualquer criança, mesmo assim tão manuseados que acabaram por se desfazer com o tempo. Eles liam-nos as histórias algumas vezes, mas naquela altura nem interessava tanto, o livro em si era o objecto que inspirava as histórias que nós inventávamos enquanto não as conseguíamos ler.
Não sei quando comecei a gostar de livros. Não me lembro qual o primeiro livro que li. Não me lembro qual a primeira história que me apaixonou e que me fez gostar de ler. Mas sei que lá em casa sempre houve livros: enciclopédias, livros de Ciência, História, Arte e de Natureza Animal. Os meus pais compravam para mim e para o meu irmão colecções daqueles livros infantis de páginas de cartão grosso, criados para resistir aos membros desajeitados de qualquer criança, mesmo assim tão manuseados que acabaram por se desfazer com o tempo. Eles liam-nos as histórias algumas vezes, mas naquela altura nem interessava tanto, o livro em si era o objecto que inspirava as histórias que nós inventávamos enquanto não as conseguíamos ler.
Quando tinha 6 anos o meu pai levou-me à Biblioteca Municipal da nossa cidade, para eu me inscrever. Sei que idade tinha porque tinha entrado para a escola primária. Explicou-me que sendo leitora da Biblioteca podia pedir livros emprestados, ler e depois devolver. E que podia sempre voltar para buscar mais. Um edifício antigo (tão antigo que já nem é o mesmo hoje em dia), paredes de pedra e escadas escuras, chão de madeira e…deserto, claro. É engraçado, lembro-me que na altura senti-me tão intimidada. Eu nem sabia ler ainda! Fiquei um pouco chateada por quererem que eu lesse sem ainda ter aprendido! Acho que apesar da insistência do meu pai e da senhora bibliotecária (que apesar do edifício e tantas outras coisas terem mudado, permanece ainda por lá) não trouxe nenhum livro naquele primeiro dia.
Não me lembro bem quando voltei lá, mas sei que depois do arranque envergonhado passei a ir diariamente à Biblioteca entregar 5 livros e trazer outros 5, que era o número máximo permitido. Era uma chatice preencher todos os cartõezinhos de papel cor-de-rosa das requisições, mas na verdade valia a pena, e com o tempo já nem era preciso mostrar o cartão. Livros da Disney, da Anita, contos tradicionais incontáveis e histórias infantis eram devorados diariamente. E a Biblioteca cheirava tão bem… E os livros estavam sempre lá outra vez, e alguns eu requisitava repetidamente e voltava a lê-los. Os livros de contos tradicionais eram os meus favoritos. Até recebi num Natal um livro cheio de histórias, uma para cada dia do ano (é claro que li logo tudo, mas pronto).
E quando passei para o ciclo e descobri que na escola havia outra biblioteca? É engraçado pensar que apesar de tanta oferta reli e voltei a reler tantos e tantos livros. Há histórias que simplesmente não nos deixam.
Numa feira do livro na escola o meu pai comprou uma colecção de livros infantis sobre Gnomos, Dragões, Fadas e outras criaturas mágicas, e deu-mos com a condição de ler primeiro um outro livro, velhinho e muito estranho. Sem imagens, só letras! Cheia de vontade de ler os outros mágicos, devorei Os Cinco e A Ilha dos Murmúrios, naquilo que foi o início de uma fase de leitura mais juvenil. Depois d’Os Cinco foi Uma Aventura, Alice Vieira e Sophia de Mello Breyner (anos mais tarde viria a apaixonar-me pelo Equador do seu filho), os livros de Adrian Mole…
Como sempre tive o hábito de frequentar bibliotecas, para mim era perfeitamente natural trocar livros com amigos, e tratá-los como se fossem meus. Muitos dos livros que mais me marcaram na minha vida foram-me emprestados ou requisitados (muitos dos quais tenho andado a adquirir recentemente para a minha estante pessoal). Um deles foi precisamente Harry Potter e a Pedra Filosofal, a empréstimo de uma amiga. A Câmara dos Segredos foi-me depositado na mesinha de cabeceira de um sábado de manhã, depois de muito pedinchar, certamente, e estava terminado antes do final da noite.
No 6º ano a minha professora de Português, tentando cativar alunos menos dados à leitura, propôs a leitura em voz alta de A Lua de Joana. Os 10 minutos finais de cada aula estavam reservados para ouvir a professora a ler mais um capítulo do livro, e quando tocava para a saída, implorávamos para ficar ouvir mais durante o intervalo. Já não me lembro do nome da professora, mas não me esqueci do livro. Li tudo de Paulo Coelho (apesar de hoje em dia não conseguir ver porquê, mas é daquelas coisas), apaixonei-me irrevogavelmente pelo Conde de Monte Cristo e adorei a magia no contexto histórico de Leonor de Aquitânia. Todos estes livros foram emprestados por amigas ou requisitados da Biblioteca.
Também foi pela mão de uma amiga que conheci duas das minhas autoras favoritas. A Casa da Floresta foi o primeiro livro de Marion Zimmer Bradley que li, e os livros desta autora, principalmente a Saga de Avalon e O Presságio de Fogo, foram muito marcantes para mim e definiram muito do meu percurso como leitora no futuro. Um pouco mais tarde, quase como uma evolução natural, veio A Filha da Floresta, de Juliet Marillier, a minha escritora favorita.
Por esta altura já se nota um certo padrão nas minhas leituras favoritas. Pois é, o meu género favorito é a fantasia. Muitas vezes considerado um género de literatura menor, não tenho vergonha de dizer que a fantasia me enche as medidas como leitora. A perfeita fusão entre o que de mais humano e real pode haver nas pessoas e a magia e os mistérios da Terra.
Foi quando se esgotaram os novos livros da Juliet no mercado que me virei para a internet em busca de mais informações e contacto com a própria, e acabei por me infiltrar no mundo literário da net. A partilha de informação e opiniões levou-me a experimentar leituras que talvez não arriscasse.
Mas tento ler de tudo e procuro pegar num livro em preconceitos relativos a géneros ou categorias (mas por reconhecer a minha queda para a fantasia, propus-me um compromisso literário para este ano). Estou sempre a querer ler mais, e parece sempre que é de menos. Costumo dizer que quando se tem um livro nunca se está só. Cresci no meio dos livros e cresci com eles. Mais do que companheiros que me acompanharam ao longo da minha vida, sei que aprendi alguma coisa com todos os livros que li.
Qualquer pessoa pode tornar-se um bibliófilo. Aquele que já gostava de livros antes de saber ler e aquele que só percebeu que é apaixonado por livros quando leu aquela obra que tão inesperadamente o arrebatou e lhe encheu o coração de calor.
As pessoas que não gostam de ler, simplesmente ainda não leram o seu livro favorito.
Gostava de ouvir as vossas histórias da maneira como os livros vos seguiram na vida. Vão ser todas diferentes, mas sei que vão ter muita coisa em comum.
Para continuar esta cadeia, desafio a Elphaba, do Histórias de Elphaba a contar a sua história literária.






