Pois é, final de ano e tal..
Já que, no que aos livros diz respeito, já fiz as resoluções de ano novo, só me falta fazer o balanço de 2010. Sem mais delongas:
2010 foi o ano do Acordo Ortográfico. Apesar de ainda não estar em vigor, o (des)acordo chegou este ano e causou muito pânico aos amantes da Língua Portuguesa e da literatura, aos mais patrióticos ou aos simples cidadãos. Eu paniquei. Eu admito. Paniquei, e paniquei bem. (oh oh, esta palavra não existe nem no acordo nem fora dele, mas qualquer dia já existe, porque a Língua é mutável eheh. À excepção do Latim, claro, e às tantas é por isso que lhe chamam uma língua morta). Revoltei-me e reclamei, e voltei a revoltar-me com pérolas do género: "eu vou continuar a escrever como quero!" e "eu vou escrever sempre facto com o 'c'!". Mas isso descobri eu depois. Foi quando me disseram: E ainda bem, até porque de facto, facto escreve-se facto. Com acordo ou sem ele. Oh diabo... pensei eu, afinal ando enganada.
Porque a internet é uma fonte de informação inesgotável (entre outras coisas), e eu estou sempre a aprender com ela. Ou melhor, com outras pessoas melhor informadas que eu, com as quais me meto à conversa na net. A minha opinião em relação ao Acordo amadureceu, e o pânico foi-se. A culpa da minha ansiedade inicial, acuso e aponto o dedo, foi da catastrófica comunicação social, que desinforma habilmente a população. Acredito que não "vamos passar a escrever em brasileiro", nem de perto nem de longe. As alterações não são assim tão gigantes e são perfeitamente naturais. Li uns 3 ou 4 livros (pelo menos) traduzidos para a Língua Portuguesa ao abrigo das novas regras do Acordo, e só num deles é que me apercebi claramente das alterações. Outro houve em que me apercebi, mas apenas porque a meio da leitura soube que já estava escrito com as novas regras, e tratei de escaranfunchar todos os parágrafos daí em diante à procura dos "c" invisíveis, que acabei obviamente por encontrar.
Se preferia que as coisas se mantivessem iguais? Claro. Mas não acho que seja motivo para pânico nem revoltas, muito menos arritmias literárias, principalmente porque ninguém vai ser obrigado a escrever segundo as novas regras, e as grafias anteriores ao Acordo serão aceites na mesma e consideradas igualmente correctas.
Em suma, eu e praticamente toda a gente da minha geração e anteriores, vamos continuar a escrever como aprendemos e achamos bem. Quer seja porque somos contra ou porque burro velho não aprende línguas. Mas as gerações mais novas vão aprender na escola uma grafia mais adequada ao português que falam e que se falará nas próximas décadas.
Quanto à leitura per capita, e voltando ao balanço...
Li 43 livros em 2010. Mais do que em 2009 certamente, apesar de ter sido a primeira vez que contabilizei.
Considerando o aumento na quantidade de literatura por metro quadrado cá de casa, e também das leituras per capita, devo dizer que em termos que quantidade não foi um ano nada mau.
Igualmente, em termos de qualidade, 2010 foi um ano de boa colheita, por assim dizer. Li excelentes livros ao longo deste ano. Alguns, não tenho dúvidas, tornar-se-ão com o tempo em favoritos de sempre. Apesar de todos os esforços, também li alguns livros que foram perdas de tempo. Nunca se consegue escapar totalmente às uvas podres, e pior são aquelas que até tinham bom aspecto.
Segue a lista, no meu entender, claro:
O Melhor de 2010:
(sem ordem definida)
A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón
Os Leões de Al-Rassan, Guy Gavriel Kay
A Canção de Kali, Dan Simmons
Duna, Frank Herbert
Os Homens que Odeiam as Mulheres, Stieg Larsson
A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo, Stieg Larsson
A Mulher do Viajante no Tempo, Audrey Niffenegger
O Físico, Noah Gordon
O Dardo de Kushiel e A Marca de Kushiel, de Jacqueline Carey
A Senhora de Shalador, Anne Bishop
O muito mau:
(vulgo, por que raio é que eu li isto?)
Darwinia, Robert Charles Wilson
Comer, Orar, Amar, Elizabeth Gilbert
As surpresas positivas:
Guerra Mundial Z, Max Brooks
Eu Sou a Lenda, Richard Matheson
A Canção de Kali, Dan Simmons
As desilusões:
Pátria, R. A. Salvatore
O Mago, Raymond E. Feist
O Evangelho do Enforcado, David Soares
O Festim dos Corvos, George R. R. Martin
A lista completa está na página Leituras 2010, no topo do blog. Lamentavelmente, só li 3 livros de autores portugueses. Pergunto-me: como é possível!? Que vergonha! É um dos objectivos para 2011, sem dúvida! Nunca se publicou tanto livro em Portugal, e as editoras estão a apostar, e bem, em jovens autores portugueses, principalmente no género do fantástico (tão inflamado nos dias que correm!). Há vários nomes de novos autores (alguns novos para mim, e outros verdadeiros estreantes) que tenho debaixo de olho, e não apenas por serem portugueses, mas porque me parecem verdadeiramente bons. E não se pode desperdiçar o talento nacional. Há que ter em atenção o PIB e comprar nacional.
Falando em PIB.. Quanto ao balanço financeiro do vício... Não quero fazê-lo! Até porque ainda quero ler muitos livros antes de morrer, e se fizesse as contas ainda entrava em paragem cardio-respiratória e a gata da foto ficava orfã, e ela não gosta de mais ninguém a não ser eu (e mesmo assim é só às vezes hihi).
Fica apenas a nota, pequenina, que tenho uma boa pilha para ler, e tenciono acabar com ela em 2011 (serve?). Ah, e que as minhas estantes estão cada vez mais bonitas :)
Desejo a todos umas excelentes entradas em 2011, e boas leituras.