Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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16/07/2013

Top Ten Tuesday - 10 Autores que Merecem Mais Reconhecimento


Rubrica Top Ten Tuesday, originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish.

O tema desta semana é Autores que merecem mais reconhecimento. É sempre relativo falar de reconhecimento de um autor. Falamos de crítica especializada? Popularidade no meio? Vendas de livros? Nomeadamente nos géneros de fantasia e ficção científica, um autor pode ser bastante reconhecido nesse nicho, ser premiado, mas ser completamente desconhecido do público em geral. Por outro lado, há autores que se tornam bastante populares e publicam best-sellers, mas permanecem afastados dos prémios literários e pouco valorizados pela crítica. Neste top, vou considerar meramente autores que considero bons autores, e que sinto que são pouco conhecidos fora do meu círculo pessoal de bibliófilos e bloggers. Basicamente aqueles autores que eu não consigo parar de recomendar, e/ou desencadeiam em mim a reacção "como assim, nunca ouviste falar deste autor?!".


1. Guy Gavriel Kay. Considero um autor fantástico, apesar de, e com vergonha, apenas ter lido um livro seu (por favor não me tirem o Cartão de Fã). Os Leões de Al-Rassan tornou-se um dos meus livros favoritos de sempre, por aliar elementos como ficção histórica ao mais alto nível, fantasia, excelente enredo, personagens apaixonantes e uma prosa fantástica. Apesar de ser bastante conhecido nos EUA e no Canadá (o seu país natal), não posso deixar de recomendar este que considero um dos autores mais underrated da actualidade.




2. Juliet Marillier. Alguém que frequente este blog só de vez em quando já se apercebeu da minha adoração por aquela que é a minha autora mais querida. Apesar de começar a ser mais conhecida em Portugal e não só, devido aos seus últimos livros YA, fico sempre frustrada por este aumento de popularidade se dever mais a uma moda literária actual do que às suas obras maravilhosas publicadas anteriormente. O seu nome é bastante conhecido dentro de alguns círculos, mas sonho com o dia em que esta adorada mestre seja reconhecida o suficiente para constar nos tops de vendas e de popularidade, ao lado de grandes contadores de histórias de fantasia (e que então possa escrever o que quer, e não o que lhe é imposto pelas editoras).



3. Markus Zusak. Este senhor escreveu um livro sublime, sobre a guerra, sentimentos, livros e a Morte. The Book Thief, ou A Rapariga que Roubava Livros, em português, é um livro que toda a gente que gosta de livros devia ler. É tocante e brilhantemente escrito, e apesar de constar nas listas de livros favoritos de leitores, não vende cópias suficientes para me deixar satisfeita. O filme do livro está em pré-produção, por isso suponho que a partir de 2015 este reconhecimento se concretize


4. Anne Bishop. Um pouco como a minha querida Juliet, esta é uma autora que me enche as medidas como poucos. Autora de uma trilogia (e vários livros-satélite) tão negra e pesada como arrebatadora, pode-se dizer que Anne Bishop e as suas Jóias Negras não são para todos os gostos, e compreendo o porquê. Mas ainda assim, e principalmente agora que obras de sucesso começam a trazer leitores e espectadores para fora da zona de conforto, espero sempre que seja reconhecida mais globalmente, ou pelo menos no nicho do género fantástico.





5. Noah Gordon. O Físico, deste autor, foi um dos melhores romances históricos que eu já li. Constitui uma vívida viagem ao passado, diferentes culturas e seus conhecimentos e religiões. Diversos dos seus livros chegaram a ser publicados em Portugal pela Bertrand (em edições que deixaram muito a desejar) mas hoje em dia os seus livros estão descontinuados e são muito difíceis de encontrar. A edição da (saudosa) Biblioteca da Revista Sábado permitiu-me adquirir esta obra pelo euro mais bem gasto de sempre.





Não consigo lembrar-me de dez autores, mas quero deixar uma Menção Honrosa.

Actualmente não lhe falta popularidade a nível mundial, mas alguns de vocês lembram-se do tempo, circa 2007-2008, em que recomendavam George R. R. Martin e as suas Crónicas de Gelo e de Fogo a todos os amigos e conhecidos.


O seu nome está em todos os tops de vendas, e deixou de ser um nome reconhecido pela crítica  e pelos leitores de fantasia, para ser o autor top nos Estados Unidos. É provavelmente um dos autores mais requisitados da actualidade e não tenho qualquer dúvida que é, pelo menos, o autor ao qual os seus leitores mais facilmente associam a cara, devido à enorme exposição mediática que tem tido.
A série de tv Game of Thrones foi provavelmente a melhor coisa que lhe aconteceu os últimos anos, mas sem dúvida que posso dizer o mesmo dos milhões de leitores que através dela descobriram livros inesquecíveis e, muitos até, o prazer da leitura (O pequeno hipster dentro de nós sorri condescendentemente face ao entusiasmo de novos fãs).


02/07/2013

Top Ten Tuesday - Top 10 Livros Intimidantes


Rubrica Top Ten Tuesday, originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish.

O tema desta semana é Livros Intimidantes. Seja pelo seu tamanho, pelo tema, por toda a gente gostar haver o receio que não se vai gostar, etc. Achei o tema muito interessante, tanto que tive de refazer a lista, porque tinha demasiados livros! Tirando o primeiro gigante, excluí todos os grandes clássicos da literatura, que por si só fariam duas listas. Aqui ficam os livros que me intimidam, sem ordem particular:




Os Miseráveis, Victor Hugo. Demorei *anos* para começar a ler este livro, e apesar de já ter lido o primeiro volume inteiro e até ter gostado bastante, continuo a sentir-me intimidada por esta grande obra. Não é apenas pelo número de páginas (era essa a desculpa que dava a mim própria, mas comparei com algumas obras de fantasia ou romances históricos e não é muito maior do que alguns livros que já li!), mas também pela densidade da obra. O facto de ser um consagrado clássico da literatura e ter sido adaptado inúmeras vezes em diversos formatos e ser amado e odiado pelo mundo fora. Terminei o primeiro volume e deixei em suspenso porque me disseram que o segundo volume é o mais difícil de ler. Terei de encontrar coragem!



North and South, Elizabeth Gaskell. Este foi-me recomendado tantas, mas tantas vezes por pessoas cuja opinião valorizo imenso, e quero muito lê-lo. Mas e se não gostar? E se a versão inglesa que tenho for demasiado datada para conseguir disfrutar o livro? E também não é pequeno.


Gone With the Wind. Adorava ler este livro, quero lê-lo há anos, mas passa-se exactamente o mesmo que com o livro anterior: leio em português numa tradução duvidosa ou arrisco no original? 



The Wheel of Time, Robert Jordan. Muitos consideram a saga máxima da fantasia, outros afirmam estar ultrapassada por sagas posteriores. Se ao mesmo tempo sinto que deveria ler este marco da fantasia, temo que vá concordar com as opiniões que afirmam que a saga perde interesse, principalmente para quem já leu muita fantasia moderna.


Catcher in The Rye, J. D. Salinger. Sendo quase impossível de encontrar a tradução em português, já tinha decidido ler este clássico da literatura americana no original, até alguém me ter dito que não gostou muito, porque sentiu que lhe escapavam detalhes importantes na escrita, por recurso a calão americano da época. Como se a fama do livro não fosse suficientemente intimidante, por isso lá vou adiando...



O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien. Sim, este mesmo. Li apenas A Irmandade do Anel há anos e gostei bastante da história mas a escrita do Tolkien não me cativou. Talvez tenha sido da tradução, mas mais uma vez, temo não apanhar todas as subtilezas da escrita original se ler em inglês. Depois de passar uma década a adorar os filmes e tudo relacionado, tenho pavor de pegar nos livros originais e não adorar. Por via das dúvidas vou adiando.




William Shakespeare, qualquer obra. Adoro todas as passagens que vou lendo das suas peças, mas nunca tive coragem de pegar e ler a obra inteira.



Seer of Sevenwaters and Flame of Sevenwaters, Juliet Marillier. Adoro a Juliet, é a minha autora mais querida e os livros da trilogia Sevenwaters ainda são dos meus favoritos de sempre. Por essa razão, esta segunda trilogia enche-me de sentimentos contraditórios de alegria e medo. Principalmente depois de ter lido O Herdeiro de Sevenwaters e não ter sido ao nível dos 3 primeiros. Mas como poderá qualquer livro chegar a esse nível? Por outro lado, Juliet escreve como ninguém, e ler qualquer coisa escrita por ela é sempre uma delícia. Tenho medo de continuar a ler os seus livros e de deixar de gostar da autora.


Dracula, Bram Stoker. Dispensa apresentações. Quero ler este livro, e tenho aquele feeling que vou gostar, mas temo que isso não aconteça.




Malazan Book of the Fallen, Steven Eriksson. Como fã de fantasia, quero há muito ler esta aclamada série, mas as opiniões que me instigam a ler também me revelam uma obra densa e complexa, por vezes difícil de ler. Sem tradução para português, vou esperando ganhar coragem para pegar nesta saga.

14/05/2013

Top Ten Tuesday - 10 Leituras complicadas


Tal como diversos blogs que sigo, também eu resolvi aderir a esta rubrica semanal, Top Ten Tuesday, originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish. Todas as terças-feiras é publicado um tema, e blogs por essa internet fora publicam o seu top 10 (ou o máximo que consigam) de livros segundo esse tema. 
Os temas costumam ser bastante interessantes, e apesar de não prometer participar todas as semanas, fica aqui hoje a primeira participação: o meu top 9 (não me consegui lembrar de 10) de leituras desconfortáveis, livros que lidem com temas sérios, difíceis para o leitor, por ordem de leitura.



Diário de Anne Frank, por Anne Frank - Li este livro na adolescência (ainda uma criança, quase), e foi a primeira leitura que me marcou. Fiquei terrivelmente impressionada com a realidade de uma guerra que ouvia falar mas da qual nada sabia e pouco queria saber. A perspectiva da guerra e da perseguição nazi, de uma menina da minha idade, em tantos aspectos tão ignorante acerca da guerra como eu, marcou-me profundamente e apesar de ter adorado o livro, foi uma leitura difícil e devido a ela sempre senti uma atracção para as obras passadas nesta época da História.



Vendidas, Zana Mushen - Tal como o livro anterior, li o Vendidas no início da adolescência e teve em mim um impacto fortíssimo. Conta a história de duas irmãs, residentes no Reino Unido e filhas de pai iemenita e mãe inglesa, que são levadas para o Iémen e vendidas em casamento pelo pai . Por várias vezes quis largar o livro, para não ler mais os horrores e humilhações que Zana e Nadia são submetidas na vida de casadas num país árabe, em lares profundamente retrógrados. O facto do livro ser contado na primeira pessoa por Zana, e de ambas terem crescido numa sociedade ocidental semelhante à minha e terem sofrido o choque cultural terrível, na minha idade, fez com que me marcasse profundamente. Um livro forte, por ser uma história real.



Lolita, Vladimir Nobokov - Este livro podia ser (e é, na verdade), um caso de estudo literário. Ainda hoje não consigo dizer se gostei dele ou não. Em retrospectiva, tudo o que tem de bom é tudo o que me repugna no conteúdo. Gostei das personagens, bem construídas e incrivelmente reais. Gostei da narrativa e do trágico da obra. Mas como é que simpatizamos com Humbert Humbert, um homem que sem hesitação chamaríamos um pervertido? Como é que acreditamos  nos seus devaneios e justificações ao ponto de acreditarmos na sua perspectiva das coisas? Como pensar que Lolita não é tão inocente como qualquer menina de 13 anos? É um livro duplamente desconfortável, primeiro pelo tema que aborda, e depois por fazer o leitor auto-criticar-se por (quase) tomar o partido do adulto abusador.




Trilogia Millenium, Stieg Larsson - Apesar do título, quem começa a ler o primeiro livro da trilogia, Os Homens que Odeiam as Mulheres, não sabe que está a ler uma obra que retrata temas fortes como a violência de género, tráfico de seres humanos, prostituição forçada,  maus tratos, negligência parental e abusos físicos e psicológicos no seio da família, na aparente sofisticada e cristalina sociedade sueca. Apesar do primeiro livro ter como trama central uma situação de corrupção financeira, a fascinante personagem principal, Lisbeth Salander, vê-se envolvida em situações que me deixaram revoltada e horrorizada. As descrições cruas de cenas fortíssimas, do ponto de vista da própria Lisbeth perturbaram-me imenso, como só o tema de violência contra as mulheres me consegue perturbar. Ao longo dos restantes livros da trilogia percebemos que o tema global é a violência contra as mulheres, nas suas mais diversas formas, numa obra cuja escrita foi motivada por um acontecimento real na vida do autor, ao testemunhar uma situação de violência contra uma jovem desconhecida. 


The Help (As Serviçais), Kathryn Stockett - Este livro retrata a realidade da segregação de raça nos anos 60, no estado do Mississipi, Estados Unidos da América. A época de Martin Luther King, e escolas de negros e escolas de brancos e violência de raça a decorrer abertamente. É a história de 3 mulheres, duas criadas negras e uma branca. Os relatos destas personagens fictícias poderiam bem ser reais, no contexto desta fase da história recente dos Estados Unidos, e o desconforto e revolta que senti ao lê-los foi bem real. 



Room (O Quarto de Jack, em português), Emma Donohue - Este livro é contado por um menino de 5 anos, que vive com a mãe num quarto. Toda a sua vida e o seu mundo são aquele quarto fechado, onde nasceu e vai crescendo. É estranha a maneira como a história nos é contada, porque um menino de 5 anos tem um raciocínio e vocabulário lineares. Mas os contornos perturbadores desta história começam a definir-se quando começamos a perceber como e porquê Jack e a mãe vivem neste quarto. 




Pequena Abelha, Chris Cleave - Mais uma vez, um livro que me impressionou e deixou desconfortável pela dose de realidade que representa. Little Bee, uma menina nigeriana, conta na primeira pessoa a emocionante história da sua breve vida, e a maneira marcante como conheceu Sarah, uma inglesa na casa dos 30 anos. Este livro aborda não só o tema da realidade violenta e dificuldades sociais na Nigéria, mas também temas mais profundos como os refugiados no Reino Unido, como as nossas vidas podem mudar para sempre por um acontecimento imprevisível,  auto-sacrifício e até que ponto estamos dispostos a sair do nosso caminho para ajudar alguém.


Habibi, Craig Thompson - A sublime arte presente em cada uma das 672 páginas desta fantástica graphic novel não deixa ignorar o forte tema da segregação feminina na cultura árabe, além da escravatura. A triste história das duas personagens principais que passam  por diversas provações é mais triste ainda por saber que é a história de muitos seres humanos. 




Gone Girl (Em Parte Incerta) - Já falei imeeenso deste livro, e podem ouvir o que eu disse aqui, além da minha opinião. Este livro perturbou-me pela excelente caracterização psicológica das personagens. É assustadora a perspectiva de que pessoas com perturbações mentais retorcidas se cruzam connosco nas nossas vidas, mas é uma perspectiva real, e este livro demonstra-o de forma brilhante.