Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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24/01/2013

Shadowfell

Autor: Juliet Marillier

Nº de páginas: 410

Editora: Knopf Books (Setembro 2012)



Sinopse: Sixteen-year-old Neryn is alone in the land of Alban, where the oppressive king has ordered anyone with magical strengths captured and brought before him. Eager to hide her own canny skill—a uniquely powerful ability to communicate with the fairy-like Good Folk—Neryn sets out for the legendary Shadowfell, a home and training ground for a secret rebel group determined to overthrow the evil King Keldec. During her dangerous journey, she receives aid from the Good Folk, who tell her she must pass a series of tests in order to recognize her full potential. She also finds help from a handsome young man, Flint, who rescues her from certain death—but whose motives in doing so remain unclear. Neryn struggles to trust her only allies. They both hint that she alone may be the key to Alban’s release from Keldec’s rule.
Homeless, unsure of who to trust, and trapped in an empire determined to crush her, Neryn must make it to Shadowfell not only to save herself, but to save Alban.



Opinião: Não é novidade nenhuma que a Juliet Marillier é uma das minhas autoras favoritas. Apenas divide o pódio com a Anne Bishop, mas a Juliet é a minha autora favorita mais antiga e à qual sou mais fiel (se bem que tem um livro que já foi publicado em português há séculos, que comprei e que ainda não li; não falemos disso, não suporto a vergonha). É-me portanto difícil ser totalmente imparcial ao emitir opinião acerca desta autora. Mas mesmo com toda a minha devoção, é com pena que vejo as pressões editoriais obrigarem-na a apostar em romances Young Adult, um género que não é o meu favorito, nem o seu forte. 

Apesar desta mágoa pessoal, continuo a ler os seus livros Young Adult e a achar que são os melhores YA que alguma vez li. Porque a Juliet é assim: uma contadora de histórias nata, que cria personagens com as quais nos ligamos imediatamente, constrói um universo envolvente e um cenário cativante seja o que for que esteja a escrever, uma mestre com as palavras. 

Não foi por isso uma surpresa quando as primeiras páginas deste livro me fizeram refém, mais uma vez. Tal como comentei algures na altura, ler Juliet Marillier é como regressar a casa. 

Shadowfell é um livro YA, o primeiro de uma trilogia cuja protagonista, Neryn, é uma jovem em dificuldades. Após a perda da família, Neryn vive constantemente em fuga devido à perseguição levada a cabo pelo tirano Rei Keldec a todas as pessoas com dons mágicos. Numa altura em que todo o reino de Alban vive com medo, e ninguém ousa abrir a porta a uma rapariga "especial", Neryn viaja sozinha em direcção ao mítico local Shadowfell. A própria jovem não sabe o que encontrar nesse local, mas memórias desse nome no seio da família e um profundo instinto que a incentiva a continuar dão-lhe força para seguir viagem. Os elementos da Natureza e a influência humana prometem no entanto dificultar-lhe o progresso, mesmo com a ajuda das criaturas mágicas Good Folk, e do misterioso Flint. 

Neryn é uma personagem com a qual senti empatia desde o início, e a personagem do Flint, misteriosa e não totalmente confiável, constitui o cativante protagonista masculino. Quanto ao cenário e às personagens, a fórmula não é novidade alguma, pelo contrário, é típica da autora. Para alguns leitores seria o suficiente para  não ler mais do que os primeiros capítulos e pousar o livro, mas eu fui cativada desde o primeiro momento. Fui recompensada ao longo do livro pelas surpresas no enredo e pelo crescimento das personagens. A história ganha ritmo desde o início e nunca perde momentum, culminando num final surpreendente e, principalmente, abrupto e em aberto. Quando virei a página e vi que não havia mais capítulos fiquei chateada com a Juliet por me deixar assim pendurada, sedenta de mais história (já a perdoei). Até pensei que o livro era minúsculo, até ter confirmado que o número de páginas é "aceitável", assumindo portanto que a leitura é que terá sido demasiado rápida. 

Este não é um livro à altura da literatura para adultos que eu tanto adoro da autora. A história sabe a pouco e os fãs mais exigentes podem não ficar satisfeitos, mas é sem dúvida uma boa maneira de voltar a casa, e eu adorei-o mesmo assim. 


O melhor: A escrita, sempre a escrita da Juliet Marillier.

O pior: O final em aberto

4/5 - Gostei bastante

14/01/2013

Life of Pi


Autor: Yann Martel

Nº páginas: 356

Editora: Seal Books

Primeira edição: 2001


Sinopse (da edição portuguesa): Publicado em Portugal pela Difel em 2003, A Vida de Pi valeu a Yann Martel o Man Booker Prize de 2002, entre outros prémios, e figurou como bestseller do New York Times durante mais de um ano. Sete anos após a primeira edição, a obra ocupa a 74ª posição no top de ficção da Amazon americana e o 99º lugar na tabela de vendas da amazon inglesa. A Vida de Pi encontra-se publicada em mais de 40 países.

Quando Pi tem dezasseis anos, a família decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se logo nos primeiros dias de viagem. Pi vê-se na imensidão do Pacífico a bordo de um salva-vidas acompanhado de uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala. Em breve restarão apenas Pi e o tigre.



Opinião: Comprei a edição portuguesa deste livro há uns 3 anos, ou mais. Não consigo encontrar a razão pela qual sempre fui adiando a sua leitura ao longo do tempo, mas este é um daqueles casos em que senti um profundo arrependimento por não o ter lido há mais tempo. A verdade é que tenho de agradecer a Hollywood por ter decidido fazer uma adaptação do livro, uma vez que foi esse o empurrão que precisava para pegar neste livro. 

Pi Patel é um menino indiano que passa a infância e parte da adolescência em convivência com os animais selvagens que vivem em cativeiro no Zoo de Pondicherry, na Índia. Até ao dia em que os pais decidem emigrar para o Canadá, levando consigo num cargueiro a maioria dos animais para realojar em zoológicos do norte da América. O cargueiro acaba por naufragar ainda na fase inicial da viagem, reunindo-se num bote salva-vidas os únicos sobreviventes da tragédia: uma zebra, um orangotango, uma hiena, um tigre de Bengala e Pi.

Filho de pais metódicos e pouco religiosos, Pi é um menino curioso e estudioso, além de profundamente sensível ao comportamento animal e à natureza humana. Pi chega aos seus 16 anos professando não só a religião hindu, comum entre o seu povo e na sua família, como também o cristianismo e o Islão, sem considerar que nenhuma das religiões contraria as outras.

O facto de uma pessoa tão profundamente religiosa escolher para si próprio (o seu nome verdadeiro é Piscine) o nome de um símbolo matemático é um detalhe delicioso desta personagem fascinante e invulgar. 

Na verdade, considero que todo este livro me cativou principalmente pela personagem de Pi. Um miúdo brilhante, inteligente e culto, sempre desejoso de aprender e incrivelmente corajoso, além de espirituoso. 

Além disso, é um livro incrivelmente bem escrito.A voz do autor é deslumbrante, cativante desde o primeiro minuto, mesmo nas partes mais aborrecidas e descritivas do livro. Ao longo da obra, e não deixando de me surpreender durante a narrativa, Yann Martel fez-me soltar gargalhadas ao longo do livro, tão frequentemente como as suas detalhadas descrições do quotidiano num bote salva-vidas e do sofrimento dos seus habitantes me fizeram ranger os dentes e pensar "por favor, já chega, é demais". Quase consegui sentir o calor sufocante, o sal a corroer-me a pele e a tensão territorial lidando com o tigre, mas logo a seguir ria-me com uma qualquer saída espirituosa do querido e corajoso Pi. 

Não há muito mais formas de descrever esta história além de dos clichés "enorme luta pela sobrevivência", "belíssima metáfora espiritual", "história de coragem e resistência" e "busca espiritual e religiosa". Mas há muito mais que se pode dizer sobre este livro. 

Yann Martel agarrou-me ao destino das suas personagens e deliciou-me com a sua escrita fantástica, ao mesmo tempo bela, simples e desarmante, com passagens inspiradoras, e por vezes até cruas e aterrorizantes. Como se não fosse suficiente, quando achava que já tinha esta história definida na minha cabeça e sabia para onde ela me levava, fui arrebatada pelo final, quando este livro me retirou o tapete de debaixo dos pés. E isso foi o melhor de tudo. Como leitora, que mais poderia esperar de um livro?

O melhor: A escrita, Pi e Richard Parker

O pior: Algumas partes cansativas no auge da jornada de Pi, mais aborrecidas.

5/5 - Excelente!

08/01/2013

Feed

Autora: Mira Grant
Nº de páginas: 571
Editora: Orbit
ISBN: 0316081051

Sinopse: The year was 2014. We had cured cancer. We had beaten the common cold. But in doing so we created something new, something terrible that no one could stop. The infection spread, virus blocks taking over bodies and minds with one, unstoppable command: FEED. Now, twenty years after the Rising, bloggers Georgia and Shaun Mason are on the trail of the biggest story of their lives - the dark conspiracy behind the infected. The truth will get out, even if it kills them.


Opinião: Este é um livro de zombies que quase não é sobre zombies. Numa altura em que os mortos vivos são uma das tendências literárias do momento, tenho tido a sorte de todos os "livros de zombies" que li (não foram muitos, é verdade) não terem sido apenas mais do mesmo. Mas de todos, este foi o melhor.


A história passa-se num futuro décadas depois do fatal ano de 2014. Nesse ano, duas descobertas científicas há muito procuradas foram atingidas: a cura definitiva da gripe e a cura do cancro. Algures no meio de interacções biológicas e propagação a nível mundial, os vírus Kellis e Amberlee usados nas insvestigações científicas terão sofrido a uma mutação que só foi levada a sério quando os mortos começaram a não permanecer mortos. 

Em 2039 as pessoas vivem, ao contrário da maioria dos cenários de histórias de zombies, num mundo tecnológico e digital. Interacções físicas em locais públicos e privados são pouco comuns e foram desenvolvidas técnicas e protocolos rigorosos de controlo da população e do estado físico dos cidadãos. Uma luz vermelha no teste de sangue requerido para entrar (ou sair) do supermercado ou restaurante da esquina pode desencadear em minutos uma operação de limpeza do foco de infecção por parte das autoridades. Numa sociedade com medo de sair de casa, a internet ganhou suprema importância, nomeadamente a comunidade blogger, que é a principal fonte noticiosa: Alcance global em tempo real, live feed.

O After The End Times é um site noticioso cujos bloggers Georgia, Shaun e Buffy foram seleccionados para cobrir a excitante campanha de um candidato à presidência dos Estados Unidos da América. Cada um deles tem um blog pessoal cujas entradas no início de cada capítulo do livro são um dos pontos altos. 

E assim, no meio da história de zombies, repleta de tecnologia e ciência realisticamente avançadas, dispositivos de segurança e protocolos de sobrevivência, começa a verdadeira história: intrigas, traição, conspirações presidenciais à escala nacional, morte (normalmente seguida de uma segunda e mais definitiva morte) e seres humanos a tentar sobreviver. 

Este livro foi uma completa surpresa. Não esperava um worldbuilding tão detalhado (às vezes até repetitivo nas descrições dos processos de segurança anti-vírus), realista e original. Apesar do símbolo de Feed na capa do livro, sempre associei o título apenas ao verbo inglês alimentar numa perspectiva de "alimento para zombie". A vertente blogger da história foi assim uma vertente totalmente inesperada que adorei. Gostei particularmente do conceito científico em redor do vírus que origina os zombies, dos efeitos fisiológicos no corpo humano e das suas particularidades além da morte do indivíduo, mas não do corpo. O livro tem algumas partes da acção mais lentas, e acho que demora um pouco a "arrancar", mas ainda assim cativou-me imenso. 

O enredo geral de conspiração é um pouco cliché, bem como as personalidades das personagens principais, apesar de ainda assim me ter emocionado no final. Quer uma coisa quer outra mereciam um vilão melhor. Tendo em conta o final deste primeiro volume, fiquei muito curiosa em relação à continuação da série. 


O melhor: O worldbuiling.

O pior: O vilão básico.


4/5 - Gostei bastante

19/07/2012

Room



Título: Room
Autor: Emma Donaghue
Nº de páginas: Kindle edition



Sinopse: To 5-year-old Jack, Room is the entire world. It is where he was born and grew up; it's where he lives with his Ma as they learn and read and eat and sleep and play. At night, his Ma shuts him safely in the wardrobe, where he is meant to be asleep when Old Nick visits.

Room is home to Jack, but to Ma, it is the prison where Old Nick has held her captive for 7 years. Through determination, ingenuity, and fierce motherly love, Ma has created a life for Jack. But she knows it's not enough---not for her or for him.

Told entirely in the language of the energetic, pragmatic 5-year-old Jack, ROOM is a celebration of resilience and the limitless bond between parent and child, a brilliantly executed novel about what it means to journey from one world to another. 

Opinião: Este livro chamou-me à atenção quando estava a ser traduzido pela Cristina Correia, a tradutora para português. A sua opinião pessoal, positiva mas pouco definida (“Bom, mas diferente, e forte” terão sido sido mais ou menos as suas palavras), a qual tenho sempre em consideração, fez-me colocar o livro na wishlist sem grandes hesitações. Mesmo sem saber quase nada sobre a história.


E de facto ela tinha razão. Este livro é bom, mas diferente de tudo o que já li, e bastante forte. É bom porque me manteve agarrada, mesmo quando ainda não percebia bem do que se tratava (a linguagem, as descrições, o contexto da situação). Diferente, porque lemos esta história através do ponto de vista de Jack, um menino de 5 anos, que vive no Quarto, e como tal, a escrita exprime a linguagem e raciocínio duma criança, em particular desta criança especial. E forte, porque à medida que lemos o dia-a-dia e os desafios que surgem no Quarto de Jack, percebemos o que significa, e o que na realidade representa a existência do Quarto e de Jack.

Emma Donahue escreveu de forma brilhante a simples e maleável mente de uma criança. Um conceito que pode parecer fácil de concretizar, mas a verdade é que é tão difícil despir a maneira como vemos o mundo da complexidade da realidade de um adulto que a sua escrita neste livro é verdadeiramente impressionante.

E principalmente (e não querendo revelar demasiado do enredo), considero que a maneira como Jack fala, pensa e lida com uma situação que se revela bastante perturbadora e angustiante, e o desenrolar da história até ao final, torna este livro diferente. É sem dúvida daqueles capazes de dividir opiniões, agradando a uns e sendo detestado por outros leitores. Só posso dizer que para mim foi a mistura improvável (e bem conseguida) da inocência de um menino de 5 anos e noções horríveis do comportamento humano que me fizeram destacar este livro.

O melhor: As descrições do Quarto e o ponto de vista de Jack
O pior: Saber que a vertente “adulta” da história, é bem real e perturbadora, ainda que bem exposta.

4/5 – Gostei bastante

22/06/2012

The Lions of Al-Rassan



Título: The Lions of Al-Rassan
Autor: Guy Gavriel Kay
Nº de páginas: Kindle edition
Releitura



Sinopse: The ruling Asharites of Al-Rassan have come from the desert sands, but over centuries, seduced by the sensuous pleasures of their new land, their stern piety has eroded. The Asharite empire has splintered into decadent city-states led by warring petty kings. King Almalik of Cartada is on the ascendancy, aided always by his friend and advisor, the notorious Ammar ibn Khairan — poet, diplomat, soldier — until a summer afternoon of savage brutality changes their relationship forever.

Meanwhile, in the north, the conquered Jaddites' most celebrated — and feared — military leader, Rodrigo Belmonte, driven into exile, leads his mercenary company south.

In the dangerous lands of Al-Rassan, these two men from different worlds meet and serve — for a time — the same master. Sharing their interwoven fate — and increasingly torn by her feelings — is Jehane, the accomplished court physician, whose own skills play an increasing role as Al-Rassan is swept to the brink of holy war, and beyond.

Hauntingly evocative of medieval Spain, The Lions of Al-Rassan is both a brilliant adventure and a deeply compelling story of love, divided loyalties, and what happens to men and women when hardening beliefs begin to remake — or destroy — a world.



Opinião: Foi a segunda vez que li este livro, desta vez no original em inglês. A primeira já foi há algum tempo e fez deste livro um dos meus favoritos de sempre. Por causa dele, em conversa com uma amiga a quem o recomendei e que acabou por o adorar tanto como eu, criámos o termo perfeito para aplicar a livros que nos enchem as medidas: “Este livro é um aquecedor de almas”. Aquele tipo de livros que não precisa de ser uma grande obra reconhecida pelos críticos para que nos toque e nos aqueça a alma enquanto o lemos, e quando mais tarde o recordamos.


Foi mais ou menos assim que surgiu esta releitura. Em conversa com a Tchetcha, que o está a ler, fiquei com tantas saudades das personagens, do universo e dos sentimentos que este livro despertou na primeira leitura que fiquei com uma vontade irresistível de voltar a Al-Rassan.


Precisamente por ter gostado tanto do livro da primeira vez, temi que a “magia” do universo se perdesse numa releitura. Felizmente isso não aconteceu. Fiquei agarrada ao livro desde o primeiro momento, pelo ambiente árabe e medieval do livro, pela descrição das culturas e do conflito religioso, pelas personagens brilhantes e a narrativa tão própria. Tal como da primeira leitura, chorei com o final e acabei a sorrir no epílogo.

O melhor: Ammar ibn Khairan. A maneira como o universo ficcional foi construído em redor da história e geografia da Península Ibérica.

O pior: Não me ocorre nada.


5/5 – Excelente

20/11/2011

Fallen Angel




Title/Título: Fallen Angel

Author/Autor: Maggie Wilson

Nº of pages/ Nº de páginas: 280

Publisher/Editora: HandE Publishers

Synopsis/Sinopse: Sister Cate Carter has been working at Westwood General Hospital for many years and always loved her job. Until the world according to Cate came crashing down when two detectives marched on to her ward. Ward 73 gave them cause for suspicion, more and more deaths were occurring with no reasonable explanation of why. This had happened before, not at Westwood General, not recently, but it had happened. David Waters, a name very well known in the medical world, was being brought up again. David was responsible for the deaths of seven patients, at least that s all they could get him for. He claimed he just wanted to put his patients out of their misery. Is this a copy-cat murderer? Or is there really another David Waters killing their patients and getting away with it? 


Review/Opinião: This book is what can be called a medical thriller with a romance twist. The plot takes place at a cirurgical ward at a hospital, when suddenly random healthy patients appear dead. The first suspicions fall on the nurse staff, and the story develops around the investigation, by Detective Charlie Hammond, and the point of view of Sister Cate Carter, responsible for the ward. 

This is certainly the kind of book for a reader with a soft spot for medical subjects. The descriptions are long and accurate, and take a great part in the writing of the story. Unfortunately I didn’t relate do any of the characters, nor to the mystery itself. And would have liked a more paced action and stronger dialogues. The romance part was weak, really. It is a light, easy read. This review is part of the Fallen Angel Book Tour, hosted by UK and Beyond Book Tours



Este livro é aquilo que pode ser chamado um thriller médico, com uma ponta de romance. A acção tem lugar numa ala cirúrgica de um hospital, quando subitamente pacientes saudáveis começam a aparecer mortos. As primeiras suspeitas recaem sobre a equipa de enfermagem, e a história desenvolve-se à volta da investigação do Detective Charlie Hammond, e do ponto de vista de Cate Carter, responsável pela ala. 

Este é certamente o tipo de livro para um leitor que tenha preferência por temas médicos. As descrições são longas e precisas, e assumem uma grande parte da escrita da história. Infelizmente não me identifiquei com nenhuma das personagens, nem com o mistério em si. Gostaria de ritmo da acção mais rápido e melhores diálogos. A parte do romance foi também bastante fraca. É uma leitura fácil e leve. Esta opinião faz parte do  Fallen Angel Book Tour, que tem lugar no UK and Beyond Book Tours

2/5 – It's OK/Está OK. 


18/11/2011

Os Jogos da Fome


Título: Os Jogos da Fome
Título original: The Hunger Games
Autor: Suzanne Collins
Tradutor: Jaime Araújo (+)
Nº de páginas: 254
Editora: Editorial Presença



Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.. 






Opinião: Já tinha comprado este livro há alguns meses, e tinha-me chamado à atenção pelo enorme fandom que os livros têm pela internet fora. Tinha intenções de o ler antes da estreia da adaptação cinematográfica, e com opiniões positivas de pessoas cuja opinião valorizo, arrisquei comprar o volume 3 da trilogia, recentemente lançado pela Presença mesmo antes de ter lido o primeiro (para aproveitar a oferta de uma caixa arquivadora para os três livros). Quando a encomenda chegou peguei neste Os Jogos da Fome e comecei a folhear por curiosidade, mas só o pousei quando o sono me venceu 70 páginas depois. 


É um livro que me deu grande gozo ler. O ritmo da escrita é viciante, a personagem principal, Katniss, cativa imediatamente e principalmente, o conceito é promissor. Um país governado por um regime totalitário, em que o poder sobre os 12 distritos de Panem está localizado no Capitólio. Todos os anos se realizam Os Jogos da Fome, em que 2 tributos de cada Distrito são lançados numa arena para se enfrentarem uns aos outros e aos elementos, até que sobreviva apenas um – para entretenimento do Capitólio. 

Apesar da premissa muito interessante, penso que o livro peca por uma exploração pouco aprofundada, mas no fundo adequa-se ao caracter mais juvenil (Young Adults) do livro. A escrita é bastante simples e ritmada, mas o que poderia ser um ponto negativo para mim, mais uma vez adequa-se ao contexto da acção e ao ritmo da narrativa. Honestamente dispensava a vertente mais romântica das personagens, mas ainda assim não se torna o ponto central da história, o que gostei.

Em suma, é um livro leve, que se lê bem e rapidamente. Proporciona bons momentos de leitura descontraída, e deixou-me com uma enorme vontade de ler a continuação. 


O melhor: A premissa e o contexto distópico criados. 



O pior: Honestamente, o final. Não pelo fim em si, mas por ser completamente em aberto, dá vontade de pegar imediatamente na continuação). 


Este livro foi comprado.*


4/5 – Gostei bastante


(*Nota: à semelhança de outros blogs, nomeadamente o Estante de Livros e o A Lâmpada Mágica, vou começar também a incluir na minha opinião a origem do livro)

08/06/2011

Aristides de Sousa Mendes – Um Herói Português

Aristides de Sousa Mendes – Um Herói Português

Autor: José-Alain Fralon
Tradutor: Saul Barata (+)
Nº de páginas: 125
Editora: Editorial Presença


Sinopse: Em Julho de 1885 nascem César e Aristides, dois gémeos de temperamentos diametralmente opostos. Aristides era tão extravagante quanto o seu irmão discreto e cumpridor. Entusiasta, generoso e aventureiro seguiu a carreira diplomática, e encontrava-se em Bordéus num tempo em que o nazismo lançara já a sua sombra sobre a Europa e o Mundo, enquanto Salazar jogava habilmente com a neutralidade. Multidões esperavam junto ao consulado para escapar ao Holocausto. Emanavam ordens do governo português para limitar a concessão de vistos, tanto mais que as tropas alemãs se aproximavam, mas Aristides assinava, dia e noite, correndo contra o tempo, obedecendo a imperativos mais altos. 


Opinião: Já há algum tempo que tinha vontade de saber mais acerca desta personalidade, e este pequeno livro permitiu isso mesmo. 

É um livro que vale pelos relatos acerca da realidade de Portugal na altura que antecedeu e durante a Segunda Guerra Mundial, e mas centra-se essencialmente no contexto familiar de Aristides (o irmão gémeo, o casamento e os seus 14 filhos…), que foi determinante para a sua conduta durante o seu consulado em Bordéus. Achei bastante interessante a inclusão de correspondência entre Aristides de Sousa Mendes e as autoridades portuguesas, documentos da desobediência do Cônsul, e de fotografias da época (apesar de surgirem algumas referências no texto para as quais não existia foto). 

Um livro que se lê bastante bem, numa prosa acessível, no entanto por vezes dramática e exagerada, que ainda tenho dúvidas se resulta ou não, mas que pessoalmente não gostei. Fiquei com vontade de ler ainda mais sobre Aristides de Sousa Mendes. 


O melhor: Caracterização da situação política e social do país na época. 
O pior: O tom da prosa. 

2/5 – Está OK.

14/05/2011

A Filha do Capitão


A Filha do Capitão, José Rodrigues dos Santos



Nº páginas: 634

Editora: Gradiva (2004)



Sinopse: Tendo como pano de fundo a odisseia trágica da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, "A Filha do Capitão" conta-nos, num ritmo vivo e empolgante, a comovente história de uma paixão impossível entre um oficial português e uma baronesa francesa.
A história de uma grande paixão em tempo de guerra.
Quem sabe se a vida do capitão Afonso Brandão teria sido totalmente diferente se, naquela noite fria e húmida de 1917, não se tivesse apaixonado por uma bela francesa de olhos verdes e palavras meigas. O oficial do exército português estava nas trincheiras da Flandres, em plena carnificina da Primeira Guerra Mundial, quando viu o seu amor testado pela mais dura das provas. 
Em segredo, o Alto Comando alemão preparava um ataque decisivo, uma ofensiva tão devastadora que lhe permitiria vencer a guerra num só golpe, e tencionava quebrar a linha de defesa dos aliados num pequeno sector do vale do Lys. O sítio onde estavam os portugueses.
O Capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível. 
Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra, e escolheu o vale do Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, estava o Corpo Expedicionário Português.



Opinião: Tinha algumas expectativas para este livro, com base em opiniões de algumas pessoas cuja opinião valorizo. Estava a espera que este fosse um daqueles romances históricos que tanto aprecio e que me arrebatam, mas isso não aconteceu infelizmente, apesar de globalmente ter gostado do livro. A minha impressão não começou muito positiva... Eu até percebo que o autor tenha pretendido cativar o leitor desde o início com uma escrita elaborada, mas o caso sério de overwriting que este livro apresenta teve em mim o efeito inverso.

Quando consegui adaptar-me à escrita deliberadamente elaborada, demorei cerca de 200 páginas até “entrar” na história. Mais uma vez, eu entendo a estratégia do autor: contextualizar os acontecimentos e apresentar uma série de informação da época e factos históricos, relevantes ou curiosos, mas a maneira descritiva e exaustiva como o faz soou-me terrivelmente enfadonha grande parte do tempo. A melhor parte de ler um romance histórico, a razão pela qual adoro este género, é o facto de aprendermos algo mais sobre esse período ou personagens históricas, sem sentir que estamos a ler um livro de História.

Este recurso à descrição excessiva é sem dúvida uma característica do livro, mas devo dizer que em algumas partes da leitura não foi tão incómodo, e no geral, gostei bastante de absorver todo este conhecimento sobre uma época da História portuguesa sobre a qual não leio muito. Não foi a descrição em si que me incomodou neste livro, mas sim a maneira como foi escrita e introduzida, claramente com o objectivo de informar o leitor e sem brilho (vulgo info-dump).
Quanto à narrativa, acho que a história está repleta de constantes crescendos sem concretização, e que este livro é demasiado longo e o ritmo teria facilmente beneficiado de menos 200 páginas.

Mas nem tudo foi negativo, adorei as expressões regionais dos soldados portugueses e a sua relação com os “boches” e os “bifes”. A verdade é que acabei por me sentir cativada pelo destino dos personagens, e considero que a parte mais interessante do livro é a que descreve o posicionamento das tropas portuguesas na Flandres, e as suas relações com os franceses e os ingleses. Dei por mim a querer ler sempre mais sobre a vida nas trincheiras e sobre os pobres e resmungões soldados portugueses, sobre Afonso e Agnès.
No entanto, precisamente por esta parte ter sido mais satisfatória, achei o final totalmente anticlimático. É um livro bastante pretensioso, quer a nível de escrita, quer de história, mas que na minha opinião falhou a concretização por demasiado esforço. Ficou claramente aquém do que esperava.


O melhor: Aprendi mais sobre a participação portuguesa na I Guerra Mundial, a as expressões regionais dos soldados portugueses.

O pior: Overwriting vs infodump


3/5 – Gostei.




PS: Ufa, habemus blogger! :D

28/04/2011

1808


1808, Laurentino Gomes

Nº de páginas: 392
Editora: (Livros D'Hoje (Publicações Dom Quixote 2008)

Sinopse: Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu. 


Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal. 


D. João VI foi o único soberano europeu a visitar terras americanas em mais de quatro séculos e foi quem transformou uma colónia num país independente. 

No entanto, o seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento que, quando lembrado, é tratado de forma caricata. 

Mas o Brasil de D. João VI não se resume a episódios engraçados. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o cenário no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil. 

O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver os seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos. 

Como se verá, estes personagens podem ser, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, incluindo alguns actuais.



Opinião: Li este livro por insistência do meu pai, professor de História. Confesso que pensei que era um retrato da fuga da família real portuguesa para o Brasil, escrito em forma de romance histórico, e não o documento histórico que é. Este livro, conforme o próprio autor explica logo na sinopse, é fruto de uma investigação exaustiva e longa acerca deste período da História do reino. É um relato preciso, completo e detalhado da realidade política e social de Portugal nas vésperas na Invasão Francesa, das suas relações com Inglaterra e o resto da Europa, do estado do Império e finalmente, das consequências da partida de Portugal e estabelecimento da corte portuguesa no Brasil.

Todos nós aprendemos esta matéria na escola. Mas a verdade é que os livros de História não nos ensinam muito mais além da fuga precipitada da corte, acerca da fragilidade mental da Rainha D. Maria e a timidez do seu filho, o príncipe regente D. João VI. Sabemos que a aliança foi Inglaterra foi determinante nesta empreitada, e que esta fase da nossa História culminou com a independência do Brasil, pela mão de D. Pedro I (do Brasil, IV de Portugal).

Este livro oferece-nos uma descrição detalhada e fundamentada dos acontecimentos e da situação da época, muitas vezes pela própria “voz” de personalidades cuja correspondência constitui hoje documentação valiosa. Faz-nos realmente compreender o contexto em que esta insólita partida para a colónia teve lugar e os seus efeitos políticos, sociais e comerciais que desencadeou não só no Brasil, como em Portugal e na Europa.

O mais fabuloso neste livro é a maneira como conta História de forma precisa, sem se tornar em momento algum aborrecido. A escrita do autor é divertida e ritmada, incentivando o leitor a ler mais e a relacionar informação. Ao mesmo tempo, achei muito bem conseguida a estruturação da obra.

Em suma, é um excelente livro de História, muito bem escrito, e permite-nos aprender mais sobre esta fase da nossa História.

O melhor: O grande nível de detalhe e precisão dos dados; e a escrita cativante

O pior: Sinceramente acho que não tenho nada a apontar.


4/5 – Gostei bastante

13/04/2011

O Espectáculo da Vida - A Prova da Evolução

O Espectáculo da Vida - A Prova da Evolução, Richard Dawkins


Título original: The Greatest Show on Earth - The Evidence for Evolution
Tradutor: Isabel Mafra
Nº páginas: 421
Editora: Casa das Letras (2009)

Sinopse: A evolução é um facto que não suscita dúvidas razoáveis, dúvidas sérias, dúvidas inteligentes, informadas e saudáveis. Não há dúvida de que a evolução é um facto. As provas da evolução são pelo menos tão fortes como as do Holocausto, mesmo considerando a existência de testemunhas oculares deste último. É uma verdade inquestionável que somos primos dos chimpanzés, primos mais distantes dos macacos, primos ainda mais afastados dos papa-formigas e manatins, primos ainda mais distantes das bananas e dos nabos… a lista poderia continuar para sempre. Ora isto não tem de ser verdade. Não se trata de uma verdade evidente, tautológica, óbvia e houve tempos em que a maior parte das pessoas, mesmo as instruídas, pensava que não era. Não tem de ser verdade, mas é. Sabemos isso porque uma vaga crescente de provas o confirma. A evolução é um facto e este livro demonstrá-lo-á. Nenhum cientista respeitável o discute e nenhum leitor imparcial concluirá este livro com dúvidas a esse respeito.


Opinião: Estava com bastante vontade de ler um bom livro de divulgação científica, principalmente tendo acompanhado no Fórum Bang! as leituras, dentro desse género, da pessoa que me recomendou este livro (um obrigada ao Magnus Marco), e que me abriram o apetite. Sendo a minha formação e interesses pessoais e profissionais na área da Biologia, esta foi uma escolha natural para iniciante.

A verdade é que provavelmente teria sido mais útil ler um livro fora da minha área de formação, mas confesso que temia que a divulgação científica fosse mais um discorrer de ciência pouco cativante, ao invés de uma forma interessante de conhecer ciência. Quanto a este livro, não podia estar mais enganada.

Dawkins escreve numa linguagem clara e acessível, sem deixar de ser eloquente, precisa e detalhada. A maior surpresa foi precisamente o bom humor que transparece nesta escrita, e a forma cativante como apresenta factos científicos bem como históricos.

O objectivo deste livro é expor de forma clara e inequívoca as provas conhecidas da evolução, de forma a constituir uma base de informação completa e simples disponível aos cidadãos do mundo moderno. Após anos de “luta” contra as teorias criacionistas, o autor sentiu que a influência dos criacionistas é cada vez maior, quer nas escolas (onde se começa a proibir o ensino da evolução!) quer junto do público em geral, numa política de desinformação. Com este livro, Richard Dawkins procura tão simplesmente expor as provas conhecidas, e explicar a razão pela qual constituem provas de que a evolução, qualquer que seja o seu caminho, é inegável.

O que senti na leitura deste livro foi que o programa completo de Biologia do 12º ano que estudei na escola está aqui explicado de forma facilmente assimilável, interessante e até divertida. A diferença é que o currículo de Biologia está acessível apenas aos estudantes dessa disciplina, ao passo que este livro constitui uma fonte de informação disponível a qualquer pessoa. O autor apresenta as referências (como cabe ao cientista), inclui apêndices com informação detalhada de estudos e inclui 12 páginas centrais com fotografias a cores, que refere ao longo do texto. Além destas imagens coloridas de alta qualidade, ao longo do texto surgem frequentemente imagens a preto e branco que elucidam passagens e raciocínios.

Fiquei impressionada com a enorme carga de informação apresentada de forma natural e facilmente compreensível até para o mais leigo dos leitores, muitas vezes recorrendo a metáforas improváveis mas interessantes. A minha favorita (além da que reproduzi no excerto) é a analogia entre as primeiras fases do desenvolvimento embrionário e uma estrutura de origami: a parte de um pedaço de papel único, e sem introduzir mais papel, parte-se se um simples quadrado, passando por várias construções até chegarmos a um complexo barco de bambu. Facilmente se interioriza o conceito, um pouco abstracto e difícil de “visualizar”, da divisão celular que ocorre no verdadeiro início da vida de um embrião. Conceitos específicos e “complicados” são explicados com igual naturalidade com que surgem explicações de fenómenos que conhecemos quase empiricamente, o que demonstra que o autor se dirige ao leitor sem preconceitos, sem distanciamentos intelectuais.

Obviamente eu não pertenço ao público-alvo deste livro, uma vez que tendo já estudado e compreendido os processos evolutivos, a evolução é para mim algo perfeitamente aceite. No entanto esses processos da evolução e os exemplos concretos não deixam de me fascinar, e como tal, este livro cativou-me e aprendi imensas coisas e relembrei outras mais esquecidas. Voltando ao público-alvo, este livro dirige-se ao comum cidadão, por assim dizer, e não à comunidade científica. É acessível a qualquer pessoa que sinta curiosidade pelo tema, e será com certeza uma leitura interessante.

Curiosamente, visitei recentemente a exposição Darwin, presente na Casa Andresen, no Jardim Botânico da Universidade do Porto, e tive oportunidade de observar fisicamente muitos elementos referidos ao longo do livro, o que se revelou um exercício bastante interessante. Aproveito também para recomendar a visita à exposição (decorre até Julho), bastante completa e interessante, além de permitir a visita à magnífica casa onde viveu Sophia de Melo Breyner.

O melhor: A forma clara e precisa, mas acessível, como conhecimento científico é exposto.
O pior: Pessoalmente, muita da informação já fez parte da minha informação, pelo que senti como uma repetição (apreciação pessoal, independente do livro em si).

4/5 – Gostei bastante



08/04/2011

Marina

Marina, Carlos Ruiz Zafón



Tradução: Maria do Carmo Abreu (+)
Nº de páginas: 260
Editora: Planeta (2010)

Sinopse: «Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.» «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» «Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. «Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.» 



Opinião: Li este livro numa noite. Peguei nele a meio do serão e só o larguei quando o terminei, de madrugada. Se não me tivesse prendido imediatamente pela história, que começa como descrito na sinopse, ter-me-ia rendido apenas à escrita de Zafón. Deste autor já tinha lido o cada vez mais célebre A Sombra do Vento, ao qual fiquei rendida. Sabendo que este Marina foi o primeiro romance do autor, creio ter notado alguma diferença na escrita, mais descontraída e divertida (reflectindo também a personalidade do protagonista, Óscar), menos elaborada, se for esse o termo, mas igualmente descritiva de forma belíssima. 

Óscar é um jovem de 15 anos que mora num internato na cidade de Barcelona. A sua rotina passa por aproveitar a janela de tempo entre o fim das aulas e o jantar para explorar Barcelona, e num desses dias acaba por entrar numa casa aparentemente desabitada, atraído por uma música sublime. Uns dias mais tarde, após uma fuga assustada que precipita um furto inadvertido, Óscar conhece a improvável inquilina desta mansão semi-abandonada, onde vive com o seu pai. Marina. 

Não pude obviamente deixar de identificar alguns pontos em comum com a história de A Sombra do Vento. A fórmula é em muito semelhante: Um jovem rapaz perdido nos mistérios de uma intriga em Barcelona, acompanhado de uma bela jovem. 

Esta história está repleta de mistérios e reviravoltas. Adivinhei todas as revelações antes de acontecerem, mas isso não fez com que tivesse gostado deste livro nem um bocadinho menos. Passo a explicar. Numa certa discussão familiar há uns meses, chegou-se à conclusão que todas as grandes obras literárias (ou uma grande maioria daquelas que nos apaixonam) e/ou cinematográficas, retirados todos os contextos e cenários e deixando apenas o núcleo, evocam o enredo tronco das tragédias gregas ou peças Shakespeareanas. Não foi por não ter sido apanhada de surpresa que deixei de me comover com a forma como esta história foi escrita, e o seu enredo apresentado. 

Este livro foi uma delícia do início ao fim, quer pela mistura de elementos históricos e fantásticos, pela graciosidade da linguagem e até, como piscadela de olho ao romance de terror, uma María Shelley no meio de um mistério que surge com estranhos objectos que ganham vida. E mais não digo. Mesmo no fim, acabei por ser surpreendida pelo rumo que os acontecimentos tomaram e pela forma como a história foi terminada… tal como começou. E já mencionei como adoro a escrita deste autor? Terminei este livro com aquele suspiro de quem termina uma aventura, mas que apreciou cada momento. 

O melhor: A escrita de Zafón. 
O pior: Alguns pontos de contacto com a obra que conheço do autor, e mais uma vez fiquei frustrada por não conhecer Barcelona. 

4/5 – Gostei bastante

07/04/2011

Lua de Mel

 Lua de Mel, Banana Yoshimoto



Tradução (do italiano): Sandra Escobar (+)
Nº de páginas: 120
Editora: Cavalo de Ferro (2007)



Sinopse: Manaka e Hiroshi conhecem-se desde pequenos. Cresceram juntos, tornaram-se cúmplices, confidentes e casam-se ainda muito jovens. O seu amor foi construído sobre um passado em comum, mas as suas personalidades são muito diferentes. Manaka é serena e vive o seu jardim de forma profunda e meditativa, enquanto Hiroshi continua assombrado por traumas familiares. Hiroshi sofre a perda do avô e o casal decide então partir numa segunda lua-de-mel para a Austrália, uma viagem que lhes vai reservar surpresas, reencontros inesperados e a forte magia dos pequenos nadas. Banana Yoshimoto envolve o leitor no romance de dois jovens cujo amor e inocência vai chocar com as mais torpes manifestações do género humano. 






Opinião: Confesso que comprei este livro apenas por 3 razões, nenhuma relacionada com o conteúdo. Primeiro, pela capa. Ou melhor, pelas capas. Tentei fotografar de forma a mostrar como a edição cuidada deste livro é deliciosa (como tenho reparado que é a maioria das edições da Cavalo de Ferro. Porque nunca reparei nesta editora antes?!). A sobrecapa em forma de “caixa” sobre a capa vermelha faz uma montagem engraçada, o que me chamou à atenção para o livro e para o nome da autora. Nunca tinha lido um autor japonês, mas há muito que queria e isso levou-me a analisar o 3º motivo: o preço. Por 2€ (isso mesmo! Comprei na mesma ocasião d’O Reino de Glome) não hesitei em experimentar. 


Este pequeno livro conta a história de dois jovens, Manaka e Hiroshi, que se conhecem desde que se lembram. Passam juntos pela infância e pela adolescência, e da amizade e convivência vai nascendo um amor inocente e sereno. Observamos o ponto de vista de Manaka (que para os leigos ocidentais esclareço que é a rapariga), cuja personalidade serena é muito diferente do inseguro e traumatizado Hiroshi, que tem dificuldade em compreender. Essa incompreensão e questões que Manaka coloca a si própria passam para o leitor. 

Não me senti muito cativada pelas personagens e a sua relação, mas fui sendo seduzida pela escrita simples, mas fluída e de certa forma espiritual da escritora, que creio ser também devida à sua cultura. A história destas duas personagens é feita de dúvidas e desencontros emocionais, é acerca de enfrentarmos os nossos medos e evoca também a enraizada convicção japonesa de sermos melhores para dessa forma sermos melhores para os outros. 

Apesar de não me ter conquistado completamente, gostei, e vou seguramente ler mais livros da autora. 


O melhor: A escrita e o retrato de parte da cultura japonesa 

O pior: Só ter reparado no fim da leitura no glossário de termos japoneses, que teria gostado de ter visto ao longo da leitura 

3/5 - Gostei

03/04/2011

The Northern Lights

The Northern Lights, Philip Pullman
Editora: BBC Audiobooks (2002)
Narrador: Philip Pullman


Sinopse: In a landmark epic of fantasy and storytelling, Philip Pullman invites readers into a world as convincing and thoroughly realized as Narnia, Earthsea, or Redwall. Here lives an orphaned ward named Lyra Belacqua, whose carefree life among the scholars at Oxford's Jordan College is shattered by the arrival of two powerful visitors. First, her fearsome uncle, Lord Asriel, appears with evidence of mystery and danger in the far North, including photographs of a mysterious celestial phenomenon called Dust and the dim outline of a city suspended in the Aurora Borealis that he suspects is part of an alternate universe. He leaves Lyra in the care of Mrs. Coulter, an enigmatic scholar and explorer who offers to give Lyra the attention her uncle has long refused her. In this multilayered narrative, however, nothing is as it seems. Lyra sets out for the top of the world in search of her kidnapped playmate, Roger, bearing a rare truth-telling instrument, the compass of the title. All around her children are disappearing, victims of so-called "Gobblers", and being used as subjects in terrible experiments that separate humans from their daemons, creatures that reflect each person's inner being. And somehow, both Lord Asriel and Mrs. Coulter are involved.

Opinião: Este foi o primeiro livro que ouvi (não considerando uma colecção Disney que ouvia em criança acompanhada dos livros), e como tal esta opinião do livro é indissociável da minha opinião do audiobook por si só. A verdade é que já tinha lido este livro em 2008, mas nunca li os restantes dois livros da trilogia dos Mundos Paralelos (His Dark Materials, no original). Já andava com vontade de ler o resto da trilogia, mas tendo passado tanto tempo desde a leitura do primeiro, fui adiando. Quando decidi que ia experimentar ouvir audiobooks, decidi também que iria começar por um livro que já tivesse lido, e portanto ao escolher este livro foi uma matança de dois coelhos de uma cajadada só. Não só experimentei um audio-livro, como relembrei o primeiro livro da trilogia. 

Já tinha gostado bastante do livro na minha primeira leitura, há 3 anos. Não o considerei um livro para crianças, apesar da história nos ser contada do ponto de vista de uma. Lyra Belacqua é uma criança activa e irreverente, a crescer no seio da Universidade de Oxford (principalmente os telhados, as caves e outros locais proibidos), numa Inglaterra em muito igual à que conhecemos, mas em tudo o resto bastante diferente.  
Gostei bastante do conceito de "daemon" (creio que traduziram para "génio", em português) e de todo o significado profundo da ligação entre cada humano e o seu. Este livro tem todos os elementos de um verdadeiro livro de fantasia.  Entre o povo do rio (cultura em parte semelhante à cigana), estudiosos e teólogos, instrumentos misteriosos, clãs de bruxas em guerra, aeronautas em balão e fabulosos ursos armados. A intriga desenvolve-se em redor da entidade religiosa Magisterium, os estudos divergentes relacionados com a Poeira (Dust no original), reflexões filosóficas e crianças desaparecidas. Todas as aventuras da pequena Lyra, desde a Inglaterra steampunk à gelada e inóspita região do Norte, nos prendem do início ao fim, bem como os mistérios, as personagens enigmáticas e o terrível destino que se adivinha.

Se já tinha gostado de ler o livro, adorei ouvi-lo. Esta edição da BBC é narrada pelo próprio Philip Pullman, e as vozes das personagens pertencem a um pequeno elenco. Adorei o dinamismo do narrador, que conta a história ao ritmo da verdadeira acção e verbaliza o estado de espírito de Lyra mesmo fora dos diálogos.  Adorei a perfeita interpretação das personagens, que diferem nos sotaques e maneirismos próprios das personagens, e exploram os seus estados de espírito. 
Resumindo, não só fiquei cheia de vontade de continuar a ler a trilogia, como adorei esta experiência com os audiobooks, e continuarei a ouvi-los. É óptimo estar a aproveitar o tempo em que não podemos estar a ler, mas podemos ouvir. 


O melhor: O conceito de Daemon e a narração.
O pior: Algumas personagens surgem repentinamente a apenas com um propósito, perdendo alguma da ligação com a história.

4/5 - Gostei bastante

30/03/2011

O Traficante de Armas


O Traficante de Armas, Hugh Laurie
Título original: The Gun Seller
Tradutor: João Henriques (nota ++)
Editora: Caderno



Sinopse: Thomas lang é um ex-polícia que se tornou um mercenário. Um dia recebe a visita de um tal McClusky, que lhe oferece cem mil dólares para assassinar Alexander Woolf, um empresário americano com negócios na Inglaterra e Escócia. Indignado, Lang recusa o trabalho e decide avisar a vítima para o perigo que corre, em vez de matá-la: uma boa acção que não ficará impune. 

A partir do momento em que o protagonista entra em contacto com a família Woolf ver-se-á imerso num turbilhão de mentiras, corrupção e violência, que o obrigará a esmagar umas quantas cabeças com a estatueta de um Buda, a medir o seu engenho com multimilionários malvados e deixar a sua vida (entre outras coisas) nas mãos de um grupo de femmes fatales. 

Hugh Laurie apresenta-nos um engenhoso e ácido romance que fará as delícias não só dos seus fãs, mas também de todos os leitores ávidos por enredos originais e cativantes. 


Opinião: Eu juro que tentei ler este livro sem ter em mente que o seu autor é um dos mais brilhantes comediantes europeu das duas últimas décadas. Eu juro que tentei ler este livro sem associar o narrador ao sotaque britânico delicioso do autor, e tentei ser imparcial relativamente ao sentido magnífico de humor de Hugh Laurie. Eu tentei, mas ele não deixou. 

Este livro respira Hugh Laurie em todas as letras. São vários os elementos: o excelente sentido de humor do narrador e personagem principal (publiquei aqui as primeiras linhas do livro, e dá para ver o tom do discurso); a mentalidade de superioridade britânica face à América da parte de um inglês “obrigado” a lidar com americanos em contexto profissional; até a necessidade de disfarçar o sotaque britânico tão próprio para exercer uma profissão e até fazer-se passar por americano nascido e criado; e Londres, cidade que adoro, como pano de fundo de grande parte da acção. Todos estes elementos, além de me remeterem para o artista Hugh Laurie e para as suas performances enquanto actor e comediante, prenderam-me do início ao fim como narrativa. Muitos só conhecem este artista pela famosa (e excelente, uma das minhas favoritas) série de TV House (e uns poucos pela fantástica Black Hadder), mas a carreira dele no Reino Unido começou há muitos anos atrás, e além de cantar, tocar e representar com um humor apurado, também escreve. Recomendo uma breve pesquisa no YouTube dos vídeos mais antigos dos programas deles se quiserem rir-se um bom bocado. Mas voltando ao livro...

Um homem britânico que anda metido com pessoal do governo de Sua Majestade, por causa de uma confusão com uns americanos brutos e limitados (não são todos?), que apenas procura levar a sua vida descansado, e se possível com uma Glock à mão. No meio disto tudo há uns negócios de venda de armas que envolvem terrorismo, e Thomas Lang é deixado numa encruzilhada moral, da qual só consegue ver os olhos da bela americana Sarah Woolf. 

Gostava de ter conseguido dedicar mais tempo à leitura deste livro, para que esta tivesse sido mais fluída, porque este enredo está repleto de reviravoltas, surpresas inesperadas e personagens determinantes. Infelizmente não tive disponibilidade para tal, e acabei por me sentir uma ou duas vezes perdida no meio de tantas curvas, mas sempre divertida e a soltar gargalhadas no autocarro. Se é verdade que por vezes me senti confusa com as reviravoltas no enredo, considero que além da escrita fantástica do autor, um dos pontos fortes neste livro é precisamente o facto de o leitor não saber em quem acreditar. Se por um lado Thomas Lang parece não poder confiar em ninguém (e quando parece que confia, nós não sabemos se confia mesmo ou se quando virar costas vai agir ao contrário), nós também não sabemos bem se confiamos em Thomas Lang. Estranho, não? Tendo em conta que o ponto de vista é dos pensamentos da personagem, é preciso o escritor ser terrivelmente engenhoso e inventivo para não revelar o que não quer que seja revelado. Até ao final, a dúvida quanto às verdadeiras intenções das personagens permanece juntamente com a verdade acerca do nosso herói. Porque ele torna-se o nosso herói desde o primeiro momento em que entramos na sua cabeça, mas mesmo assim o final é surpreendente. Reconheço que o enredo é pouco sólido de forma geral, porque se foca muito nos pormenores, mas não deixa de ser brilhantemente bem escrito, um livro despretensioso e uma óptima forma de passar o tempo. 


O melhor: A escrita divertida, chegando a ser hilariante. 

O pior: O enredo em si pouco sólido em certos pontos. 

4/5 – Gostei bastante

13/03/2011

No Reino de Glome

No Reino de Glome - Até Termos Rostos, C. S. Lewis

Título original: Till We Have Faces: A Myth Retold
Tradutora: Isabel Milhazes
Nº de páginas: 256
Editora: Cavalo de Ferro


Sinopse: «Agora já estou velha e não temo a fúria dos deuses… irei escrever neste livro tudo aquilo que uma pessoa que é feliz não se atreveria a escrever. Vou acusar os deuses, especialmente o deus da Montanha cinzenta. Vou contar tudo o que ele me fez, como se estivesse a apresentar a minha acusação perante um juíz. Eu sou Orual, a filha mais velha de Trom, rei de Glome.» 
O Reino de Glome, situado nas montanhas da fronteira com a antiga Grécia, é um reino bárbaro que pratica um culto obscuro à cruel deusa do amor, Ungit, e ao seu filho, o deus da montanha, a que os gregos chamam Afrodite e Cupido. Quando Trom, o rei, casa novamente e dessa relação nasce Psique, a sua irmã mais velha, a princesa Orual, está longe de imaginar que esse nascimento irá modificar a sua vida e o curso da história. 
Psique é de uma beleza inigualável, tão bela que o povo se esquece do culto a Ungit. A cruel deusa exige que a princesa seja oferecida em sacrifício ao deus da montanha e os acontecimentos precipitam-se… 





Opinião: Esta é uma recriação do mito grego de Eros e Psique. Segundo o próprio C. S. Lewis, quando leu este mito pela primeira achou que “faltava” alguma coisa, e decidiu-se portanto a recriá-lo. Não sabia nada deste livro quando comecei a lê-lo, por isso acho que as minhas expectativas não eram muito elevadas. O que me fez comprar o livro, além do preço quase ridículo de 3€ (exemplar novo, numa livraria) foi a belíssima edição. Achei a capa muito bonita (na imagem não dá para ver os relevos das figuras e os dourados), e quando li o primeiro parágrafo (transcrito na sinopse) fiquei imediatamente cativada pelo livro. 

No entanto esse entusiasmo inicial foi esmorecendo. Tudo nesta obra grita tragédia grega. Além do próprio enredo, com guerras entre humanos e deuses, e tarefas impossíveis (com as quais podia bem), as personagens e principalmente os diálogos e os monólogos, quase me levaram ao desespero. Numa altura estava a gostar, no momento a seguir estava quase a largar o livro. Talvez estivesse à espera de uma obra de fantasia, mas a verdade é que se trata de uma recriação de uma obra clássica, e procura de certa forma recriar o estilo clássico de escrita da tragédia grega. Não uma adaptação, que teria considerado interessante, mas sim uma verdadeira recriação. 

Confesso que com o avançar do livro fui gostando cada vez menos, até fazer o esforço para terminar. Já estava saturada de tanta tragédia grega, literalmente. 

O melhor: Fiquei a saber um pouco mais acerca deste episódio da mitologia grega. 
O pior: Fiquei saturada principalmente com os diálogos. 

2/5 – Está OK

07/03/2011

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, Stieg Larsson (Millenium #3)

Título original: Luftslottet som sprängdes
Tradutor: (do inglês) Mário Dias Correia
Nº de páginas: 720
Editora: Oceanos (2009)


Sinopse: Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho. Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

Opinião: Depois da maneira arrebatadora e atordoante como termina o segundo livro desta trilogia Millenium, estava ansiosa por deitar as mãos a este terceiro e derradeiro livro. Alguns elementos mantêm-se: Lisbeth continua em maus lençóis com a justiça e a sociedade suecas, e Mikael Blomkvist continua a ser um verdadeiro amigo desinteressado. Fervoroso jornalista que se mantém empenhado em desvendar toda a conspiração que envolve a morte dos seus dois amigos e a personagem misteriosa Zala, e acaba por juntar as peças que ligam Lisbeth Salander à conspiração.

O livro começa muito bem, precisamente no ponto em que terminou o anterior, e no mesmo ritmo. No entanto, com Lisbeth hospitalizada e ao mesmo tempo detida por vários crimes, a narrativa envereda por um caminho diferente, liderado essencialmente por personagens secundárias (mas importantes) e pela investigação a partir de vários pontos de abordagem.
Entra-se então numa fase que considerei algo aborrecida, mas que admito essencial para que o leitor considere verosímil aquele que será o apogeu deste livro. Este chega com o final da investigação, com vários núcleos diferentes de investigação envolvendo várias personagens, seguido do julgamento de Lisbeth Salander.

Além deste apogeu que considerei brilhante, algumas notas que considerei muito positivas prendem-se com as personagens. Primeiro, Lisbeth Salander, claro. Sendo esta mulher o ponto forte da trilogia e a razão pela qual ela existe, este livro não podia deixar de ser afectado pelo facto desta personagem se ver impedida pelas circunstâncias de “actuar” e de brilhar sendo simplesmente Lisbeth. Mas apesar de tudo mais perto do final temos oportunidade de ver mais uma vez os seus talentos. Gostei também da derivação da narrativa da investigação para a perspectiva paralela dos desafios a Erika Berger. Não só temos a oportunidade de conhecer melhor esta personagem, que se revela ainda mais interessante, como também proporciona a intervenção de outras personagens femininas.

Estes foram os pontos que me fizeram adorar este livro, mas também há notas negativas. Já referi acima uma parte mais enfadonha que explica o funcionamento da polícia secreta sueca, mas que não só é útil como essencial para perceber toda a evolução da conspiração. A outra parte, achei essencialmente dispensável, é a “porra do Super Blomkvist”, aka, engatatão barrigudo de serviço. Sim, ele é fantástico e tudo isso, mas satura um bocado estar sempre a saber que ele, juntamente com a sua ausência de boa forma física, tendência abusiva de se envolver em situações perigosas e/ou escandalosas, capacidade de ficar dias sem dar sinais de vida e incapacidade para qualquer compromisso emocional, são extremamente sensuais e qualquer mulher se sente irrevogavelmente atraída sexualmente para este sueco.

Tirando isso, gostei muito deste livro, mas não tanto como dos dois primeiros. É pena pensar que poderiam existir dez livros em vez de três, mas, ao contrário dos dois primeiros, que deixam o final totalmente dependente da continuação, este terceiro volume termina de uma forma bem “atada”, sem pontas soltas, mas deixa um espaço aberto à imaginação. É uma excelente conclusão para uma trilogia absolutamente recomendável.

O melhor: Lisbeth Salander, claro. O julgamento e a conspiração.
O Pior: Super Blomkvist vs Mikael Blomkvist

3/5 – Gostei.