Bibliofilia: Amor por livros e por ler. O Bibliófilo ama ler e sente devoção pelos livros, colecciona-os e admira-os.
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17/07/2013

Bibliofilia pelo Mundo (VIII) - The Royal Society Library




Biblioteca da Royal Society, em Londres. Visita à Summer Science Exibition

17/04/2013

Bibliofilia pelo Mundo (VII) - Word on the Water

Word on the Water - Uma Livraria sobre águas


Numa altura de grandes monopólios editoriais e gigantes que controlam a venda de livros, três homens decidiram seguir contra a corrente no negócio de livros. Mais concretamente a corrente dos canais da cidade de Londres.

Word on the Water (Palavra sobre a água) é o nome desta original loja de livros em segunda mão. As suas instalações consistem de uma barcaça holandesa da década de 1920 completamente móvel, que viaja pelos canais de londres, lançando âncora por algumas semanas em diversos bairros e comunidades da cidade antes de seguir viagem novamente. 

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A barca foi remodelada e o equipamento modernizado, mas os proprietários mantêm orgulhosamente uma decoração retro, que adiciona charme e uma aura de romantismo a esta livraria já de si tão fascinante. O seu conteúdo, além do equipamento de navegação, inclui dois gatos - Queenie and Kitty - cadeiras confortáveis para leitura, um fogão a lenha, um amplificador de som no telhado da barca (que serve de palco para actuação de musicais e leituras de obras) e estantes recheadas de livros.







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Sendo o espaço a bordo limitado e dando ênfase à declaração de diferença do próprio espaço, a livraria faz questão de conter no seu catálogo uma cuidadosa selecção de "livros de qualidade" e livros que que não se encontrarão numa qualquer livraria normal. Grandes clássicos, autores locais, livros infantis, alguns bestsellers e obras mais alternativas e obscuras encontram-se lado a lado nesta livraria improvável, que procura não apenas vender livros acessíveis em segunda mão (todos os paperbacks a 1-3£), mas também promover a literacia e a cultura na comunidade, de uma forma diferente.


Existem centenas de estabelecimentos comerciais em Londres cujas instalações consistem de barcas que circulam pela cidade, mas esta é o único que se dedica a comercializar livros, fazendo dela a única livraria flutuante da capital, navegando durante todo o ano, com bom ou mau tempo e sempre convidando os clientes a entrar.






                        
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(foto de Rii Schroer)
O francês "The Captain", é o dono do barco e encarrega-se das questões de navegação, enquanto Paddy Screech, "The Doctor" e John Privett "The Professor" tratam do negócio de compra e venda de livros. Juntos, levam a barca-livraria a espalhar cultura e artes, boa disposição, música e, claro, livros, aos diversos ancoradouros dos canais londrinos, no melhor estilo alternativo e boémio. Uma experiência literária diferente para bibliófilos ou meros curiosos.


O blog da livraria está desactualizado, mas para quem for em breve a Londres e quiser saber onde pára por estes dias a Word on the Water, ou simplesmente quiser acompanhar esta livraria especial, pode fazê-lo através do Twitter ou Facebook desta livraria independente.


  

06/03/2013

Bibliofilia pelo Mundo (VI) - Shakespeare & Co.



Na margem esquerda do Seine, a dois minutos de marcha de Notre Dame, encontramos uma das livrarias mais famosas do mundo, a Shakespeare and Company.


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Fundada em 1951 pelo americano George Whitman (embora o nome original fosse Le Mistral e tenha sido mudado para o actual em 1964), esta livraria sempre foi muito mais do que apenas uma loja de livros em inglês no coração de Paris.
Continuando uma tradição de partilha de livros e experiência de leitura da parte do seu fundador, Shakespeare and Company foi desde o início um lugar de encontro de autores, artistas e pensadores de língua inglesa na boémia Paris. São inúmeros os autores famosos que frequentaram, pernoitaram e compraram livros neste pequeno apartamento de dois andares transformado em livraria.


Ainda hoje é uma influência na cultura literária, promovendo encontros de escritores e leitores, realizando workshops e conversas em redor de livros, incentivando publicações independentes e diversas actividades culturais. 

Além de uma referência cultural, a Shakespeare and Company tornou-se ao longo das décadas desde a sua abertura também uma referência turística em Paris. A localização privilegiada permite aos visitantes desinformados de uma zona nobre de Paris descobrir uma encantadora e histórica livraria no meio de dezenas de artistas de rua e bancas de livros usados, quase como uma gravura antiga típica de um postal. 

Para outro tipo de visitantes que, como eu, se deslocam a esta zona da cidade especialmente para visitar a mítica livraria, a experiência é fantástica. O próprio espaço envolvente tem uma atmosfera artística e o cantinho onde se localiza a livraria (ou antes livrarias) convida ao registo fotográfico e mental.

Num espaço acolhedor e convidativo, ladeado por um pequeno jardim, com uma fonte antiga no passeio mesmo em frente, as luzes coloridas penduradas entre os ramos das árvores, a famosa fachada amarela e verde, este canto bibliófilo seduz imediatamente, e isto tudo é antes de ver os livros.

Em plena calçada, caixas de livros usados a preços fantásticos, livros antigos em pilhas numa mesa, expositores gastos repletos de livros também eles bem lidos e até prateleiras na parede, sem faltar o conjunto de mesa e cadeiras à entrada da loja, para folhear livros com calma.

Na verdade existem duas livrarias, a famosa e generalista, e mesmo ao lado, no mesmo edifício e com aparente ligação interior, encontramos a loja especializada em livros raros e antigos. Uma versão alfarrabista da Shakespeare and Company, que permanece vazia e sossegada, em oposição à "loja-mãe".
Não cheguei a entrar na loja de livros raros mas enquanto investigava no exterior as pilhas de livros pouco valiosos, mas de encadernação antiga em couro, descobri na montra maravilhas como uma primeira edição de Pictures by J. R. Tolkien, de 1979 (120€), uma primeira edição do Le Petit Prince,de 1943 (150€) ou um conjunto dos 14 livros de James Bond de Ian Fleming nas suas publicações originais, de 1953-66 (395€).






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Em ambas as lojas, quer na fachada quer no interior (pelas paredes fora, em degraus de escada e vãos de portas), encontram-se citações de livros ou declarações atribuídas a autores famosos. Há nas paredes e nas estantes recortes de jornais, ilustrações, notas de leitores maravilhados, peças de merchandising de livros, fotos de autores na livraria com o proprietário ou simplesmente fotos autografadas e posters de filmes baseados em livros (o grafismo do site oficial da livraria é feito com imagens estes recordes e citações). 

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Há lugar para um piano rodeado de sofás-cama e almofadas (estava uma rapariga a tocar e a cantar em francês enquanto lá estive!), inúmeros cantinhos de leitura feitos a partir de camas ou sofás, forradas de estantes, cortinas e pilhas de livros, que terão acomodado os inúmeros escritores que por aqui passaram. 

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E livros. Milhares e milhares e milhares de livros. Novos e usados, recentes e antigos, todos os géneros, livros obscuros, best sellers e clássicos. Nesta livraria as paredes parecem feitas de livros, tal é a quantidade caótica de exemplares. O espaço é ínfimo, e a divisão das pequenas salas por estantes repletas para proporcionar mais superfície de exposição origina corredores estreitos onde é preciso ter cuidado para não atirar livros ao chão.


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No meio de tudo isto, o difícil foi escolher um livro para comprar nesta mítica livraria. Assim que entrei perdi imediatamente a noção da minha wishlist, tantos livros à minha volta que me deixaram embriagada! Depois de escolher o livro, consegui localizar a caixa de pagamento no meio de tantas estantes e pessoas, e acabei por comprar esta edição linda de um livro que tenciono ler há anos (e o facto de ser pequeno cumpria os requisitos da minha bagagem já lotada), The Great Gatsby, e pedi o carimbo da praxe na primeira página.





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É proibido tirar fotos do interior, por isso deixo-vos aqui fotos que estão publicadas na internet. Mesmo que tivesse podido tirar fotos (claramente outros visitantes o fizeram), não o teria feito porque a livraria estava a abarrotar de gente e a circulação era perigosa. Além disso, nunca teriam feito justiça ao espaço, tal como estas fotos não o fazem. A luminosidade fraca e amarelada que estabelece o fantástico ambiente da livraria não favorece fotos. Só mesmo uma visita ao local lhe fará justiça.

Uma das livrarias mais famosas do mundo, palco e tema de várias histórias, filmes e livros, e sem dúvida um lugar apaixonante para qualquer bibliófilo. 

06/02/2013

Bibliofilia pelo Mundo (V) - Little Free Library



Esta adorável mini biblioteca parece ser apenas uma estante fora do normal, mas é muito mais especial. Esta caixa de livros é apenas uma de milhares espalhadas pelo mundo inteiro, sendo exactamente o que o nome indica: uma pequena biblioteca gratuita (Little Free Library). Qualquer leitor pode chegar, abrir a portinhola da estante e escolher um livro. No fim da leitura, pode devolvê-lo, passá-lo a outra pessoa ou mesmo ficar com ele para si. Da mesma forma, qualquer pessoa pode doar um livro simplesmente deixando-o na estante. O importante é o livro ser lido, circular e fazer a diferença para alguém. 





Quem o diz são os fundadores desta organização norte-americana, Little Free Library, dedicada a construir pelo mundo fora pequenas bibliotecas acessíveis a qualquer pessoa. 
Esta iniciativa começou em 2009 como um programa de uma organização não governamental sediada no Wisconsin e conta hoje com inúmeros parceiros, colaboradores e voluntários, responsáveis pela construção de milhares de bibliotecas que espalham a bibliofilia além das fronteiras do estado e do país. 


O objectivo principal é promover a literacia e o gosto pela leitura, através do livre acesso a livros, mas também contribuir para estabelecer espírito de comunidade e aprendizagem de artes de construção (carpintaria). Hoje em dia a Little Free Library pode deslocar-se a uma comunidade e construir e rechear uma pequena biblioteca; e qualquer comunidade no mundo pode por sua vez associar-se a este projecto construindo a sua própria estante com a colaboração da associação. No quintal da sua casa, no jardim da comunidade, na entrada da escola ou da empresa, qualquer sítio em que haja autorização para tal pode ser o local de uma pequena biblioteca gratuita.  Há também a possibilidade de efectuar doações a esta associação, uma outra forma de contribuir.
E quanto à questão que decerto vos está já a ocupar a mente "E se os livros forem roubados?", devo dizer que conta na lista de perguntas mais frequentes do site, e adorei a resposta: Ninguém pode roubar um livro que é gratuito. E se alguém o roubar, pode ser que acabe por o ler, e esse é o objectivo final do projecto. 

Aqui está um mapa com a localização de todas as Little Free Libraries distribuídas pelo planeta, vejam se haverá alguma perto de vocês! Naturalmente, a maioria das bibliotecas localizam-se nos Estados Unidos, mas já se espalham pela Europa e há também alguns projectos para crianças em África e na Ásia. 
Os designs são os mais variados, dos mais simples aos mais elaborados, mas todos cumprem o mesmo propósito, partilhar livros.





(Todas as fotos  retiradas daqui.)

16/01/2013

Bibliofilia pelo mundo (IV) - Book Mountain


Book Mountain

A empresa holandesa MVRDV desenvolveu recentemente o projecto Book Mountain, que chegou a ser distinguido com o prémio de segunda melhor biblioteca da Holanda em 2012, além de uma série de prémios nacionais e internacionais das áreas de arquitectura, design e sustentabilidade.

Com este projecto - Book Mountain (Montanha de Livros), Spijkenisse, nos arredores de Roterdão, ganhou não apenas uma fantástica nova biblioteca pública como também infraestruturas comunitárias construídas na própria e em redor da biblioteca - espaços comerciais, auditório, espaços de desportos, escritórios, um centro de educação ambiental, etc.

Mas para o bibliófilo, o mais impressionante de tudo é a biblioteca em si. Uma montanha de estantes repletas de livros, contidas numa estrutura piramidal de vidro transparente. A visão nocturna da biblioteca é particularmente encantadora. 

(Fotos maiores ao clicar nas miniaturas. Originais aqui.)






Ao expor assim o conteúdo da biblioteca, transformando o edifício num "farol" de conhecimento e informação ao alcance de todos, sem barreiras físicas, os arquitectos da obra pretenderam demonstrar como numa era digital de compra e venda de livros online, ainda há espaço para as bibliotecas físicas inseridas na comunidade. 


O edifício está desenhado de forma a permitir que os seus utilizadores, a comunidade, aproveitem ao máximo a biblioteca e o que ela tem para oferecer. 
O conceito de "montanha" foi atingido localizando a maioria dos espaços comerciais e espaços fechados no interior e pisos inferiores do edifício deixando as áreas de topo e periferia abertas à luz natural. Rotas de circulação, escadas e espaços de relaxe e leitura, e claro, as próprias estantes expondo a colecção da biblioteca, oferecem a ideia visual das encostas da montanha. Uma rota espiral à medida que se "sobe" a montanha permite seguir a ordem alfabética da organização dos livros.  



Como não podia deixar de ser quando se reúnem dois conceitos como "arquitectura moderna" e "comunidade holandesa", todo este projecto é bio sustentável. Ventilação e iluminação naturais, estantes feitas de materiais reciclados a partir de resíduos urbanos, utilização de plantas naturais no controlo de temperatura e aproveitamento do calor terrestre são apenas alguns dos sofisticados detalhes incluídos neste projecto. 


Com tudo isto, e tendo em conta que esta biblioteca apenas ganhou o segundo prémio de melhor biblioteca da Holanda, resta-me agendar algum tempo no futuro para investigar a que ficou em primeiro lugar.



Outras Bibliofilias pelo Mundo: 

13/07/2011

Bibliofilia pelo Mundo (III) - House of Shelves

House of Shelves

Fantástica casa japonesa, toda ela uma estante contínua.


Foi desenhada pelo arquitecto japonês Kazuya Morita, especialmente para um jovem historiador com uma enorme colecção de livros de História Islâmica. 

Toda a casa foi desenhada com elementos de estante do chão até ao tecto, e cada unidade foi estruturada individualmente para ser capaz de servir efectivamente de estante e ao mesmo tempo manter a harmonia geométrica do conjunto, muito ao estilo da arquitectura Islâmica. O arquitecto confessou que no início o cliente não soube muito bem o que fazer da casa. De facto deve ser uma visão intimidante! As estantes existem até no wc.



Fotos: Kazuya Morita Architecture Studio.

O mais surpreendente é o facto das estantes nas paredes não serem apenas interiores, como revestimento das, constituindo antes a própria estrutura básica do edifício! As unidades de estantes foram montadas e testadas num laboratório no campus de Katsura da Universidade de Kyoto, Japão.

Esta casa pode albergar dez toneladas de livros (quanto livros dá isso? Não consigo imaginar) e está estruturalmente preparada para resistir a terramotos. O arquitecto não revelou o preço final da obra. 

Artigo partilhado pelo rui278 do fórum Bang!

Podem ler o artigo aqui.



30/06/2011

Bibliofilia pelo Mundo (II) - Alfarrabista João Soares

Nos primeiros minutos desta quinta-feira, é lançada a Estante à Quarta! A culpa é da bibliófila, que já não sabe que dia da semana é, se não for sexta :)

Tirei esta foto na noite de S. João, na passada quinta-feira, quando passava em frente a este alfarrabista, que visito várias vezes. As luzes estavam acesas e numa noite de folia adorei espreitar pela montra e ver a loja tão pacífica, os livros alheios a toda a confusão na rua. É um espaço pequeno, o que não está à mostra é muito pouco, mas a abarrotar.  As estantes são até ao tecto, totalmente repletas, e é muito dífícil circular neste alfarrabista, devido a todas as pilhas de livros: em mesas e suportes onde existe espaço para eles, no chão, em cima de bancos.
A qualidade da foto é a possível, de noite e com câmara do iPod, mas decidi partilhar.


É o alfarrabista João Soares, na Rua das Flores, no Porto. A fachada da loja:

01/06/2011

Bibliofilia pelo Mundo (I) - Uroko House

Há melhor cantinho para um bibliófilo do que um quarto cheio de livros? Só mesmo quando se transforma num adorável ninho assim:  


 




Chama-se Uroko House,e foi criado pelos arquitectos japoneses da Point. Aqui podem ver fotos da construção da casa. 
Adoro!